segunda-feira, fevereiro 19, 2007






Pré- Seminário


Inscreve-te



Vamos iniciar na nossa Diocese o Pré-Seminário. Vai ser uma experiência fantástica. Hoje damos já algums notícias, mas não todas!


O que é o Pré-Seminário?!

É um grupo de descoberta da vocação na Igreja. Muitos jovens questionam-se sobre qual será a sua vocação, qual será o sentido das suas vidas. Alguns até já pensaram em entrar no Seminário, mas não se sentem ainda preparados. Precisam de mais tempo para pensar e crescer. É por isso que chamamos a esta experiência o "Pré-Seminário". Os jovens continuam em suas casas, com as suas fanmílias e nas suas escolas, mas reúnem alguns fins de semana por ano para reflectir em conjunto, conviver e descobrir em conjunto o que Deus quer de cada um.



Quem pode entrar e inscrever-se no Pré-Seminário?!

Todos os rapazes que já tenham completado os 13 anos de idade e que estejam interessados em aprofundar e reflectir a sua vocação (os que forem menores necessitarão de uma autorização dos pais) e que estejam interessados em reflectir juntamente com outros rapazes a vocação a que Deus os chama na Igreja.



Como vai funcionar o Pré-Seminário?

Os jovens inscrevem-se mas continuam a viver em suas casas com suas famílias e a frequentar as suas Escolas. Alguns fins de semana e outros dias por ano participam em encontros que decorrerão num dos Seminários da nossa Diocese. O Pré-Seminário vai funcionar em grupos diferentes segundo as idades e cada jovem estará nele o tempo necessário ao aprofundamento e opção vocacional.



Que tipos de actividades se fazem?

Bom, imensas e variadas. Desde temas de reflexão, passando por experiências de oração, voluntariado, momentos de diversão, aprendizagem de guitarra e canto até passeios e acampamentos, de tudo se fará um pouco. Tudo o que se fizer tem é de ajudar cada jovem a chegar mais perto do segredo do seu coração e daquilo que Deus quer dele.



Quando posso inscrever-me?

Já! Basta enviar o teu nome, morada, data de nascimento e contacto telefónico para o nosso mail e.pro.vocação@sapo.pt





Já pensaste ?!


Porque o mundo tem necessidade de amor,


Padre,


uma VOCAÇÃO!



Vem aprofundar a tua vocação connosco!

Coragem! Inscreve-te e participa!






sexta-feira, fevereiro 16, 2007


Abraçar sem asfixiar, ser livre sem ficar solitário
- Quaresma 2007 -


A Vida Nova
Jesus ressuscitou! Ele é o Cristo e Senhor! Tempo de procura da verdade, tempo de lermos a realidade e de nos lemos a nós próprios, tempo de silêncio fecundo e contemplativo, tempo de caridade vigilante, tempo de amar o jejum, tempo de nos abstermos do supérfluo e de discernirmos o essencial, tempo de partilha e fraternidade, tempo de verdadeira “luta espiritual”, a Quaresma não tem outro sentido e significado mais profundos que o de ser uma preparação para a celebração da Páscoa e para o dom da Vida Nova.
Na nossa vida cristã, nós não somos empurrados para a frente a partir do nosso passado de fragilidade. Somos sim puxados pelo nosso futuro de vida na graça de Deus. Essa é a experiência da Páscoa que nos é acessível em Jesus Cristo e na sua ressurreição. É a plenitude em Jesus Cristo que nos cativa e nos faz caminhar. Por isso, a caminho da Páscoa … Quaresma como quem se liberta de tudo aquilo que não faz parte nem pode entrar na experiência da comunhão com Deus e no encontro com Ele.
No quadro das relações humanas existem coisitas que não podem estar presentes numa relação de verdadeira amizade porque se lhe opõem e a impedem. Na relação com Deus em Jesus Cristo é a mesma coisa. Nós não conseguimos estar com Ele se estamos com aquilo que Lhe é contrário.
«O que quer dizer “cativar”?» é a grande interrogação do principezinho no seu diálogo com a raposa. Vale a pena ler novamente a história. É que a raposa vai explicando que «Cativar é criar laços … se me cativares precisaremos um do outro».
De facto, enquanto o principezinho metabolizava a sua dor (quase com pena de si mesmo) apareceu a raposa. Momentos antes o encontro com a flor não tinha corrido bem. A flor brincara vaidosamente fazendo tudo para se manter no centro da cena: uma espécie de jogo de sedução destinado a paralisar o admirador. E o pequeno príncipe, preso no jogo da flor, não se dava conta de si mesmo nem percebeu o que dissimulava tamanha simpatia. Amavam-se, até se pode concluir, mas nunca foram capazes de o dizer. E porque não encontraram as linguagens próprias para o dizer, o amor falhou. A flor usa a linguagem da astúcia enquanto o principezinho usa uma linguagem simples e directa. Não sendo realizáveis os desejos da flor, o principezinho está destinado a partir, a crescer. E é nessa procura de si mesmo por parte do principezinho que a raposa é um instrumento que possibilita uma experiência fundamental: criar laços, fazer de cada um para o outro alguém que é “único no mundo”. O aborrecimento desaparece da vida da raposa e o principezinho já não se sente estranho. Tornaram-se “únicos no mundo” um para o outro. Por isso a raposa conclui: “Tornaste-te responsável pelo que cativaste! És responsável pela tua rosa” (A. Saint-Exupéry, O Principezinho, 74). Diz-nos a mesma história que, pouco a pouco, cada um se começou a sentir mais livre, mais responsável pelo outro e, ao mesmo tempo, a ver a vida própria com outros olhos.

Por amor de Deus e da vida
Os Cristãos reflectem e vivem o seu tempo em torno da Páscoa e, semanalmente, do Domingo, o primeiro dia da semana. Em Jesus Cristo, Verbo de Deus encarnado, o tempo torna-se uma dimensão de encontro com Deus. E dessa relação de Deus com o tempo nasce a consciência da necessidade de “santificar o tempo”.
Que significará “santificar o tempo”? Mesmo antes de desafiar e chamar Israel a ser santo (Lev 19, 2), o Senhor Deus criou um dia diferente de todos os outros. Deus, de facto, e como diz o Livro de Génesis, Deus “abençoou o sétimo dia e santificou-o” (Gen 2, 3). Significa isto que a santificação do tempo é possível graças ao próprio Criador.
“Santificar” o dia de sábado é assumir este dia como “um dia diferente”, um “outro dia”, ou um “dia de outra forma”: o desafio de ser santo porque o Senhor é santo. É como se Deus estivesse a dizer aos Israelitas “sede outros”, “sede diferentes”, “vivei de um modo diferente daquele que toda a gente vive”. É a mesma coisa que dizer-nos: sede capazes de fugir à sedução das idolatrias quotidianas que impedem de ver a verdade; sede capazes de ser diferentes, sede capazes de acreditar”.
Consequentemente, “santificar o tempo” significa vivê-lo de forma diferente do usual ou rotineiro. É vivê-lo segundo a intenção de Deus. E isso significará, ao limite, que haverá um dia no fim do tempo, mas que o fim do tempo é a comunhão com Deus.
O tempo tem, portanto, um sentido preciso já que o “sétimo dia” (para os judeus) ou o “primeiro dia” (para os cristãos) é o destino do homem e de toda a criação: sétimo dia é chegar a Deus e primeiro dia é partir de Deus, antecipação escatológica para toda a humanidade, transfiguração de toda a criação. Na intenção de Deus, o tempo dos crentes é um tempo diferente e ritmado: marcado por um dia santo todas as semanas; por um ano santo cada sete anos; por um ano santo cada 50 anos (sete semanas de anos). Desta forma, o próprio Deus quis impedir que relegássemos a santidade da humanidade para um campo abstracto e inacessível. É este o sentido e significado profundo das festas cristãs e do desenrolar do ano litúrgico. É este, ao limite, o horizonte em que se desenrola a Quaresma na qual os cristãos são chamados a converterem-se ao Senhor e a regressarem a Ele com gestos simples e verdadeiros como o jejum, a partilha e a oração, símbolos de uma vida nova.
O calendário anual, ou o ano solar, não é senão uma forma prática de medir o desenrolar dos tempos. E isso é bom porque nos permite organizarmo-nos e prepararmo-nos para determinados acontecimentos. Se não fossemos tão versáteis e, por isso, distraídos e rotineiros não era necessária a diversificação de tempos litúrgicos.

