Quarta-feira, Junho 24, 2009




Um Simpósio para o Clero

1 a 4 de Setembro de 2009

Fátima



António Valério, SJ

Ordenação de Presbítero

e

"Missa Nova"

- Ad maiorem Dei gloriam -

É já no próximo dia 11 de Julho, em Fátima, na Igreja do Carmelo de S. José, pelas 16h00, que o Tó Valério vai ser ordenado Presbítero.

O Tó Valério é de Idanha-a-Nova onde ainda residem os seus pais e entrou há já alguns anos na Companhia de Jesus (Jesuítas).

Depois do Noviciado, estudos e trabalhos diversos em Portugal, Espanha e Itália (Roma), o Tó é agora ordenado Padre.

É um momento de muita alegria para o Tó e para a sua família, mas também para a Companhia de Jesus, para a sua Paróquia e para toda a Igreja. Em pleno Ano Sacerdotal o Tó acolhe o Dom do Sacerdócio e faz da sua vida dom e entrega aos irmãos a quem agora servirá como Padre para anunciar Jesus Cristo e baptizar, alimentar com a Eucaristia e saciar a fome, testemunhar o perdão de Deus e acolher com as mãos e o coração de Deus tantos e tantos irmãos que buscam sentido na vida.

Vamos rezar pelo Tó Valério, pela sua Família, pela sua Paróquia e Pároco, pela Companhia de Jesus e já pelas pessoas que o Tó servirá pelo ministério. E peçamos ao Senhor Jesus que muitos jovens, ao verem a felicidade de quem se entrega ao seu serviço e nas suas mãos, possam apaixonar-se pelos caminhos a que Ele chama.

Ao Tó, o nosso "Cristo na Cidade" quer manifestar a sua mais profunda alegria por este momento e quer estar unido na oração para que, como diz o ritual da Ordenação, o Tó seja um "fiel dispensador [dos mistérios de Deus], para que o povo [...] renasça pelo banho da regeneração, se alimente do [...] altar, os pecadores se reconciliem, e os enfermos encontrem alívio".

