quinta-feira, março 05, 2009



A natural convivência
entre a Ciência e a Fé



Público, quarta-feira, 4 de Março de 2009
José Manuel Fernandes

Não é por acaso que o Vaticano de Bento XVI decidiu celebrar, com um congresso científico, os 150 anos de A Origem das Espécies
Cresci num ambiente especial - um ambiente onde a conciliação entre as verdades da Ciência e a crença no Deus dos católicos era absolutamente natural. Muito novo, ainda adolescente, descobri Teilhard de Chardin, cujos livros enchiam prateleiras na biblioteca do meu pai. O padre jesuíta que dedicara a sua vida à investigação como biólogo e paleontólogo passara por dias difíceis no tempo de Pio XII, começara a ser reabilitado no quadro do Vaticano II, cuja doutrina então iluminava católicos empenhados, como os meus pais. E a obra de Teilhard inspirava muito o meu pai, biólogo e crente. Tal como, percebi muito mais tarde, influenciou o jovem teólogo alemão que hoje é Papa. Numa obra de 1982, escreveria que "o sinal enviado por Teilhard (...) incluía o movimento histórico da Cristandade no contexto do processo cósmico da evolução de Alfa até Ómega". Mais: "A máxima de Teilhard - 'o Cristianismo significa mais progresso, melhor tecnologia' - encorajou os bispos conciliares (...) a sentirem que era mais fácil transmitir" a ideia de que "a evolução pode ser entendida como um progresso técnico e científico no qual a Matéria e o Espírito, o indivíduo e a sociedade, formam um conjunto global, um mundo divino".
Não me surpreende por isso que - apesar de, entretanto, eu próprio ter perdido a Fé - o Vaticano tenha convocado um congresso científico e teológico para celebrar os 150 anos da edição de um dos livros mais explosivos de todos os tempos, A Origem das Espécies, de Charles Darwin. E que não tenha convidado para estarem presentes nenhum apóstolo quer do criacionismo, quer do inteligent design, duas correntes que procuram, à força, conciliar as palavras do primeiro livro da Bíblia, o Génesis, com tudo o que a investigação científica nos tem revelado sobre a evolução das espécies.
Se, como defendem biólogos como Richard Dawkins, no best-seller A Desilusão de Deus, ninguém pode demonstrar a existência de Deus, nem sentem que ele faça falta, também é verdade o que próprio admite, como sucedeu numa entrevista ao PÚBLICO: a existência de uma relação entre religiões e civilizações permite perceber que há dimensões na Fé que ultrapassam o domínio da prova científica. De resto, dificilmente Dawkins poderia defender outra coisa, pois se há teoria que o tempo tem ajudado a moldar e sobre cujos mecanismos concretos ainda há muito a descobrir, essa teoria é a teoria da evolução das espécies. O problema não está, nunca esteve pelo menos para os cientistas, na existência da evolução, mas na determinação dos seus mecanismos concretos. O próprio Dawkins, por exemplo, mesmo sendo um darwinista assumido, manteve polémicas acesas com outro biólogo famoso, Stephen Jay Gould, a propósito da sua defesa da sociobiologia e do conceito do "gene egoísta" por contraponto à tese do "equilíbrio pontuado" de Gould.
Porquê? Porque ao contrário de outras teorias científicas, cuja prova pode ser feita repetindo uma experiência num laboratório, não é possível repetir o processo evolutivo que, por exemplo, permitiu que de uma determinada linhagem de dinossauros derivassem todas as diferentes espécies de aves que conhecemos.

Para muitos, recordar hoje o trabalho de Teilhard de Chardin - imerecidamente esquecido - fará pouco sentido quando quer a ciência, quer a teologia, prosseguiram caminhos que não os por ele sintetizados em obras como The Phenomenon of Man, publicado em 1940. Contudo, para entendermos a importância que o Vaticano está a dar às comemorações dos 150 anos de A Origem das Espécies é fundamental não esquecer que Bento XVI tem colocado entre as prioridades do seu papado a reconquista das elites intelectuais do Ocidente, provando-lhes que Fé e Razão não são inimigas, antes andaram de mão em mão. Não deseja, por exemplo, que Galileu seja visto apenas como um cientista proscrito, que agora, séculos depois, a Igreja reabilitou, antes como um cientista que, apesar de perseguido pela Inquisição, nunca deixou de ser um homem de Fé.
O congresso sobre Darwin deve, por isso, ser olhado à luz do que Bento XVI tinha escrito para ler na Universidade de Roma a 18 de Janeiro de 2008 antes de esta lhe fechar as portas. Ou seja, que o Papa ir à Universidade não para "impor de modo autoritário aos outros a Fé, a qual pode ser dada somente em liberdade", antes para "manter desperta a sensibilidade pela verdade; convidar sempre de novo a Razão a pôr-se à procura da Verdade, do Bem, de Deus e, neste caminho, estimulá-la a entrever as luzes úteis que foram surgindo ao longo da história da Fé cristã."
Tudo isto porque Ratzinger sempre procurou demonstrar que Fé e Razão não só não são incompatíveis, como podem iluminar-se uma à outra. Para isso não é preciso distorcer a Ciência, antes recordar que o conhecimento humano tem limites e que a crença absoluta na Razão, e esse seu derivado que é o positivismo, constituíram nos dois últimos séculos perigos maiores para a liberdade dos homens do que os "processos de argumentação sensíveis à verdade", como escreveu Habermas e Bento XVI recordou nessa altura.
Quem estudou Biologia e conviveu jovem com a obra Teilhard de Chardin sente que este, se ainda fosse vivo, ocuparia sempre um lugar de honra no congresso que o Vaticano agora organizou.