Jejum, esmola e oração em vez de quinquelharias
Existem três grandes desafios que asseguram a unidade do tempo da Quaresma e definem o horizonte da caminhada eclesial e pessoal:
1. O Mistério da morte e ressurreição de Jesus;
2. As implicações deste Mistério para quem se prepara para o baptismo;
3. A renovação na caminhada da fé e da conversão para os que já são baptizados.
Toda a Quaresma tem, portanto, uma dinâmica baptismal. E é por se ter desenvolvido em torno dessa dimensão baptismal que o tempo da Quaresma também é tempo penitencial. Este é o tempo próprio para, conhecendo melhor o Espírito de Jesus, “baptizarmos” a nossa inteligência. Este é o tempo para, aprendendo a querer o que Deus quer, “baptizarmos” a nossa vontade. Este é o tempo para, afeiçoando-nos mais a Cristo e ao seu caminho, “baptizarmos” o nosso afecto e o nosso amor.
A Quaresma não é, portanto, um tempo de invenção de penitências ou meramente de sacrifícios sem ousar tocar o alicerce profundo dos problemas. Quando a espiritualidade se incompatibiliza com a realidade da vida e se resume a abstracções, Deus fica sempre inatingível, a experiência da fé é sempre de desgaste e a vida nunca se transforma. É comparável a alguém, como dizia A. Alçada Baptista, que está ou “entrou na religião pela porta da quinquelharia ... pagelas, santinhos de lata”, etc, mas não ousa tocar o problema fundamental do seu coração e das suas opções.
É claro que o jejum, a partilha e a oração não se resumem a mínimos legais. No seu verdadeiro sentido nem sequer serão “obrigações”. Se o jejum nos encerrar em nós mesmos, se a partilha servir apenas como descarga de consciência (“os meus pobres” – algo dito sempre com arrepiante sentido de propriedade) e se a oração se traduzir apenas em “troca formal de favores por senhas” e pedido “institucional” de provas da existência de Deus, a Quaresma não terá nenhuma finalidade senão a de uma auto-contemplação. E quem passa a vida a auto-contemplar-se não conseguirá nunca contemplar os outros: não é capaz de gestos de confiança, não é capaz de gestos de fraternidade, não é capaz de gestos de ternura, não é capaz de gestos proféticos de compromisso e ousadia cristã.
O que a Quaresma pretende, então, é uma redescoberta da fé, é o reatar da relação com Jesus Cristo. A Quaresma é, por isso, um momento privilegiado da procura de sentido para as coisas de todos os dias. E dizer procura de sentido não se resume a uma questão do discernimento de uma vocação específica na comunidade cristã (por exemplo, saber se se segue ou não a vida sacerdotal). Procura de sentido diz-se em relação à vida no que respeita à relação com os outros, diz-se acerca do sentido da amizade, acerca do sentido da responsabilidade. Não existe vocação, vida ou vivência que não possam começar a ser transformados em tempo de Quaresma. A redescoberta quaresmal é, portanto, a redescoberta de si mesmo, da vida, da fé e também dos outros.
Ao conjugar o jejum podemos perguntar se, de facto, a abundância de muita coisa não nos tira a sensibilidade e o sabor das coisas na sua essência. Querer o “muito” em vez do “bom” ou do “justo” pode ser um engano. E isso não se resume ao que comemos. Tem a ver com a vida toda, com as opções, com o que se chama de cidadania, com o que nos permitimos e com o que nos proibimos a nós próprios. Sabemos que somos livres, mas também nos experimentamos muitas vezes como “autênticos prisioneiros” de sistemas de reacção, de pruridos relacionais, de palavras ditas, de atitudes irreflectidas que, continuadas, acabam por se afirmar, muitas vezes, como personalidade.
Acontece, no entanto, como dizia E. Mounier, que Deus é grande de mais para fazer das nossas fragilidades uma vocação. Por isso propõe a mudança e, por isso também, o tempo favorável da Quaresma, em Igreja, é o tempo indicado de ousar vi(r)agem. Virar, mudar, converter ... a fé só tem sentido em relação estreita com a vida.
A Quaresma exige-nos, portanto, interiorização, imaginação e fidelidade criativas: repensar a fé e a expressão religiosa em relação com a vida quotidiana. Jejum, partilha e oração não são mínimos legais. São caminhos de crescimento, de experiência da vida nova que vem por Cristo. Jesus é o verdadeiro Pão da vida. Jejuar é sentir a fome como esse estado em que nos apercebemos que dependemos de tantas e tantas coisas. E algumas não são necessárias. A fome do jejum (ou da abstinência) pode ser vivida como esse limite para lá do qual me sinto novamente vivo. Por isso o jejum quaresmal não se resume a uma mudança de regime alimentar, uma espécie de dieta. Ele não é luta contra o corpo, mas sim pelo corpo e para o corpo porque pela vida e para a qualidade da vida quotidiana.
E a partilha ?! A partilha também não pode ser apenas uma espécie de gesto afectivo mais ou menos sacralizado. O esforço de partilhar pode viver-se nos sorrisos, na capacidade de escuta, no uso bom das palavras, nas visitas e na atenção que damos, na ajuda a alguém, etc, tanta coisa! E, na base, sempre a oração como diálogo de amizade com Deus. Oração como quem se experimenta a confiar e percebe que se está a dar não a partir de si mesmo, mas sim a partir de Deus.


Propósitos quaresmais: poucos e bons, práticos e possíveis
Todos os anos ao chegar a Quaresma nos esforçamos por encontrar alguns desafios que concretizamos em propósitos. Creio que, quando se trata de estabelecer propósitos, já todos percebemos que é melhor que sejam poucos mas bons, que sejam práticos e possíveis. De outra forma estaremos a dispersar-nos mais do que a construir. Poucos mas bons para poderem ser essenciais e estabelecidos naquilo que diz respeito aos fundamentos das coisas e não apenas às suas aparências. Não vale a pena, por exemplo, tentar resolver objectivamente uma relação que anda mal com alguém se não questiona a perspectiva com que se está na vida e na relação com os outros.
Às vezes aumentamos a extensão dos propósitos mas diminuímos a sua profundidade. Outras vezes multiplicamos tanto os propósitos que se torna impossível concretizá-los todos e em tão pouco tempo. Outras vezes ainda queremos que os outros vivam os propósitos que nos faz falta a nós fazermos e dispensamo-nos ou diminuímos a nossa responsabilidade e compromisso. Com se estivéssemos sempre à espera que todos os outros fossem perfeitamente virtuosos para nós podermos então ser também perfeitos. Na realidade quando a vida se conjuga a partir dos perigosos “se…” é apenas sinal de que ela não existe ou de que não se está verdadeiramente interessado em resolver as situações. Outras vezes ainda ficamos satisfeitos na elaboração teórica e vistosa de um conjunto de propósitos mas não nos comprometemos na sua consequente realização.
P. Emanuel Matos Silva



Quaresma … simplesmente


Recordar coisas que até já sabemos
Estamos novamente às portas da Quaresma, um tempo forte, o chamado tempo favorável, na experiência cristã pessoal e na vida da Igreja. Tempo de escuta, leitura e discernimento; tempo de atenção, vigilância e percepção; tempo de amar o essencial das coisas no jejum; tempo para nos abstermos do supérfluo e acessório e discernir o essencial; tempo de exercício das virtudes cristãs e do carácter; tempo de partilha rezada e de oração que conduz à caridade.
Quando a Quaresma é conhecida apenas como um tempo para determinados sacrifícios ou actos de ascese, renúncias ou práticas penitenciais, podemos dizer que não se sabe nada da Quaresma porque a Quaresma quer conduzir-nos sim à descoberta da beleza da fé cristã e, fundamentalmente, de uma fé que se vive. É nessa medida que a Quaresma é um tempo forte, um tempo qualitativamente diferente do tempo comum quotidiano para os cristãos viverem simultaneamente como uma tensão no acesso à felicidade, um esforço positivo de desenvolver qualidades e capacidades, um desejo de conversão transformadora e de regresso a Deus.
Se o acontecimento fundamental do Cristianismo é Jesus Cristo, e Jesus Cristo entregando-Se na Cruz por amor (Mistério Pascal), então a Páscoa é um acontecimento que tem de ser preparado porque recria a nossa esperança e a nossa confiança em Deus e, por essa via, em nós mesmos.
A Cruz de Jesus é, sem dúvida, construída pelas nossas vidas (da qual faz parte a nossa fragilidade e o mistério da iniquidade), mas é habitada por Aquele que destruiu a morte na sua própria raiz. E isso significa que Jesus é Aquele que, habitando as nossas vidas onde elas mais precisam de ser iluminadas, nos faz experimentar a felicidade e a alegria: uma vida habitada, dinamizada, entregue Àquele que não nos deixa morrer é um desafio forte num tempo forte – a Quaresma. A sintonia com o projecto de Jesus apaixona e faz olhar para a vida como algo aberto e a construir-se. O encanto da vida cristã está em perceber que a existência tem um “para quê” a que responder sempre. Fazem parte da experiência desse encanto a gratidão apaixonada pelo dom da vida e a percepção da condição própria com seus limites. Aliás são elas que geram confiança e dão ousadia. Quem não é capaz de gratidão não é capaz de fé. Quem não sentiu já essa paixão do encontro com o Senhor Jesus que se desdobra em fraternidade?! Quem não experimentou já esse encanto que são os joelhos no chão diante do Sacrário como momento onde se alicerça toda uma vida que não acontece apenas “porque tem de ser”, mas sim por resposta e como vocação?! Então a Quaresma é o tempo para deixarmos e exercitarmos que sejam esses encontros a guiar com maior qualidade a nossa vida.
Antes de ser sacrifico e renúncia, a Quaresma é um desafio de apaixonamento e entrega a Jesus Cristo na Igreja e no mundo (ler os nº 109 e 110 da Sacrossanctum Concilium, Vaticano II).