Ad maiorem Dei gloriam

Quinta-feira, Junho 11, 2009


Ano Sacerdotal
e
Simpósio do Clero




Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote
O Papa Bento XVI anunciou a realização de um “Ano Sacerdotal”. Subordinado ao tema Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote, este ano, especialmente dedicado a reflectir a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade e a rezar pelos que são chamados a serem padres, decorrerá entre os dias 19 de Junho 2009 (Solenidade do Sagrado Coração de Jesus) e 19 de Junho 2010.
Esta iniciativa e oportunidade ocorre quando se cumprem 150 anos sobre a morte de S. João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars que viveu o seu sacerdócio numa total entrega a Deus e ao povo que lhe foi confiado. S. João Maria Vianney será, por isso mesmo, proclamado Padroeiro de todos os Sacerdotes do Mundo no dia do encerramento deste Ano Sacerdotal no grande encontro mundial de Sacerdotes na Praça de S. Pedro em Roma.
S. João Maria Vianney nasceu em 8 de Maio de 1786 numa França muitíssimo agitada pela revolução e onde a maioria dos sacerdotes estava exilada ou encarcerada. Sentindo a vocação ao sacerdócio, João Maria Vianney teve de enfrentar muitas adversidades mas nunca perdeu a referência da voz de Quem o chamava. Trabalhando, entregando-se aos pobres, homem de profunda oração, entrou por fim num Seminário no qual já era comum a admiração pela simplicidade e santidade de Vianney. Foi ordenado padre em 9 de Agosto de 1815 já com 29 anos e começava nesse momento uma das mais belas histórias de sacerdócio dedicado e apaixonado. Ars, do ponto de vista da prática religiosa, era um lugar deserto. João Maria começou pobre mas dedicado. Caridade, apostolado, horas de confissão, pobreza extrema, cuidado permanente das famílias eram expressões do seu grande segredo: a oração silenciosa diante de Jesus no Sacrário. Vianney viria a morrer em 4 de Agosto de 1859 mas a sua lembrança nunca desapareceria.
A sua vontade tenaz de se preparar o melhor possível para o sacerdócio, a profundidade do seu amor a Cristo e ao povo, os frutos abundantes e surpreendentes do seu ministério, as diversas actividades apostólicas orientadas para o essencial, a valorização do Sacramento da Reconciliação, a Eucaristia como oferecimento, comunhão e adoração, a pregação e a catequese são pois desafios do Cura de Ars a todos os padres de todos os tempos.
Este é, portanto, um ano dedicado a reflectir e rezar pelos sacerdotes e com os sacerdotes. Diz o Cardeal Cláudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero, numa nota escrita acerca do Ano Sacerdotal que este ano deverá ser um ano positivo e propositivo, em que a Igreja quer dizer antes de tudo aos sacerdotes, mas também a todos os cristãos, à sociedade mundial, através dos meios de comunicação global, que ela se orgulha de seus sacerdotes, os ama, os venera, os admira e reconhece com gratidão seu trabalho pastoral e seu testemunho de vida. Realmente, os sacerdotes são importantes não só pelo que fazem, mas também pelo que são.
E o mesmo texto do Cardeal faz mais desafios objectivos: Este ano seja também ocasião para um período de intenso aprofundamento da identidade sacerdotal, da teologia do sacerdócio católico e do sentido extraordinário da vocação e da missão dos sacerdotes na Igreja e na sociedade. Isso exigirá congressos de estudo, jornadas de reflexão, exercícios espirituais específicos, conferências e semanas teológicas em nossa faculdades eclesiásticas, pesquisas científicas e respectivas publicações. [..] deve ser, de modo muito especial, um ano de oração dos sacerdotes, com eles e por eles, um ano de renovação da espiritualidade do presbitério e de cada presbítero. A adoração eucarística pela santificação dos sacerdotes […] poderiam ser desenvolvidas com frutos reais de santificação. Seja um ano em que se examinem de novo as condições concretas e a sustentação material em que vivem nossos sacerdotes, às vezes submetidos a situações de dura pobreza. Seja, ao mesmo tempo, um ano de celebrações religiosas e públicas, que levem o povo, as comunidades católicas locais, a rezar, a meditar, a festejar e a prestar uma justa homenagem a seus sacerdotes. […]
O Ano Sacerdotal vai ser, portanto, uma ocasião de reavivar o dom de Deus à sua Igreja que é o sacerdócio.


Simpósio do Clero em Portugal – reavivar o dom da Graça de Deus
Decorrerá também este ano mais um Simpósio nacional do Clero. Realizar-se-á em Fátima entre os dias 1 e 4 de Setembro de 2009. O tema deste Simpósio Nacional, enquadrado no Ano Sacerdotal é tirado da segunda Carta de Paulo a Timóteo: “Exorto-te a que reavives o dom da Graça de Deus que está em ti pela imposição das minhas mãos” (2 Tim 1, 6 – 11)
Em cada momento é necessário reavivar o dom de Deus que está em nós. Que significará reavivar? O verbo grego significa avivar um fogo. Ora o Espírito Santo é descrito muitas vezes como fogo e a sua vinda é descrita simbolicamente em línguas de fogo. E é nesse sentido que é interessante que seja dito que o homem cristão, nomeadamente o sacerdote, tem responsabilidade no reavivar em si mesmo o dom de Deus. Neste caso concreto de Timóteo trata-se do dom que recebeu pela imposição das mãos, o rito específico da ordenação, da consagração ou nomeação. Trata-se, portanto, do dom da Graça de Deus para o ministério em Igreja. É esse dom ministerial que é preciso reavivar. E se há necessidade de o reavivar significa que ele se pode apagar ou extinguir e que corre esse perigo.
Como se extinguem ou “ofuscam” os dons de Deus e, nomeadamente, o dom do seu Espírito? Podemos colocar algumas hipóteses de motivos:
§ No caso de Timóteo podemos colocar a hipótese de o dom se ofuscar por causa da solidão. Timóteo pode ter-se sentido “terrivelmente solitário” quando se separou de Paulo. Tinham trabalhado em muito estreita colaboração, mas agora o peso da solidão, das decisões na comunidade fazem-no esquecer de recorrer à força do dom de Deus. Ainda hoje encontramos solidões terríveis e que por isso destroiem ou ofuscam o Espírito de Deus em nós.
§ Uma outra razão possível para o enfraquecimento do dom de Deus em Timóteo é a sua jovem idade ou, por quaisquer motivos, a insegurança. Jovem idade que pode fazer com que Timóteo se sinta inadequado para a direcção da comunidade. A insegurança produzida pela idade é, de facto, apresentada aqui como uma hipótese de algo que provoca o enfraquecimento do dom de Deus.

§ Uma terceira hipótese de causa do enfraquecimento do Dom de Deus é a falta de exercícios espirituais, a falta de oração. Lembremos que, na primeira Carta a Timóteo, Paulo exorta Timóteo a exercitar a piedade (1 Tim 4, 8). O dom de Deus pode, portanto, ofuscar-se quando deixamos de rezar
Somos então desafiados a reavivar o dom de Deus que está em nós. E S. Paulo continua dizendo a Timóteo que Deus nãos nos deu um Espírito de timidez, mas sim de fortaleza, caridade e temperança. À primeira vista, humanamente falando, parece que temos aqui um Timóteo que não acredita já no seu ministério e na sua capacidade. É assim que S. Paulo o convida a sair do estado de temor em que parece viver (quem teme não é perfeito no amor).
A timidez de que nos fala S. Paulo não é apenas, ou principalmente, uma timidez psicológica. É antes uma timidez que se revela como o contrário da confiança em Deus, o contrário da fé em Jesus Cristo que conhece e guia todas as coisas. Significa, portanto, que a timidez, no sentido de medo, de falta de coragem evangélica, é uma tentação grave e o possível início de muito ofuscamento de dons de Deus. É algo que mata a alegria e a coragem do serviço ministerial. É desta mesma timidez que Jesus nos liberta quando nos diz “ Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não se perturbe o vosso coração, não tenhais medo” (Jo 14, 27) (não tenhais “deilia”).
De acto, continua S. Paulo, Deus deu-nos um Espírito de fortaleza, de amor e de temperança”.Poderíamos traduzir de outra forma: “um Espírito de força, de amor e de sabedoria”. A força que nos é dada é a força do próprio Senhor Jesus, aquela que estava n’Ele ao anunciar com tantos e tantos sinais o Reino de Deus. O amor, por seu lado, é o amor de Deus, o amor criador, a caridade participação no próprio Amor que Deus é. A temperança, finalmente, aqui usada por Paulo, diz respeito à sabedoria associada à prudência e à moderação. A temperança é a capacidade de permanecer na justa medida que é diferente do meio termo, a capacidade do equilíbrio. É a justiça. É a capacidade de não se deixar manipular pelos estados emocionais passageiros, pelos fantasmas dos sentimentos, pela dureza das desilusões (inconsistência). Talvez por tudo isto S. Paulo diga a Timóteo que o Espírito de Deus é de força, amor e temperança. Talvez a força e o amor não chegassem e Paulo lhes junte a capacidade de discernimento que a temperança faz agir. Ser sábio e ter temperança é saber discernir os tempos, os lugares, os momentos, reconhecer a revelação da força de Deus, perseverar.

Ano Sacerdotal e Simpósio, duas ocasiões, para o Clero e para todos os cristãos, de perceber melhor e mais profundamente o lugar do Padre na Igreja e no mundo. Uma ocasião de perceber a sua vocação e os sinais específicos da sua consagração.


p. Emanuel Matos Silva
pde.emanuel@gmail.com


13 e 14 Junho 2009

Cristo está cá e chama-te!