Origens da Quaresma
Desde o séc. II que existe na Igreja um tempo de preparação para a Páscoa em que se pratica o jejum durante alguns dias. A Quaresma, ou melhor, nesse tempo, o tempo de preparação da Páscoa começou por ter apenas uma semana passando, depois, a três semanas em que se lia e meditava o Evangelho de João e, só depois, a 40 dias que se inspiram nos 40 dias que Jesus passou no deserto e que estão profundamente à definição do ministério de Jesus nas suas formas e valores objectivos e práticos de serviço, verdade e amor. A preparação de 40 dias (com jejum) iniciava-se, originalmente, a partir da sexta semana antes da Páscoa, mas como havia pelo meio seis domingos – e o Domingo nunca é dia de jejum – e se queria completar a simbologia dos 40 dias de Jesus no deserto, prolongou-se este tempo antecipando o seu início para a Quarta feira antes da sexta semana antes da Páscoa. Chamar-se-lhe-á, mais tarde “Quarta Feira de Cinzas”. No séc. IV encontramos já imensos testemunhos de uma organização deste tempo de preparação para a Páscoa. Vejam-se, por exemplo, as descrições dos ritos e costumes feitos pela peregrina Egéria em Itinerário de Egéria.
Do séc. IV ao VII-VIII temos o que se pode chamar o período áureo da Quaresma cristã, ao qual se começa a dar, por causa do carácter pascal, um forte carácter baptismal que se expressa nos ritos do catecumenado. Para entender bem a Quaresma há que dizer que no estabelecimento da sua cronologia da Quaresma teve uma grande importância a recordação dos quarenta (40) dias que Jesus passou no deserto em jejum, segundo o testemunho dos Evangelhos Sinópticos e o seu simbolismo. É um número que encontra muitas e significativas ressonâncias na simbologia de toda a história de Israel como Povo a caminho: 40 dias do dilúvio; 40 dias e noites de Moisés no Sinai; 40 dias que Elias caminha para o Horeb; 40 anos do Povo no Deserto; 40 dias em que Jonas pregou a penitência em Nínive.
É assim que ela se assume como um tempo especial em que a Comunidade Cristã, toda a Igreja, está chamada a este exercício de preparação para a Páscoa que tem, antes de mais, um carácter de verdadeira renovação espiritual (renascer...). Tradicionalmente insiste-se na trilogia oração, esmola e jejum mas sempre com o cuidado de não resumir este tempo a um tempo em que “se dizem mais umas orações”, um tempo em que se dão “mais umas esmolas”, ou um tempo em que, esforçada mas rancorosamente “se come menos um pouco”.

Vivências de Quaresma hoje
O sentido da Quaresma hoje está expresso e patente nos nº 109 e 110 da já citada Sacrossantum Concilium, a Constituição do Concílio Vaticano II sobre a Liturgia. Aí se recorda o seu sentido baptismal e penitencial, mas insiste-se também na escuta mais assídua da Palavra de Deus, e na maior dedicação à Oração:
- recuperação dos elementos baptismais (renuncio... credo...) (Cf. Ritual Baptismo)
- sentido pessoal e social do pecado (109 e 110 da SC insiste no jejum penitencial externo e interior)
Nesses mesmo números do mesmo Documento se reflecte também a teologia e espiritualidade da Quaresma
a) O mistério de Cristo na Quaresma: Jesus Cristo que se encaminha para Jerusalém (realização do Mistério pascal). Quaresma é celebração existencial deste doloroso mas luminoso caminho:
- O Protagonista é Cristo: vide textos do Ciclo A dominical: Jesus retira-se para o deserto para orar e jejuar, transfigura-se na montanha, encontra a Samaritana, cura o cego de nascença, chora a morte de Lázaro e ressuscita-o.
- O Modelo: Cristo que se retira ao deserto e com Jejum e oração vence o diabo com a Palavra de Deus
- O Mestre é Cristo (mestre das atitudes que nos chama a viver particularmente a partir da liturgia da Palavra dos dias feriais...)

b) O Mistério da Igreja na Quaresma (tempo baptismal e de conversão):
- Um caminho de fé mais consciente (a dimensão baptismal deste tempo convida-nos a reviver com intensidade a dimensão baptismal – sim creio em Deus… Jesus … Espírito … Igreja … ).
- Escuta mais atenta da Palavra: o caminho de fé que somos chamados a fazer não pode ser feito sem a referência à Palavra de Deus (é Palavra de Deus, não é uma palavra qualquer).
- Oração mais intensa: a partir do encontro personalizado com Jesus na Palavra, personalizar também mais a oração (fazê-la mais pessoal e personalizante, estruturante da personalidade)...

c) Imagens e “símbolos” fortes da Quaresma:
- Cristo
- Samaritana que encontra a felicidade
- Cego que vê a luz
- Lázaro que, pelo poder de Cristo, experimenta a vida...


d) Espiritualidade:
- dimensão trinitária: estamos no caminho de Jesus de regresso ao Pai, na força do Espírito
- em Igreja: somos irmãos, todos salvos...
- na antropologia do homem novo em Cristo: Samaritana, cego, Lázaro.

Quaresma é o grande retiro da Igreja que se prepara para a vivência do mistério da vida em plenitude. Somos baptizados, transformados pelo Espírito e pelo Amor de Deus. E isso é, em nós, fonte de renovação interior permanente. É preciso aproveitar este tempo, de facto, como tempo favorável! Hoje não preparamos o nosso baptismo, mas tomamos mais consciência das suas potencialidades quanto à realização plena da nossa identidade cristã.

P. Emanuel Matos Silva

sexta-feira, fevereiro 02, 2007



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Quero que me abraces sem me asfixiar
- em torno do referendo ao aborto -



Cativar é criar laços
Não há consciência de nós que não seja, ao mesmo tempo, consciência de um mundo habitado por outros. A consciência de nós aprofunda-se e experimenta-se na relação e no encontro com os outros. E os outros são irredutíveis, não existem apenas porque eu os pense. Existem por si, são diferentes, personalidades e características diferentes das minhas que fazem da abertura e da relação a aventura do crescimento. A célebre afirmação de que “inferno são os outros” só é verdade quando nós somos o nosso próprio inferno.
«O que quer dizer “cativar”?» é a grande interrogação do principezinho no seu diálogo com a raposa. Vale a pena ler novamente a história. É que a raposa vai explicando que «Cativar é criar laços … se me cativares precisaremos um do outro».
De facto, enquanto o principezinho metabolizava a sua dor (quase com pena de si mesmo) apareceu a raposa. Momentos antes o encontro com a flor não tinha corrido bem. A flor brincara vaidosamente fazendo tudo para se manter no meio da cena: uma espécie de jogo de sedução destinado a paralisar o admirador. E o pequeno príncipe, preso no jogo da flor, não se dava conta de si mesmo nem percebeu o que dissimulava tamanha simpatia. Amavam-se, pode concluir-se, mas nunca foram capazes de o dizer (José Gil, A profundidade e a superfície). E porque não encontraram as linguagens próprias o amor falhou. A flor usa a linguagem da astúcia enquanto o principezinho usa uma linguagem simples e directa. Não sendo realizáveis os desejos da flor, o principezinho está destinado a partir, a crescer. E é nessa procura de si mesmo por parte do principezinho que a raposa é um instrumento que possibilita uma experiência fundamental: criar laços, fazer de cada um para o outro alguém que é “único no mundo”. O aborrecimento desaparece da vida da raposa e o principezinho já não se sente estranho. Tornaram-se “únicos no mundo” um para o outro. Por isso a raposa conclui: “Tornaste-te responsável pelo que cativaste! És responsável pela tua rosa” (A. Saint-Exupéry, O Principezinho, 74). Diz-nos a mesma história que, pouco a pouco, cada um se começou a sentir responsável pelo outro e, ao mesmo tempo, a ver a vida própria com outros olhos.
Trata-se do mesmo sentir que Vergílio Ferreira afirma quando diz que «A pessoa que somos, e que parece evidente, aprende-se devagar. Quantas pessoas te amaram? E quantas pessoas amaste? O afecto é a melhor maneira de saberes o tamanho da tua vida. Ou seja, do até onde exististe. Haverá outro limite para saberes se valeu a pena?» (V. Ferreira, Pensar, 481. 471).