"Pré-Seminário"

Seminário de S. José

- Alcains -

12h00 do dia 13 até 14h00 do dia 14


Segunda-feira, Junho 01, 2009




Bendizer e dizer bem



Esperança forte para certeza débil

O Santo Padre, o Papa Bento XVI, desafiava há tempos atrás a Igreja a falar menos de si mesma e a anunciar mais a Jesus Cristo propondo o seu seguimento às mulheres e homens de hoje no concreto e no real das suas vidas. O Santo Padre desafiava assim a Igreja a que, partindo da sua identidade de sacramento e de sinal de Jesus Cristo (a Luz dos Povos como Lhe chama a Lumen Gentium) no meio da humanidade, testemunhasse o fundamento da sua fé e da sua esperança. É para isso que Cristo a quer e a constitui. Trata-se, na caridade e na evangelização, de uma Igreja rendida ao seu Mestre e Senhor Jesus Cristo e com capacidade criativa. Uma Igreja que faz aquilo em que acredita.
Acreditar e saber sempre andaram juntos. Acreditamos e, então, compreendemos melhor. Compreendemos e, resultado de experiência, acreditamos mais. Mas nunca a fé cristã resultou apenas da adesão intelectual do pensamento à realidade de Jesus de Nazaré. Como também nunca resultou apenas e exclusivamente da adesão emocional à mesma verdade. Deus fez tudo muito bem feito: aderimos e amamos o que faz sentido mesmo que isso exija esforço já que o esforço é tempo de nascer e de fazer acontecer aquilo que se ama.
A fé é uma questão de confiança, um saber por confiança que se traduz em segurança de vida. Então, para lá da adesão apenas do pensamento, a fé consiste também e antes de tudo, num compromisso da pessoa toda com a Pessoa e os passos de Cristo; consiste no facto de referenciar e remeter toda a vida para Cristo, numa entrega total, renunciando à vontade de desprezar o que quer que seja que esse caminho nos revele como caminho de Cristo.
“Agora vemos … por isso acreditamos que saíste de Deus” (Jo 16, 19) diziam os discípulos de uma determinada hora a Jesus. Mas deixam-se cair num erro: dizem que acreditam porque vêem que Jesus sabe tudo, que sabem eles também, que compreendem, que experimentam, que tocam e até, porventura, que dominam todo o acesso do conhecimento à Pessoa de Jesus. Tudo lhes parece claro acerca de Jesus. Pensam acreditar mas, na verdade, ainda não aderiram plenamente na fé à Pessoa de Jesus. E o mesmo erro repete-se. Na fé e no acreditar nunca está tudo feito de uma vez para sempre. Aquilo que retirasse o esforço è fé e ao acreditar, acabaria por lhe retirar também a alegria e a capacidade do compromisso.
Jesus percebeu bem o equívoco dos seus discípulos e a, ainda, insuficiência da sua confissão de fé. É por isso que, permanentemente nos Evangelhos, os reenvia para a Hora da sua Paixão. Essa é a prova suprema e será para os discípulos o lugar da verificação da sua fé e do seu seguimento. Jesus fá-los imaginar para os fazer alargar o horizonte de compreensão.


Imaginar o que Deus nos quer

É quando um desejo é difícil de realizar, que a esperança tem de preencher o largo espaço dessa realização. E é aí que acontece sempre um propósito, um desafio, um compromisso, um voto, uma promessa. A esperança mais débil é para a certeza mais forte e a esperança mais forte é para a certeza mais débil. Por isso se exige “aos que se comprometem” uma fé tanto mais ardente, amorosa e gratuita quanto mais difícil é o “milagre” que desejam. Quem espera já faz acontecer. Esse é o exercício do permanente envolvimento com Deus para que a história de todos os dias tenha sentido, um exercício de coragem e de simplicidade, de fortaleza de confiança.
Falar da esperança e do testemunho de Jesus Cristo no mundo de hoje como um exercício de coragem e de simplicidade, um compromisso de fortaleza de confiança, é sublinhar o lugar da imaginação na vida espiritual dos cristãos.
Algumas abordagens da imaginação referenciam-na como algo próximo da ilusão e da projecção e, por isso, algumas vezes perigosa. Muitos, nesse sentido, que se imaginaram muito além das suas possibilidades e realidades, nunca foram capazes de assentar e, por isso, tornaram-se irresponsáveis e inconsequentes.