Quantas pessoas amaste?
Sem demagogias balofas e sendo sensível às imensas e inúmeras situações, por vezes dramáticas, a que uma mulher que se decide pelo aborto está sujeita (abandono, pressões várias, medos, falta de condições, etc, etc) gostava, neste contexto, de afirmar sensível e rigorosamente o direito à vida já existente e de, afirmar igualmente a não existência de direito sobre a vida do outro por mais embrionária que seja.
Não querendo passar por cima das dificuldades inerentes às razões que conduzem muitas mulheres a recorrer ao aborto, como se de coisas sem valor se tratasse, quero, no entanto, referir cada um desses aspectos como sendo de grandeza completamente diferente daquela que tem o valor da vida. A vida está antes como princípio, valor e fundamento, está durante como referência fundamental e experiência, e está depois como objectivo e finalidade de tudo. Tudo passa, só a vida permanece (quando permanece). E, na linha da igualdade dos direitos humanos, eu não posso tirar a ninguém algo que não tenho a capacidade de voltar a dar-lhe.
Contextualizar e reflectir esta questão no horizonte do amor e do afecto que, como diz V. Ferreira, mede o tamanho da nossa vida não é relegá-la para a utopia do irrealizável e falacioso. É colocá-la naquele horizonte das nossas vidas onde se decidem os rumos do viver, onde os desafios se fazem projectos, onde o ideal não é o abstracto mas aquilo que sempre nos segreda interiormente que é preciso continuar a educar. Não estamos sempre nós em desenvolvimento?! Se não acredito naquilo de que o homem é capaz quando se compromete gratuitamente como posso continuar a acreditar no homem?! E não estão sempre na base de qualquer Constituição de qualquer país um conjunto de valores que, embora difíceis, são os orientadores e os referentes de cada acção, de cada projecto?!
Para nós cristãos, todo o ser humano, e portanto também o embrião e o feto, possui o direito à vida imediatamente de Deus e, por isso, não existe autoridade humana que possa arrogar-se o direito de decidir sobre a vida de outro alguém. A afirmação do Decálogo “Não matarás” não é um passivo paliativo de consciência. É sempre entendido e levado à plenitude na experiência do amor fraterno. E, nesse sentido, todas as normas, todos os actos morais, todas as atitudes de vida estão, portanto referenciadas à opção fundamental perante um valor. Uma norma não vale por si mesma, mas expressa o valor e vale por isso em ordem ao comportamento. Positivas, motivadoras, abertas, orientadoras … eis como se deveriam apresentar as normas. São sempre instrumentais. Uma norma que permita arbitrariamente a destruição da vida humana é, no presente e em potência, um atropelo civilizacional, uma contradição dos valores éticos de cidadania que, embora nem sempre alcançados, construímos durante séculos. Ao aceitar – como norma, contexto ético e ambiente educativo – que se violem os direitos do mais fraco (“Eis o Homem” no dizer de Michel Serres citando o Evangelho de João), aceitar-se-á e colaborar-se-á, inequivocamente, que o direito da força se afirme sobre a força do direito.
O texto de um Assistente de Direito da Faculdade de Direito de Lisboa que recebi hoje por e-mail e que cito, afirma que «pouco se tem falado da solução da lei alemã como uma tentativa de resolver aquele aparente paradoxo ("como não punir a mulher, em muitos casos dramáticos, sem transformar o aborto num direito?", "como despenalizar sem liberalizar?"). O ponto principal dessa legislação, que a torna original no quadro europeu, consiste na existência de um mecanismo de aconselhamento e ajuda (que não é um mero aconselhamento informativo mas um aconselhamento orientado para a salvaguarda da vida e que visa dissuadir a mulher de praticar o aborto), definido, na própria lei (S. 219, nº 1, Código Penal Alemão), nos seguintes termos: " O aconselhamento serve a protecção da vida que está por nascer. Deve orientar‑se pelo esforço de encorajar a mulher a prosseguir a gravidez e de lhe abrir perspectivas para uma vida com a criança. Deve ajudá‑la a tomar uma decisão responsável e em consciência. A mulher deve ter a consciência de que o feto, em cada uma das fases de gravidez, também tem o direito próprio à vida e que, por isso, de acordo com o sistema legal, uma interrupção da gravidez apenas pode ser considerada em situações de excepção, quando a mulher fica sujeita a um sacrifício que pelo nascimento da criança é agravado e se torna tão pesado e extraordinário que ultrapassa o limite do que se lhe pode exigir ".
A lei alemã afasta-se, assim, do puro modelo do "aborto a pedido" (modelo da proposta em referendo), assumindo antes que, normalmente, será exigível à mulher o cumprimento do dever de levar a sua gravidez até ao fim, até ao nascimento do bébé. Normalmente, ser-lhe-á exigível cumprir o maravilhoso mas exigente fardo de levar a gravidez a termo.
Em contrapartida, é afirmada, por sua vez, a responsabilidade do Estado (e o mesmo se diga, aliás, da Sociedade em geral, das empresas, das famílias, etc) em criar as condições, em todos os domínios, que auxiliem a mulher a cumprir essa exigência.
Para além disso, no modelo da lei alemã, o aborto, mesmo nos casos em que, depois de realizado aquele aconselhamento dissuasor, é considerado não punível, sempre continua a ser tratado, para todos os efeitos jurídicos, como um acto ilícito (nomeadamente, para efeitos de não poder, assim, ser comparticipado pela Segurança Social, etc). Ou seja, o aborto continua a ser, nesses casos, ilegítimo, mas não punível.
Não sendo o ideal de modelo pode abrir perspectivas para um modelo de ajuda e aconselhamento dissuasor que não terminasse com uma decisão autónoma da mulher em quem, nesse momento, as condições de liberdade e autonomia até podem nem ser uma realidade por força das circunstâncias.



Santos pós-modernos pela vida
A cidadania é hoje um conceito e uma realidade bem complexas. Apela à participação, age na esfera da liberdade, pressupõe uma perspectiva participada da cultura, reenvia permanentemente aos valores e integra, no respeito mútuo e recíproco, imensas diferenças e múltiplas perspectivas. E como dinamismo fundamental acredita naquilo que alguém definiu como “somos todos pessoas a haver”. É uma cidadania que tende a incluir as diferenças para não se afirmar como exclusão.
Evidentemente que, nas sociedades actuais, o conceito de cidadania sendo valor comum nem por isso é simples de afirmar e colocar em curso. Não sendo fácil no mundo de hoje encontrar e definir uma base comum de valores éticos que sejam do acordo total, percebe-se ao mesmo tempo a impossibilidade da cidadania sem um referencial mínimo de valores. O único valor que parece não oferecer dúvidas é o da liberdade. Mas mesmo esse reenvia sempre para o encontro com o outro que é irredutível e nunca instrumentalizável. Confira-se a Declaração Universal dos Direitos do Homem onde a vida é afirmada como pertencendo ao homem por natureza, que o Estado reconhece, mas não confere. Um direito que pertence a todos os homens enquanto seres humanos. Após a experiência dura e desumana da II Grande Guerra, entende-se que a vida não é algo de que se possa dispor arbitrariamente. Violar esse direito contradiz o ideal democrático.
O não reconhecimento do direito à vida, a incapacidade de promover a salvaguarda da vida do embrião e do feto, a neutralidade cómoda são expressões de um neo-conservadorismo emergente que tenta legalizar o que não se sabe enfrentar ou mesmo resolver.
Os valores da participação, do associativismo, da gratuidade do voluntariado, da pessoa que está permanentemente a fazer-se, dos desafios de realização tão presentes na defesa e difusão da ideia de cidadania não exigirão coerentemente que se acredite na capacidade e na possibilidade de educar para o valor da vida?! Como posso coerentemente afirmar as necessidades das atitudes de solidariedade humana, de respeito recíproco, de participação comunitária se todos esses valores ficarem fechados em si mesmos e não ajudarem o homem a transcentrar-se para se encontrar de verdade com os outros e o mundo percebendo a vida como o fundamento?! Seria possível descriminalizar sem legalizar. E as mulheres seriam ajudadas. Certamente daria muito trabalho, pediria muita liberdade, exigiria muito amor. O tal pelo qual se mede a nossa vida. Aqui a Igreja marca pontos. Porque dá o que tem: a alegria de amar. É por isso que vale mais optimizar todas as coisas do que ser apenas optimista.



P. Emanuel Matos Silva

quarta-feira, janeiro 31, 2007




Estivemos
na Beirã e em Castelo de Vide
com os
Cónº Trasício e o Pe. Luís


Actividades em Fevereiro 2007
*****************************

- 17 – Encontro "Laboratórios da fé"
(Casa Paroquial de Arez, Nisa, das 17h00 às 18h30)

- Vigília de Oração (21h30: Igreja do Calvário, Nisa)

- 18 - Actividades em Paróquias

- 21 a 25 - Retiro dos Seminaristas

quarta-feira, janeiro 10, 2007



Janeiro 2007
Programa SDPVocações
  • 6 (Sábado) – Vigília de Oração pelas Vocações (21h30: Igreja do Calvário, Nisa)
  • 13 (Sábado) – Encontro Sta. Teresa (encontro sobre a Vida Religiosa – das 20h00 às 21h30: Casa Paroquial de Arez, Nisa)
  • 14 (Domingo): Participação nas Eucaristias de Chainça, Abrantes e Alferrarede (10h00, 11h00 e 12h15);
  • 20 (Sábado) – Laboratórios da fé (encontro para aprofundamento da fé em horizonte vocacional – das 18h00 às 19h30: Casa Paroquial de Arez, Nisa)
  • 27 (Sábado) – Encontro João Paulo II (encontro sobre a especificidade da vocação sacerdotal e a identidade do padre na Igreja – 20h00 às 21h30: Casa Paroquial de Arez, Nisa)