Mas já Sto. Inácio de Loyola sublinha a importância da imaginação na oração e na vida cristã como composição do lugar. Ela será uma experiência positiva na medida em que o desejo de Deus se pode sempre transformar em desejo de crescer e de amar infinitamente. E por isso a imaginação pode ajudar a transfigurar as experiências de cada dia e de cada hora. Como seria diferente a vida de todos os dias se Jesus me acompanhasse cada momento da vida como aos primeiros discípulos. Vamos imaginá-l’O ao nosso lado – dir-nos-ia Sto. Inácio – e perceber o que nos diria nesta situação concreta e real, neste momento da vida. E aí a imaginação dá frutos reais em experiências que orientam.
Imaginar é sair. A imaginação teologal e cristã tem, de facto, o dom de nos retirar à rotina de todos os dias e de todos os processos que criam círculos viciosos. Arranca-nos às palavras ressabiadas de desencanto, não deixa que sejamos sempre levados por denominadores comuns despersonalizados, não nos impede a reflexão, não nos deixa prisioneiros do “politicamente, ou eticamente, ou religiosamente, correcto sempre tão confortável, não nos deixa escravos do meio ambiente nem das valorizações sociais com que, às vezes, se compram as consciências e silenciam as inquietações.
É a imaginação, de facto, que impede que se olhe para o homem apenas como unidimensional (de uma ideia só). É a imaginação que impede que se olhe para a pessoa sempre como algo previsível e controlável. É a imaginação ainda que tem a arte de desconfiar das evidências fáceis, e que tem igualmente a coragem de abrir o que alguém quis, indevida e apressadamente, encerrar. Num mundo de coisas compactas, a imaginação cristã é arte de encontrar as brechas para, paradoxalmente, reflectir a unidade e harmonia. Quem é capaz de “imaginação”, é também alguém difícil de formatar.
Mas a imaginação cristã, é ainda e também aquilo a que podemos chamar um acto de inteligência, uma verdadeira fecundação da razão. Imaginar é desenvolver as possibilidades.
É uma imaginação mística porque murmura continuamente ao espírito humano a possibilidade da transcendência num mundo de certezas horizontais e imediatas; desaloja as leituras materialistas, unidimensionais; permite que o tempo não seja apenas instrumento de prazer ou de rentabilidade, mas saiba a comunhão com a eternidade; faz-nos acreditar no lugar da contemplação num mundo de hiperactividade nevrótica; desenvolve a possibilidade dos desejos profundos como orientadores de todas as lutas; ela forma corações fortes e desempoeirados, mãos fortes e fraternas.

Igreja, mestra de esperança

Jesus conhece bem a prova de fé a que, quotidianamente, os seus discípulos estão expostos. Jesus conhece bem a experiência de solidão e de aparente abandono por todos a que a fé os conduzirá. Mas é a vitória da sua Paixão por amor que abre para uma vitória sobre o que dispersa, endurece o coração, se enraíza como indiferença ou, ainda pior, está constantemente a condenar os outros. Sem a confiança (a fé) não há vitória sobre tudo o que despersonaliza e destrói.
Diz bem o povo quando afirma que “quem não se fia não é de fiar”! A experiência do povo leva-o a dizer que quem vive a sua vida desconfiado de tudo e de todos deixa azedar o coração na suspeição habitual e não arrisca ser criador de caminhos novos com a mais valia da gratuidade e do amor. Esse que não se fia, e por isso não é de fiar, será alguém que vive sempre como espectador hiper-crítico da realidade mas espreitando a oportunidade para dela usufruir. Fica de fora a gratuidade, condimento essencial das vidas positivas e fecundas.
Ouvimos dizer muitas vezes que o nosso século está a nascer de costas voltadas para os valores, para a moral, para Deus e para a transcendência. E quando se embarca no tema e no horizonte que lhe preside, não raras vezes, julgam-se pessoas e sociedades em processos sumários.
Será que os séculos anteriores foram assim tão puros em relação aos valores, à moral, a Deus ou à transcendência? Meramente a título de exemplo, o século anterior viu acontecerem duas guerras mundiais e muitas outras. Viu a expressão máxima da desumanização em campos de concentração e outras experiências. Viu a bomba atómica, viu a afirmação reiterada de outros século de que não existia Deus e viu a confissão que de, afinal, existe e existirá, etc.
Para mudar e converter, é preciso imaginar. A imaginação – a tal arte de encontrar as brechas para, paradoxalmente, reflectir a unidade e a harmonia das coisas e das vidas - inspirada pela Graça, conduz ao encontro com Deus. Inspira os gestos, os estilos, as formas de viver. Alimenta e fortifica a fidelidade e a confiança e torna possível aquilo que alguns julgam impossível: viver no mundo sem se reduzir à perspectiva meramente horizontal do mundo.
Se, em vez de “dizer mal dos não baptizados”, a Igreja soubesse desafiar (dizer bem) para a beleza da segundo Jesus Cristo; se, em vez de “criticar os cristãos que não vão à Missa”, a Igreja fosse capaz de os entusiasmar (dizer bem) para estarem presentes; se, em vez de lamentar as “fugas ao sacramento da reconciliação”, a Igreja acolhesse (dizer bem) com tempo os pecadores; se, em vez de dizer mal dos divorciados, a Igreja fosse capaz de dizer bem do seu projecto de família cristã e de as acompanhar; se, em vez de se entreter (dentro e fora) com avaliações morais e acusações permanentes, a Igreja propusesse o sentido da diferença como mais valia e mantivesse com serenidade a sua identidade; se, em vez de ir atrás a lamentar, a Igreja fosse à frente a desafiar … estaria seguramente a fazer aquilo a que o Papa Bento XVI a desafiou como Igreja de Cristo e a ser fermento de mundos novos.
Imaginar o bem leva-nos a comprometer com ele. E dizer bem é a primeira, e às vezes, a melhor forma de bendizer a Deus. Ser capaz de lutar pelo bem significa que já se imaginou o bem e a bondade. Imagine-se.


p. Emanuel Matos Silva
pde.emanuel@gmail.com

Sexta-feira, Maio 15, 2009


Se quer rezar, tem de tirar a boina
- Francisco Marto,
“desempenado” e contemplativo –



Nove anos apenas
Francisco Marto, uma das três crianças (pastorinhos) que testemunharam as aparições de Nossa Senhora em Fátima, é uma figura extremamente rica e que desperta imensas interrogações e desafios. É a criança que alguém definiu como tendo “um ar desempenado quando respondia às perguntas”, desempenado e contemplativo. O Francisco que responde com “ar desempenado” é o mesmo Francisco que, com o mesmo “ar desempenado” levanta interrogações. Suas e também de todas as crianças.
“Vossemecê, se quer rezar, tem de tirar a boina” disse Francisco a um preso enquanto em conjunto rezavam o terço.. A figura deste “Pastorinho” é de uma intensidade extraordinária. Nascido a 11 de Julho de 1908, baptizado a 20 do mesmo mês, morreu a 4 de Abril de 1919, foi beatificado em 13 de Maio de 2000 pelo Papa João Paulo II.
Partindo dos seus nove anos de idade e do seu contexto existencial, passando pela sua personalidade ou temperamento e admirando a sua fé, deixamo-nos cativar pelas suas expressões de inocência e de amor que acabam por concluir na sua total entrega (capacidade de dom) a Deus pelas mãos de Maria. É impossível seguir de perto a sua história sem se deixar interrogar. É impossível acompanhar o seu percurso sem deixar que, da sua infância feita “oferta agradável a Deus”, surjam interrogações e implicações para todos os tempos e a muitos níveis.
Francisco Marto diz-nos, pois, “espontaneidade”, “autenticidade” e “confiança”! Se colocarmos uma criança e um adulto diante de uma casa enorme e esteticamente impressionante pela beleza, colheremos seguramente duas reacções diferentes. O adulto falar-nos-á do preço da casa (“Que casa caríssima!”). A criança, por sua vez, referir-se-á à beleza da casa e, por conseguinte, ao seu valor (“Que casa bonita!”). Talvez isso aconteça porque, como diz um poeta, os adultos já não têm tempo para dar de comer aos pássaros. Mas, de facto, a simples observância das crianças mostra- nos como têm uma incrível facilidade em passar do terreno do mundo material e físico para o mundo e “experiência” do Sobrenatural. E, mais do que apenas isso, falam-nos desse mundo com uma proximidade cativante, uma convicção imensa e uma desenvoltura desconcertante.
É evidente que se torna necessário, e a educação também o promove, passar da “metafísica apenas pessoal” para o campo da “física universal”. A passagem não deve, contudo ser tão rápida que nos impeça de reparar no essencial já que, à priori não tem de existir contradição nem oposição entre a metafísica pessoal e a física universal. A espiritualidade radica as suas origens no mais profundo do ser. Quase poderíamos dizer que é, como o “rir” e como a “linguagem” um dado humano fundamental.
Sobre a espiritualidade da crianças, Francisco dir-nos-á seguramente que é necessário crescer (“fazer-se um homem” como se costuma dizer na linguagem dos “adultos”) sem perder aquilo que dá sentido à vida. A história das aparições e da vida de Francisco fala-nos de uma criança pacífica, dócil, bondosa, condescendente, com sentido de humor, brincalhão, de fácil relação e amizade, atento e perspicaz, reservado, destemido, contemplativo, sincero, transparente, delicado, paciente. Tantas coisas boas que, mais ou menos naturalmente, podem despertar e ser alvo de pedagogias para se fazerem mais realidade existencial. Nessas atitudes estão todas as linhas com que se “desenha” e faz um Homem.