quinta-feira, dezembro 28, 2006

Natal


Um conto de MIGUEL TORGA


De sacola e bordão, o velho Garrinchas fazia os possí­veis par se aproximar da terra. A necessidade levara-o lon­ge de mais. Pedir é um triste ofício, e pedir em Lourosa, pior. Ninguém dá nada. Tenha paciência, Deus o favore­ça, hoje não pode ser - e beba um desgraçado água dos ribeiros e coma pedras! Por isso, que remédio senão alargar os horizontes, e estender a mão à caridade de gente desco­nhecida, que ao menos se envergonhasse de negar uma cô­dea a um homem a meio do padre-nosso. Sim, rezava quando batia a qualquer porta. Gostavam... Lá se tinha fé na oração, isso era outra conversa. As boas acções é que nos salvam. Não se entra no céu com ladainhas, tirassem daí o sentido. A coisa fia mais fino! Mas, enfim... Segue-se que só dando ao canelo por muito largo conseguia viver.
E ali vinha de mais uma dessas romarias, bem escusa­das se o mundo fosse doutra maneira. Muito embora trou­xesse dez réis no bolso e o bornal cheio, o certo é que já lhe custava arrastar as pernas. Derreadinho! Podia, realmente, ter ficado em Loivos. Dormia, e no dia seguinte, de ma­nhãzinha, punha-se a caminho. Mas quê! Metera-se-lhe em cabeça consoar à manjedoira nativa... E a verdade é que nem casa nem família o esperavam. Todo o calor possível seria o do forno do povo, permanentemente escancarado à pobreza. Em todo o caso sempre era passar a noite santa debaixo de telhas conhecidas, na modorra dum borralho de estevas e giestas familiares, a respirar o perfume a pão fresco da última cozedura... Essa regalia ao menos dava-a Lourosa aos desamparados. Encher-Ihes a barriga, não. Agora albergar o corpo e matar o sono naquele santuário colectivo da fome, podiam. O problema estava em chegar lá. O raio da serra nunca mais acabava, e sentia-se cansa­do. Setenta e cinco anos, parecendo que não, é um grande carrego. Ainda por cima atrasara-se na jornada em Feitais. Dera uma volta ao lugarejo, as bichas pegaram, a coisa co­meçou a render, e esqueceu-se das horas. Quando foi a dar conta, passava das quatro. E, como anoitecia cedo, não ha­via outro remédio senão ir agora a mata-cavalos, a correr contra o tempo e contra a idade:, com o coração a refilar. Aflito, batia-Ihe na taipa do peito, a pedir misericórdia. Ti­vesse paciência. O remédio era andar para diante. E o pior de tudo é que começava a nevar! Pela amostra, parecia coi­sa ligeira. Mas vamos ao caso que pegasse a valer? Bem, um pobre já está acostumado a quantas tropelias a sorte quer. Ele então, se fosse a queixar-se! Cada desconsideração do destino! Valia-Ihe o bom feitio. Viesse o que viesse, recebia tudo com a mesma cara. Aborrecer-se para quê?! Não lu­crava nada! Chamavam-lhe fiIósofo ... Areias, queriam di­zer. Importava-Ihe lá.
E caía, o algodão em rama! Caía, sim senhor! Bonito! Felizmente que a Senhora dos Prazeres ficava perto. Se a brincadeira continuasse, olha, dormia no cabido! O que é, sendo assim, adeus noite de Natal em Lourosa...
Apressou mais o passo, fez ouvidos de mercador à fadi­ga, e foi rompendo a chuva de pétalas. Rico panorama!
Com patorras de elefante e branco como um moleiro, ao cabo de meia hora de caminho chegou ao adro da ermi­da. À volta não se enxergava um palmo sequer de chão des­coberto. Caiados, os penedos lembravam penitentes.
Não havia que ver: nem pensar noutro pouso. E dar graças!
Entrou no alpendre, encostou o pau à parede, arreou o alforge, sacudiu-se, e só então reparou que a porta da ca­pela estava apenas encostada. Ou fora esquecimento, ou al­guma alma pecadora forçara a fechadura.
Vá lá! Do mal o menos. Em caso de necessidade, podia entrar e abrigar-se dentro. Assunto a resolver na ocasião de­vida... Para já, a fogueira que ia fazer tinha de ser cá fora. O diabo era arranjar lenha.
Saiu, apanhou um braçado de urgueiras, voltou, e ten­tou acendê-Ias. Mas estavam verdes e húmidas, e o lume, depois dum clarão animador, apagou-se. Recomeçou três vezes, e três vezes o mesmo insucesso. Mau! Gastar os fós­foros todos, é que não.
Num começo de angústia, porque o ar da montanha to­lhia e começava a escurecer, lembrou-se de ir à sacristia ver se encontrava um bocado de papel.
Descobriu, realmente, um jornal a forrar um gavetão, e já mais sossegado, e também agradecido ao Céu por aque­la ajuda, olhou o altar.
Quase invisível na penumbra, com o divino Filho ao colo, a Mãe de Deus parecia sorrir-lhe.
- Boas festas! - desejou-lhe então, a sorrir também.
Contente daquela palavra que lhe saíra da boca sem sa­ber como, voltou-se e deu com o andor da procissão arru­mado a um canto. E teve outra ideia. Era um abuso, evi­dentemente, mas paciência. Lá morrer de frio, isso vírgula! Ia escavacar o arcanho. Olarila! Na altura da romaria que arranjassem um novo.
Daí a pouco, envolvido pela negrura da noite, o cober­to, não desfazendo, desafiava qualquer lareira afortunada. A madeira seca do palanquim ardia que regalava; só de se cheirar o naco de presunto que recebera em Carvas crescia água na boca; que mais faltava?
Enxuto e quente, o Garrinchas dispôs-se então a cear. Tirou a navalha do bolso, cortou um pedaço de broa e uma fatia de febra, e sentou-se. Mas antes da primeira bocada a alma deu-lhe um rebate e, por descargo de consciência, er­gueu-se e chegou-se à entrada da capela. O clarão do lume batia em cheio na talha dourada e enchia depois a casa toda.
- É servida?
A Santa pareceu sorrir-lhe outra vez, e o menino tam­bém.
E o Garrinchas, diante daquele acolhimento cada vez mais cordial, não esteve com meias medidas: entrou, diri­giu-se ao altar, pegou na imagem e trouxe-a para junto da fogueira.
- Consoamos aqui os três - disse, com a pureza e a ironia dum patriarca. - A Senhora faz de quem é; o pe­queno a mesma coisa; e eu, embora indigno, faço de São José.


« O Cristianismo vive do que poderíamos chamar um fundamental optimismo metafísico ao mesmo tempo que de um realismo histórico. O primeiro funda-se na fé, na criação, no Deus que fez surgir toda a realidade, que declarou muito bom tudo quanto tinha feito e que constituiu o homem senhor de tudo o resto e responsável de si, imagem do seu próprio ser, e com capacidade de chegar a ser semelhante a Ele, com uma semelhança que será fruto de uma liberdade acreditada no tempo. No princípio estão a vida, a liberdade e a história aberta. No princípio estão a palavra criadora de Deus, a acção animadora e sustentadora do espírito sobre a face informe do mundo. No princípio não está a morte, nem o pecado, nem a confusão da liberdade na incomunicação dos homens entre si *.

O. Qonzález de Cardedal


«O homem só existe como pessoa, e, por isso, não em elevada distância, fechada solidão ou afrontamento indiferente, mas em abertura e relação.
O que diferencia as coisas das pessoas é que aquelas são e estão condenadas à autonomia, quer dizer, à incomunicação e solidão, enquanto as pessoas estão destinadas à relação, à existência interdependente, a uma liberdade que não nasce face ou contra o próximo, mas da aceitação, oferta e acolhimento do outro, igualmente livre e soberano »

O. Qonzález de Cardedal




Jesus

Era uma história de amor …
(Portanto uma história de dor!
De sofrimento e de gemidos!
De silêncio e de esquecimento!
E de procura e de perda
De imolação e de perdão,
De agonia e de morte!)
Era uma história de amor.

J. A. Carmenes

quarta-feira, dezembro 27, 2006




« Os homens, no começo, sentiram alguma dificuldade em acostumar-se a Deus. Deus, no começo, sentiu alguma dificuldade em acostumar-se aos homens. E no século treze ainda se está no começo. No século vinte não estamos mais longe, não fizemos outra coisa senão marcar passo, atolando-nos um pouco mais nesse furor em espelho de Deus e dos homens, conforme nos dão testemunho a poeira dos nossos sapatos e o sangue em crosta nos nossos lindos fatos.
Francisco de Assis conhece Isaías […] conhece bem a Bíblia […] A voz de Deus está na Bíblia sob toneladas de tinta, como a energia concentrada sob toneladas de betão numa central atómica. O jovem de Assis foi irradiado por esta voz. Já nada mais quer senão transmiti-la […].

Há algo no mundo que resiste ao mundo, e este algo não se acha nas igrejas nem nas culturas nem no pensamento que os homens têm de si próprios, na crença mortífera que eles têm de si próprios enquanto seres sérios, adultos, razoáveis, e este algo não é uma coisa, mas Deus, e Deus não pode caber em nada sem logo o abalar, o arrasar, e Deus imenso não sabe caber senão nos estribilhos de infância, no sangue perdido dos pobres ou na voz dos simples, e todos esses abarcam Deus no côncavo das suas mãos abertas, um pardal encharcado como pão pela chuva, um pardal transido, chilreador, um Deus pipilante que vem comer nas suas mãos nuas.
Deus é o que sabem as crianças, não os adultos. Um adulto não pode perder tempo a alimentar os pardais».

Christian BOBIN, Um Deus à flor da Terra, 98

sexta-feira, dezembro 22, 2006



Natal

- da noite para o dia -


As luzes do Natal

Quando os dias se fazem mais curtos, quando os primeiros sinais de Inverno se fazem presentes, timidamente, silenciosamente despertam em nós os primeiros sentimentos e pensamentos de Natal. E desta simples palavra “Natal” brotam sentimentos tão numerosos e tão diferentes que, parece, nenhum coração humano lhe resiste.
Mesmo aqueles para quem a história da Criança que nasce em Belém não diz nada se prepararam para a festa e se interrogam sobre a forma como, nesta quadra, fazer acontecer o amor ao seu redor. Festa do amor e da alegria, o Natal é assim uma espécie de estrela de Inverno para a qual todos caminham e da qual todos partem.
Mas que estrela é essa? O que ilumina ela? E que representa?
Podíamos tentar aqui uma espécie de brincadeira. Imaginemos que neste momento todas as luzes se apagavam e que tínhamos de dizer quantas e quais a coisas que se encontravam na sala onde nos encontrássemos. Ou lembremo-nos do nosso levantar todos os dias pela manhã: qual é a primeira coisa que vemos? E porquê? Uns vêm o despertador (olhando … “vê-se” o tempo diante de nós); outros vêem a pessoa amada (olham e “vêem” o amor); outros vêm um qualquer objecto que tenham junto de si (o olhar marca uma proximidade), etc. Em qualquer caso o olhar que se detém em algo ou em alguém (uma realidade física) reenvia para algo não-físico (tempo, amor, fidelidade, compromisso).


Natal não é apenas um aniversário

Por tudo isto, o Natal não é apenas um aniversário. É sempre um acontecimento novo. É um nascimento. Aliás, nós somos sempre passado, presente e futuro. Ou, como dizia Sto Agostinho, somos o presente do passado e isso é a memória; somos o presente do presente, e isso é a visão; e somos o presente do futuro e isso é a esperança[1].
Natal é uma aparição de Deus entre os homens; é sim o nascimento de uma criança que só Deus podia dar ao mundo, uma criança nascida de uma mulher. Mas que vem de Deus e que vai ser no mundo a “narrativa” e a “explicação” de Deus
[2].
Então este nascimento não é uma metáfora; é sim uma realidade histórica que permanecerá como sinal. Um nascimento que é um sinal porque contém em si tudo aquilo que mais desejamos mas que precisa ser tocado por nós. É como que uma semente que só floresce em contacto com a atmosfera das nossas vidas. É por isso que o Natal não é um aniversário de algo passado e que tenha ficado preso nesse passado. Não! Natal é hoje!
“Hoje nasceu o nosso Salvador” diz s. Lucas. Dizer “Hoje nasceu” é um daqueles casos em que a nossa linguagem não se reduz a um comentário ao que acontece ou ao que fazemos, mas é sim um acção verdadeira. A linguagem do amor é sempre assim, a linguagem existencial é sempre assim.
Na nossa vida o presente (“Hoje”) tem, de facto, um valor imenso, fundamental e particular porque é o horizonte que nos permite tocar a vida na sua maior autenticidade e realidade. É o horizonte que nos permite relacionar a vida ao Bem, à Verdade que nos transcende, à Presença que nos alimenta.
Esta é uma daquelas dimensões da vida em que não dizemos o que fazemos (o tal comentário), mas antes fazemos o que dizemos. Ao dizermos estamos a permitir que se produzam efectivamente em nós os sentimentos que expressamos: uma verdadeira sintonia com o fundamento da realidade. Por isso cada momento é sempre o mesmo e é sempre novo.

Um povo que andava nas trevas viu uma luz

Os textos bíblicos de Isaías referem-se, profeticamente, ao Natal desta forma: O povo que andava nas trevas viu uma grande luz. Para aqueles que habitavam no país das trevas uma luz começou a brilhar (Is 9, 1).
O texto tem, evidentemente, um contexto histórico próprio e objectivo: o povo de Israel experimentou a deportação e o exílio, mas não se rendeu à desgraça, alimentou a esperança. Este é, contudo, um texto profético que continua a profetizar. Podemos ler este texto através do “Hoje” que transforma em “eterno presente” o seu dinamismo interno e a verdade que diz.
Biblicamente, as trevas são sempre sinal de desgraça, de opressão, de cativeiro ou mesmo de morte. Em sentido inverso a luz é sempre sinal de libertação, salvação, visão clara, conhecimento, discernimento, enfim sinal de verdade e de autenticidade.
Lido em retrospectiva este texto diz respeito à libertação de Israel do cativeiro da Babilónio, mas diz também respeito à esperança de uma felicidade mais profunda por parte de Israel. Qual foi a luz que Israel viu? A liberdade, sem dúvida. Mas também a sua esperança mais profunda realizada: “Encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoira” (Lc 2, 12) diz o Evangelho de Lucas. E é aqui que se vislumbra o sinal do Natal, a sua luz.
O sinal dado aos pastores naquela noite é um sinal extremamente simples, um sinal extremamente pobre. É um sinal que pertence à humanidade simples: uma criança nasce, mas na simplicidade e pobreza de um estábulo; uma criança nasce mas vê negada a hospitalidade.
Eis o sinal, a luz do natal. Tudo está aqui condensado. É uma criança pobre, uma criança simples que nasce: o Senhor e salvador, o Messias aguardado, é uma criança pobre, filho de pobres, nascido na pobreza
[3]. A Luz mais brilhante do Natal é, portanto, esta relação entre a pobreza e a glória, a relação entre a simplicidade e a glória. Como quem diz que a primeira e grande nota da solenidade é a sua simplicidade, a sua autenticidade, a sua verdade.
O início de uma vida de homem sobre a terra: é, talvez, esta simplicidade a razão da universalidade da mensagem do Natal: esta criança viverá a maior parte da sua vida no meio dos homens do seu tempo; passará pelo mundo fazendo o bem ; realizando sinais ligados às necessidades dos homens, realiza a relação e comunhão dos homens com Deus e dos homens entre si: pão e vinho multiplicados, saúde reecontrada, natureza e homem reconciliados, fraternidade restabelecida, a vida e o amor reafirmados como mais fortes que a morte.
E será a vivência quotidiana de tudo isto que fará com que seja reconhecido como Filho de Deus.


Vida entregue a Cristo: da noite para o dia

“Hoje nasceu o nosso Salvador”. O “Hoje” do nosso Natal é, portanto, o hoje deste encontro entre cada um de nós e a verdade desta criança. Nós não celebramos hoje Natal como há dois mil anos. Celebramo-lo com a Criança já inteiramente revelada. O Natal faz apelo a toda a vida, a todas as palavras de Jesus Cristo, a todas as suas acções, a todos os seus gestos. E o “Hoje” do Natal é o momento do encontro com essa simplicidade da verdade e da autenticidade.
Como a vida da humanidade seria diferente se a simplicidade do Natal se expandisse pelas vidas de todos e cada um. Simplicidade que significa descomplicar a vida do dia a dia; simplicidade que significa aquela nossa fome natural de sentido, de segurança e de afecto; simplicidade que significa autenticidade sem representações.
O “Hoje” do Natal é trazer á nossa vida cada modo de agir, cada modo de pensar, cada modo de resolver a vida que Jesus assumiu. De facto, o que seria a nossa vida e a vida de toda a humanidade, as nossas relações, os nossos confrontos, se lhes conseguíssemos juntar aquele amor que dá tudo e se entrega todo que vimos acontecer em Jesus de Nazaré?! E se lhe copiássemos essa forma livre e autêntica de ser e de estar?!
As luzes do nosso Natal são a expressão da ânsia dessa luminosidade. São símbolos dos desejos interiores que ainda não conseguimos realizar. Queremos estar iluminados por dentro e para não nos esquecermos acendemos as luzes fora como que a dizer-nos: que bom será o mundo quando for Natal! De facto, aquela criança fez-se homem para nos ensinar a viver no mundo (Tt 2, 11 – 12).
No hemisfério norte os símbolos naturais são extremamente forte neste período. E os primeiros cristãos integraram-nos na sua vivência. Todos os anos os cristãos, como todos os seus concidadãos, reparavam que a partir do equinócio do Outono se acentuava progressivamente o declínio da luz: as noites são cada vez maiores e os dias cada vez mais pequenos. No momento do solstício de Inverno a situação inverte-se e a luz do dia começa a conquistar tempo sobre a noite: os dias começam a crescer e as noites a ficar mais pequenas. No calendário juliano, o solstício de Inverno acontecia por 25 de Dezembro. E os cristãos começaram a celebrar aí Natal: Jesus, cada Palavra sua, cada gesto seu, cada acção sua é a Luz, o novo Sol da justiça e da verdade: por causa daquela criança e existencialmente, a luz afirma-se sobre a escuridão, efectiva-se uma passagem das trevas para a luz, uma passagem, enfim, da noite para o dia! E é isso o Natal: da noite para o dia!

P. Emanuel Matos Silva

[1] SANTO AGOSTINHO, Confissões XI, 21, 26.
[2] Cf. Enzo BIANCHI, Donner sens au temps (Paris: Bayard, s/d) 19.
[3] Cf. Enzo BIANCHI, op. cit.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Rezar pelas Vocações