Espiritualidade adulta
Se não vos tornardes crianças não entrareis no Reino … (Mc 10, 15). O Reino é para crianças. As palavras de Jesus não deixam lugar a dúvidas. Mas o apelo de Jesus não é, de todo, um convite ao infantilismo ou à imaturidade. A possibilidade de inspiração de uma espiritualidade cristã adulta na criança que é o Pastorinho Francisco surge, precisamente, das qualidades da infância de Francisco e de todas as crianças. A experiência da maturidade cristã faz do adulto não apenas uma “pessoa grande” mas sim, e sobretudo, uma “pessoa crescida e a crescer”! Crescer não significa apenas, deste ponto de vista, acrescentar anos à vida. É sim acrescentar vida aos anos. Espontaneidade, autenticidade e confiança são então, entre muitas outras, três notas que se testemunham em Francisco e que são marcos incontornáveis de uma espiritualidade cristã adulta.
É necessário, por isso, transfigurar a infância para se ser cristão adulto: crescer em idade mantendo a referência e a marca “original”! O“ser criança”, no desafio das palavras de Jesus, é uma experiência de plenitude, uma experiência de maturidade cristã, uma expressão do homem “à estatura de Cristo” que confia, que é autêntico e espontâneo! Não se trata, portanto, de construir “homens infantis”, mas sim de reparar nos dinamismos da maturidade cristã como expressões de uma infância transfigurada que se manifesta e reage com base na simplicidade, alegria, espontaneidade e, sobretudo, confiança filial.
Uma criança pode ser modelo de fé para um adulto? Não será isso uma infantilização ou, pelo menos, algo desconexo? Pergunto: Um carro de mão puxa-se ou empurra-se?! Responder-me-ão, seguramente, que “depende”. E, de facto, depende do que se pretende, do “para onde” se pretende ir, do tipo de “carro de mão”. É o mesmo que acontece em relação à afirmação da possibilidade das crianças como modelos de fé poderem indicar ou não uma infantilização da experiência religiosa. Depende de muitas condicionantes. Tratar-se-ia de infantilização, se no horizonte da caminha da cristã, se perdesse a noção da finalidade de tudo o que se faz.
Quando um adulto olha para uma criança como modelo de fé, contempla, sobretudo, a “inocência” (vamos chamar-lhe “originalidade” livre) dos dinamismos e não tanto a eficácia das situações. A criança, objectivamente, é aquele que se está a fazer, que está em estado de construção (E isso pode ser bom e pode não o ser, é transitório). Porque está em construção tem também de saber o que pretende construir. O factor importante na fé é o acesso à Pessoa de Jesus Cristo. E isso tem caminhos e dinamismos próprios.