- a gratidão do Seminário –


“Tu amas-Me?” pergunta Jesus
Decorreu de 12 a 19 de Novembro a Semana dos Seminários. Foi uma semana em que a Igreja foi desafiada a lembrar mais intensamente na oração os Seminários, seus Seminaristas e formadores. Tendo como tema de reflexão a interrogação de Jesus a Pedro (“Tu amas-Me?”) e a consequente missão em que Jesus investe Pedro (“Apascenta as minhas ovelhas”), esta semana foi, de facto, uma ocasião para sentir como Jesus Se prolonga e faz presente na Igreja, na Palavra e no Sacramento e, por isso, necessita de homens baptizados que, deixando-se apaixonar por Jesus Cristo, Lhe respondam como Pedro (“Tu sabes que Te amo”) e se deixem enviar para evangelizar.
A Luz dos Povos é Cristo, mas a Igreja é o seu Sinal ou Sacramento. É precisamente esta sacramentalidade da Igreja que necessita de ministros para agir. A Igreja é Corpo de Cristo e neste Corpo cada cristão, cada baptizado, tem um lugar, uma vocação e uma missão que se pode resumir na permanente proximidade em relação a Jesus e aos irmãos bem como no testemunho do seu sentido de vida. Mas para que todos os cristãos possam realizar a sua vocação e missão, Jesus fez-Se continuar nos Apóstolos e, depois, seus sucessores. A vocação do Bispo na Igreja e, enquanto seus colaboradores, a vocação dos padres, tem este fundamento e razão de ser: é um serviço ao baptismo (à fé, portanto) de todos os cristãos. São eles, no seguimento de Jesus e unidos a Jesus Vivo e presente, que têm como missão fazer crescer na fé todos os outros cristãos. Consagram-se para isso e toda a sua vida, afectiva e institucionalmente, é referida a essa missão: ensinar, santificar, conduzir.
Uma vocação assim – de verdade - só pode brotar de um encontro pessoal com Jesus no meio e na vida da Igreja. Não é um dom para usar e usufruir apenas pessoalmente, é um dom à comunidade. Por isso as vocações de consagração, o sacerdócio em particular, hão-de nascer na comunidade e da experiência da fé vivida comunitariamente. E aí Deus chama gratuitamente e às vezes inesperadamente, mas também chama pelas necessidades que a comunidade sente em termos do cuidado da sua fé. Vigilância cristã é, sobretudo, uma atitude de disponibilidade às manifestações de Deus e ao que Ele inspira. É então precisamente aqui que entra o dinamismo da oração. Deus só se entende bem na oração. Só rezando se percebe bem o que Deus quer de nós e o que Deus quer da nossa Igreja. A vocação é mistério da mais profunda autenticidade e a oração é a relação por excelência onde se aprende e se caminha para a autenticidade. Já tentaram rezar uma mentira? Nunca funciona pois não? Não, de facto, não funciona. Então a oração ajuda a descobrir a vocação e as vocações. A oração ajuda a não ter medo de responder pessoalmente ao Mestre que chama e quando chama.
Rezando pelas vocações, e pelos Seminários em particular, é a própria comunidade cristã que sente e se consciencializa de que o Seminário é parte integrante de si mesma: é a continuação do grupo que Jesus estabeleceu com os doze para os ensinar e, depois, os enviar. Só rezando a Igreja compreende e valoriza o seu Seminário.


Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes
O Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações (formado em grande parte pelos nossos Seminaristas mais velhos) tem promovido, desde o início deste ano pastoral, a oração pelas vocações. É esse, aliás, o grande pedido que tem feito nas comunidades paroquiais por onde tem passado: que se reze pelas vocações e, em particular, pelos seminaristas.
Em qualquer contexto se pode rezar pelas vocações e lembrar ao Senhor os nossos Seminaristas: nas Eucaristias das comunidades, nas celebrações da Palavra, no Terço, na Liturgia das Horas, nas adorações do Santíssimo Sacramento, na oração pessoal e comunitária. E é muito importante que isso se faça. Mas este ano, para ajudar, o SDPVocações dinamizou uma cadeia de oração por Sms (mensagem de telemóvel): deixando uma mensagem ou enviando um toque para o 917097173, recebeu-se a partir do primeiro domingo do Advento, uma pequena oração que, mais ou menos à mesma hora, coloca pessoas nos mais variados e distantes locais a rezar em comunhão com a mesma intenção: as vocações, particularmente as sacerdotais, na nossa Diocese. E o desafio foi acolhido e ultrapassou as fronteiras das mensagens de telemóvel: das imensas pessoas que receberam a primeira mensagem, muitas quiseram retribuir e mostrar que estavam presentes. E foram, sem dúvida, momentos fortes de oração de uma Igreja que, nas suas comunidades, se quer voltar para o Senhor. Jovens e adultos fizeram chegar ao SDPVocações e aos Seminaristas a expressão da sua oração.
Uma conclusão se pode tirar já: a Igreja sente a falta das vocações de especial consagração e sabe, confiante, que só junto de Deus as encontrará.

Bem-hajam pela oração
Durante a Semana dos Seminários foram muitas as mensagens que chegaram ao Seminário dando conta de que a Diocese não se esquecia de rezar pelos seus Seminaristas. Comunidades Religiosas, Comunidades Paroquiais, Párocos, Famílias, Jovens e menos Jovens de todos os cantos da Diocese expressaram a sua presença junto dos Seminaristas. A mensagem podia ser comum (“é para vos dizer que nesta Semana dos Seminários a nossa Paróquia de … e o seu Pároco os lembrou em oração e pediu ao Senhor que os faça sempre felizes e santos”) mas cada uma trazia o seu ritmo particular e a sua experiência comunitária de oração. Lembro uma que nos dizia “Nesta Semana dos Seminários o nosso coração está mais perto do Coração da Diocese (Seminário) e lembra na oração cada um dos Seminaristas”. Ou aquela que nos confidenciava “que olhar para o Seminários, para os Sacerdotes e para os Seminaristas sem me querer tornar um deles é um desafio a que não sei se conseguirei resistir muito tempo. Rezem por mim”. Ou aquela outra de alguém que dizia “espero um dia poder juntar-me a vós”.
Enfim, com muitas formas e de muitas maneiras, o Seminário foi objecto do carinho e da oração de tantos e tantos cristãos na nossa Diocese. Sacerdotes que telefonaram, doentes que ofereceram os seus sofrimentos por esta intenção foram ocasiões de perceber o mistério da vocação como um mistério de fé.
E houve uma Paróquia da nossa Diocese que nos surpreendeu de maneira extraordinariamente bela: cada uma das crianças, muitas dezenas, da Catequese Paroquial de Nisa, escreveu uma carta aos Seminaristas. Mensagens de extrema beleza e simplicidade com desenhos dos mais novitos e dizendo que rezavam para que um dia os agora Seminaristas fossem bons padres. Ou então mensagens mais elaboradas com textos de autêntica partilha de sentimentos dos mais velhos a encorajar a opção de seguir Jesus e a pedir aos Seminaristas uma oração.
É por tudo isto e pelo muito que fica por dizer que o Seminário quer agradecer a Deus e aos cristãos da nossa Diocese. Na nossa oração não vos esqueceremos. Sentir-vos perto ajuda o nosso discernimento e credibiliza a nossa experiência. Mas temos ainda um pedido mais: nunca nos esqueçam na vossa oração e desafiem mais gente a que reze pelas vocações e, em particular, pelas vocações sacerdotais. Seguramente Deus ouvir-nos-á e dir-nos-á o que fazer. Sempre o fez. Não era agora que nos faltaria.

P. Emanuel Matos Silva

domingo, novembro 05, 2006





12 a 19 de Novembro de 2006
Semana dos Seminários

Vamos rezar pelos nossos Seminaristas:

  • Leonel de Matos Lopes (Paróquia da Ponte de Sor): 2º ano
  • Nuno Miguel Lopes Silva (Paróquia da Bemposta): 2º ano
  • Gilberto Manuel Antunes Fernandes (Paróquia da Isna): 3º ano
  • Daniel Santos Almeida (paróquia do Salgueiro): 5º ano

_________________________________________________________

Senhor Jesus,
Obrigado pela generosidade de tantos sacerdotes
Que, confiantes no Teu amor,
Te entregaram o coração e a existência.
Obrigado pelos nossos jovens seminaristas
Que, fixando o olhar no Teu, procuram, no mais íntimo das suas vidas
Responder, com verdade,
Ao teu inquietante chamamento.

Senhor Jesus,
Também a mim, como outrora a Pedro,
Tu diriges a pergunta:
“ Tu amas-Me?”.
Concede-me uma fé inabalável no Teu amor,
Para que Te possa responder,
Com verdade e sem reservas,
E a Ti me entregue sem medos ou condições.

Senhor Jesus,
Ajuda-me a amar a Tua Igreja,
Na qual aprendi a conhecer-Te e a amar-te,
Para que, vendo as suas necessidades,
Acolha com confiança o teu pedido:
“Apascenta as minhas ovelhas”.
Que em mim se cumpra o que Tu queres
e não o que eu quero.
Ao teu amor me entrego e consagro a minha vida.

(Oração da Semana dos Seminários 2006)


quinta-feira, outubro 26, 2006



"Quereis saber quão feliz, quão alto e quão digno de ser festejado é o Nascimento de Maria? Vede o para que nasceu. Nasceu para que d’Ela nascesse Deus. (...) Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação; perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança.
Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os discordes, para Senhora da Paz; os desencaminhados, para Senhora da Guia; os cativos, para Senhora do Livramento; os cercados, para Senhora da Vitória. Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; os navegantes, para Senhora da Boa Viagem; os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso; os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte; os pecadores todos, para Senhora da Graça; e todos os seus devotos, para Senhora da Glória.
E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus"



P. António Vieira(Sermão do Nascimento da Mãe de Deus).

terça-feira, outubro 24, 2006






O desafio de parar para reflectir

- Elementos de ajuda para um retiro pessoal -



Em grupo ou individualmente, muitos cristãos tonificam a sua vida espiritual cristã com tempos de retiro ou de recolecção. Acontece em qualquer tempo e sempre que se perceba necessário e útil. Mas, tradicionalmente, o tempo de Quaresma, preparando a celebração do Mistério Pascal, é um dos momentos preferidos.
Existem diversas formas de fazer retiro quanto à duração e dinâmica de realização. Podem ter um dia, um fim de semana, uma semana, um mês. Podem ser realizados em grupo ou individualmente. Podem ter ou não um orientador definido. Normalmente sai-se de casa e procura-se um local que ajude, pelo silêncio e pelo enquadramento, a fazer essa paragem. Mas também há já retiro acompanhados através da Net. Basta escolher o site, definir o retiro pretendido, inscrever-se e, através da Net, podemos ter em casa ou em outro local, e no decorrer dos dias de trabalho, a possibilidade de fazer retiro. O acompanhamento pessoal é, contudo, sempre um elemento importante no retiro e que pode fazer a diferença entre um “bom retiro” ou um “desperdício de tempo”. O importante, contudo, é que sejam momento de paragem e de reconstrução da relação afectiva com Deus. A afectividade é precisamente aquilo que nos liga aos outros, às coisas, aos projectos e ideais, ao próprio Deus. É o que nos faz experimentar sair de nós mesmos e confiar. E é precisamente essa dimensão do nosso ser que é bom fazer parar, reflectir e comprometer de novo. Fazer retiro pode ser uma experiência interessantíssima de encontro com Deus e de transformação do coração para nos colocarmos ao seu serviço.
O que se segue é um exemplo de sequência de textos bíblicos que conduzem a uma caminhada de reflexão pessoal. Aponto-os apenas como partilha de uma possibilidade para que, alguém que deseje, possa parar algum tempo e rezar.