Modelo de fé
Acolher a criança como modelo de fé não é, então, padronizar a realidade a partir de uma criança e reduzir o âmbito da própria realidade. A isso chamar-se-ia ilusão. Acolher a criança como modelo de fé é ser capaz de purificar as percepções, é ser capaz de abordar o complicado e complexo com a simplicidade superior de quem confia e não alimenta suspeições. É ser capaz de ser livre!
Acolher a criança como modelo de fé é reflectir a possibilidade de ser adulto e manter a “inocência” que faz amar sem desconfiar, que faz confiar sem suspeitar. É não deixar envelhecer a referência da vida a Deus. E, por isso, com a propriedade que a própria vida acarreta consigo, ser pacífico, dócil, bondoso, condescendente, com sentido de humor, brincalhão, de fácil relação e amizade, atento e perspicaz, etc, etc, à maneira de Francisco.
A história das aparições e da vida de Francisco fala-nos, como já referi, dessa criança pacífica, dócil, bondosa, condescendente, com sentido de humor, brincalhão, de fácil relação e amizade, atento e perspicaz, reservado, destemido, contemplativo, sincero, transparente, delicado, paciente. Tudo coisas que fazem a vida de alguém mais feliz! Ou não?!
As memórias em que nos é narrada a história de Francisco merecem, e têm já superiormente elaborado, um estudo crítico. Mas nunca deixará de impressionar a confiança absoluta de Francisco em Deus e a capacidade de relativização do que ele considerava “coisas sem importância” (“Deixa lá, a mim que me importa o lenço?”).
Nunca deixará de impressionar, nesse horizonte, o seu amor e a sua entrega a “Jesus escondido”. O que torna uma criança de nove anos capaz de um amor assim? E o que lhe dá força para se tornar desta forma uma “oferenda agradável a Deus”?
O amor e a dispersão são experiências em sentido contrário. O amor unifica sempre. E, embora não limite nunca a extensão das experiências, o amor valoriza sobretudo a intensidade (não muitas coisas ao mesmo tempo, mas as coisas mais importantes).
Então a “capacidade de dom” é o que melhor a traduz a gratuidade, o prazer (mesmo que, depois, peça esforço) e a liberdade que a criança coloca como “exigência” em tudo o que faz. Aquilo que resistir às exigências de gratuidade, prazer (ser feito com prazer que é diferente de ser feito para dar prazer) e liberdade obtém da criança a colaboração e o empenho. E Francisco faz-se “dom” para Deus e para a Igreja. É uma experiência de gratuidade total, uma relação pessoal com o Mistério de Deus que não se possui mas ao qual não se consegue escapar. Um Mistério que nos relativiza, mas ao mesmo tempo, nos sustenta.
Em Maio, mês de comemoração das aparições de Fátima, vale a pena voltar a ouvir Francisco: “Hoje sou mais feliz … porque tenho dentro do peito a Jesus escondido” e exclamar também com ele “Ó minha Nossa Senhora, terços, rezo todos quantos Vós quiserdes”.


p. Emanuel Matos Silva
pde.emanuel@gmail.com

Domingo, Maio 10, 2009

Porquê dizer "sim" a Deus?






















Sexta-feira, Maio 08, 2009


Quarta-feira, Maio 06, 2009


Encontro
de
Pré-Seminário
Seminário de S. José
- 9 e 10 de Maio 2009 -
Programa:

Sábado, 9 de Maio

  • 11h00 - Acolhimento no Seminário de S. José (Alcains)
  • 12h00 - Quem somos? Vamos conhecer a Diocese!
  • 13h00 - Almoço
  • 13h45 - Surpresa (A... R... S... MB... MT... MF... C... M... N...)

- Reflexão ... convívio ... oração

  • 20h00 - Jantar (pic-nic)
  • 21h30 - "O regresso"
  • 23h30 - Repousando

Domingo, 10 de Maio

  • 08h30 - Oração da manhã
  • 09h00 - Pequeno almoço
  • 10h00 - "Preciso de ti" - Padre na Igreja, uma vocação
  • 11h30 - Eucaristia
  • 13h00 - Almoço
  • 14h00 - Final do encontro