Retiro:
Rezar as perguntas de Jesus


1º dia (à noite)
"Que queres que Eu te faça ?" (Lc 18, 35-43)

Ler e meditar os textos. Jesus pergunta-me a mim também "Que queres que te faça ?"O que preciso que Jesus me faça ? Tenho coragem e lucidez para dizer o que, de verdade, preciso ? Quais são os problemas que preciso de ver ultrapassados ? Posso dizê-los a Jesus para, como fez ao cego, me "curar" ? O cego pediu a Jesus "que eu veja Senhor". E nós que pedimos ? Aprofundar a consciência de que "tocar Jesus", ou ser por Ele tocado, é abeirar-se do seu Mistério e Pessoa e assumir os seus desafios. E isso cura.

2º dia

- 1º momento " Que é o homem, Senhor, para que vos lembreis dele ?" (Salmo 8); " Vós conheceis o íntimo do meu ser" (Salmo 138)
Meditar sobre quem é a pessoa humana, quem somos nós. Situar-se, desde o início, nesta verdade: somos criaturas dependentes de Deus, mas que, todos os dias, temos que fazer opções. Como tenho vivido ? Apenas com base no que "devo fazer" ? Apenas com base no que "quero fazer" ?

- 2º momento: "Pai dá-me a parte da herança que me cabe ..." (Lc 15, 12 ...)
Meditar a Parábola do Filho Pródigo: Para me sentir feliz tenho de me afastar dos outros e da "casa do Pai" ? Como lido com as ideias que outros pensam ? Como vejo a "interferência" dos outros na minha vida ? Pensar e reflectir as solidões em que caímos por não nos relacionarmos nem ouvirmos os outros. Somos o "irmão mais novo", o "irmão mais velho", ou o "Pai" nas nossas atitudes espontâneas.

- 3º momento: " A verdade vos libertará" (Jo 8, 30-32)
Meditar esta Palavra com base na atitude de que só assumindo a nossa verdade nos libertaremos e ultrapassaremos as nossas dificuldades...

3º dia

1º Momento: " Homem de pouca fé, porque duvidaste ?" (Mt 14).
Rezar e meditar a dimensão do pecado. O pecado é sempre da ordem da desconfiança (não confiança em Deus). É querer salvar-se apenas pelas próprias forças.

2º Momento: " Quem dizem os homens que Eu sou ?" (Mc 8, 27-30)
À luz deste texto e outros paralelos contemplar a vida e mistério de Jesus Cristo. Quem é verdadeiramente Jesus ? A sua Encarnação, Vida, Morte, Ressurreição revelam-me alguma novidade de Jesus ?

3º Momento:" Tu amas-Me ?" (Jo 21, 15 ss)
É ao Pedro da "negação" que Jesus entrega o cuidado do seu rebanho, mas primeiro quer a confissão do amor pelo seu projecto, Reino e Pessoa.

4º dia

1ºMomento: "Podeis beber os cálice que Eu estou para beber?" (Mt 20, 20 ss);"Chamou os que quis ..." (Mc 3, 13).
Rezar e meditar o chamamento de Jesus a segui-l'O.
Chamamento de Jesus:
- 1º )Estar com Ele e fazer como Ele
- 2º) Estimula em nós a dinâmica do "mais de nós" e não do "maior que outros"
- 3º) Pede despojamento

2º Momento: "Que discutíeis pelo caminho ?" (Mc 9, 33).
Meditar e rezar as opções que temos de realizar para seguir de perto Jesus Cristo. Que discutimos ou de que falamos mais normalmente no dia a dia ? Valores a eleger no dia a dia: Verdade, Sinceridade, Humildade.

3º Momento: "Quem procurais ?" ( Jo 1, 38).
Meditar e rezar a própria Oração. O que é a oração ? Como tenho rezado ? (Rom 8, 26- 30; Lc 18, 9-14; 16-17) Duas atitudes essenciais para a oração: Humildade e Confiança. "Rezar é tratar de amizade muitas vezes a sós com Deus que sabemos que nos ama" (Sta. Teresa de Ávila).

5º dia (final)


1º Momento: "Compreendeis o que vos fiz ? Fazei-o de igual modo." ( Jo 13. 12 ss).
O que é que Jesus nos fez ? Lavou os pés ! Mas a atitude de lavar os pés é símbolo e expressão de toda a vida de Jesus: Deus que serve o homem, assume a humanidade para a purificar do pecado, caminha com ela para a conduzir ... foi isso que Jesus nos fez. Somos chamados a fazer o mesmo aos nossos irmãos ... não apenas como nós queremos, mas sim como eles precisam. Fazer uma releitura do retiro, mas também de toda a vida. Rezar os dons que Deus concedeu durante a vida. Lembrar os principais momentos.
O tempo de retiro dinamiza a vida cristã na medida em que, numa experiência de caminho:
- Coloca aquele que se retira perante a verdade de si como alguém que tem que servir e escolher e perante o reverso desta perspectiva que é o pecado;
- Ensina a seguir o caminho de Cristo, estimulando a sua afectividade (amor) apresentando o servir e o escolher qualificados agora pelo serviço que se aprendeu de Cristo.
- Finalmente, o serviço e a escolha convertem-se em comunhão é uma resposta a orientar e desafiar toda a vida: Vós me destes tudo, Senhor; a Vós o restituo
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P. Emanuel Matos Silva

quinta-feira, outubro 12, 2006







Tomai, Senhor, e recebei
toda a minha liberdade,
a minha memória,
o meu entendimento
e toda a minha vontade.


Tudo o que tenho
e tudo o que possuo
Vós mo destes.

A Vós, Senhor, o restituo.
Tudo é vosso,
disponde de tudo
segundo a vossa inteira vontade.

Dai-me o vosso amor
e a vossa graça
que isso me basta.

Sto. Inácio de Loyola

quarta-feira, outubro 11, 2006




"Cristo está cá e chama-te" (Jo 11, 28)

Vamos rezar pelas Vocações

- Sacerdotais: para que muitos jovens aceitem o chamamento de Deus para serem padres na nossa Igreja diocesana;

- Religiosas: para que muitos jovens se apaixonem por Cristo e queiram manifestá-l'O na sua vida através da pobreza, obediência e amor consagrados a Deus;

- Matrimónio: para que muitos jovens sintam a paixão do matrimónio como vocação cristã à qual Deus chama e para a qual Deus dá a sua força;

- Monges e Monjas: para que muitos jovens queiram falar dos homens a Deus no silêncio e na solidão contemplativos.

Senhor Jesus que chamaste tantos e tantos homens e mulheres a seguirem o teu caminho, dá-nos a coragem de ouvir a tua Palavra que chama e dá-nos a força e a ousadia de a pormos em prática na nossa vida. Hoje e sempre.






Tua presença, Senhor


Dizem que Tu nos falas, Senhor,
Mas eu nunca ouvi a tua voz
Com os meus próprios ouvidos.
As únicas vozes que ouço
São as vozes fraternas
Que me dizem
palavras essenciais.

Dizem que Tu te manifestas, Senhor,
Mas eu nunca vi o teu rosto
Com os meus próprios olhos.
Os únicos rostos que vejo
São os rostos fraternos
Que riem, choram e cantam.

Mas, se és Tu, meu Deus,
Quem me oferece
Estas vozes, estes rostos,
Estes companheiros e amigos,
Estas mãos
E estes corações fraternos,
Então,
Mesmo no mais profundo silêncio ou ausência,
Tu te tornas,
Por todos estes irmãos,
Palavra e presença.
E eu confio na tua presença
E no teu amor.
E isso faz a minha vida
Ser diferente.



(Autor desconhecido)

terça-feira, outubro 10, 2006







LADAINHA DA HUMILDADE




Ó Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-me:

· Do desejo de ser estimado
· Do desejo de ser amado
· Do desejo de ser enaltecido
· Do desejo de ser honrado
· Do desejo de ser louvado livrai-me Jesus
· Do desejo de ser preferido a outros
· Do desejo de ser consultado
· Do desejo de ter aceitação

· Do temor de ser humilhado
· Do temor de ser desprezado
· Do temor de receber repulsas
· Do temor de ser caluniado
· Do temor de ser esquecido livrai-me Jesus
· Do temor de ser ridicularizado
· Do temor de ser injuriado
· Do temor de ser suspeito

Jesus, dai-me a graça de desejar:

· Que os outros sejam mais amados do que eu
· Que os outros sejam mais estimados do que eu
· Que os outros possam crescer na opinião do mundo e eu diminuir
· Que os outros possam ser colocados em postos elevados e eu preterido
· Que os outros possam ser louvados e eu esquecido
· Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas
· Que os outros possam ser mais santos do que eu, contando que eu seja o mais santo que puder

domingo, outubro 08, 2006


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