terça-feira, março 03, 2009



Disse “não” e perdi-me

- Desafios da Quaresma 2009 -



Um pequeno primeiro passo
As grandes caminhadas iniciam-se sempre com um pequeno passo. Com uma direcção e um sentido. Quando se chega ao destino da caminhada, porventura, já nem nos lembramos desse passo, mas ele foi o primeiro de muitos outros passos. E foi ele que definiu o rumo. Foi por ele que uma decisão se materializou.
A vida cristã é toda ela uma caminhada, um percurso de transformação e crescimento, que nos comprometem com o caminho que fazemos. Uma verdadeira transfiguração. Somos a mesma pessoa aos 20, 30 ou 60 anos, mas transfiguramo-nos: progressivamente amamos mais (ou menos), acolhemos com maior (ou menor) facilidade, partilhamos com mais (ou menos) alegria, estabelecemos relacionamentos mais (ou menos) maduros, definimos mais (ou menos) profundamente o sentido das nossas vidas.
Só existe caminho quando se caminha. Aliás, é o facto de querermos caminhar e de termos “para onde” caminhar que abre veredas, caminhos e percursos. Que constrói história e determina projectos de vida. E na vida cristã começamos pela terra o caminho para o Céu. E é o Céu que ajuda a ver a terra e os passos.
A vida cristã, por isso mesmo, não é propriamente um percurso que esteja definitivamente, a priori e de uma vez para sempre, balizado. Tens surpresas, coisas inesperadas. Se apenas desejássemos o que já conhecêssemos, o caminho perderia todo o interesse e passaria a um círculo vicioso. A esperança abre necessariamente ao desejo e ao encontro com o inesperado. E nesse sentido, a real e profunda originalidade deste caminho reside no facto dele ser o nosso caminho e de corresponder à nossa verdadeira capacidade de liberdade. É necessário, portanto, sair, deixar de lados os caminhos copiados de outros, os caminhos sempre percorridos com os sempre mesmos sentimentos, e determinar a nossa orientação fundamental. As distâncias que se percorrem pelos caminhos … são a oportunidade dos combates interiores.

Quarenta dias para caminhar
Um desejo é sempre um impulso acompanhado de uma imagem da sua satisfação. Por isso, de facto, só há desejo quando existe demora na sua satisfação. E a demora na satisfação purifica e aumenta os desejos. É, aliás, a demora na consecução do que se deseja que ajuda a definir se os desejos são verdadeiros e profundos ou se são apenas sentimentos passageiros e superficiais (S. Leão Magno). Desejar é, pois, assumir uma esperança e ser capaz de viver dela.
O tempo de desejo é, portanto, tempo de esperança. Vale a pena, contudo, distinguir entre a esperança e o sonho. É costume apresentar o sonho como motor da vida (“Pelo sonho é que vamos”, Sebastião da Gama). E está bem. Mas talvez seja necessário reconhecer também que a maior parte dos sonhos são mantas de retalhos que, às vezes, permitem viver realidades paralelas e, por isso, algo fictícias. Esperança não é só sonho, esperar não só sonhar. Esperar é desejar o inesperado, a “Terra da Promessa”. Quando se vai até ao último momento da noite (dizia Bernanos) encontramo-nos sempre com outra manhã. Esperar é ir até ao último momento de cada “noite” para se surpreender com a “manhã”! Os cristãos são pessoas da “manhã” mas que passam pela noite. E nesse sentido, mais do que os sonhos da grandeza e da glória (coisas paralelas à realidade), são, paradoxalmente, os sentimentos de impotência os mais fecundos e produtivos porque manifestam que existe “para onde” crescer sem fugir à realidade e ao realismo da vida.

A Quaresma é precisamente uma experiência de caminho dinamizado pela esperança. Não é importante em si mesma, não é uma finalidade em si própria, mas é importante sim e apenas porque conduz e prepara para a celebração da Páscoa. Torna-se, portanto, um instrumento, um meio, enfim, um caminho.
O nosso baptismo, início deste caminho, é já uma Páscoa, mas caminhamos chamados por essa outra Páscoa que acontece quando Deus já é tudo em todos e quando, a partir de tudo o que é passageiro, incerto e inseguro, se soube ir passando para Aquele que não passa nunca – Deus e o seu amor. É, portanto, a partir do Mistério pascal que se entende e vive a vida cristã e que se entende e vive a Quaresma como tempo que abre e prepara a Igreja para a celebração da vida de Cristo no tempo.
“Onde estás ?” pergunta Deus a Adão, expressando a procura que faz de todo o homem. “Sai! Deixa a tua terra e vai para a terra que Eu te indicar” (Gen 12, 1) diz Deus a Abraão. Ou, então, “Sai daí! Tu farás sair do Egipto o meu Povo” diz Deus a Moisés (Ex 3, 10; 6, 26). Ou ainda “Eu sou o Deus que fez sair do Egipto o meu Povo “ (Ex 20, 2; Lev 22, 33). Ou a oração do Povo de Deus repetida tantas e tantas e vezes nos Salmos “Saí, Senhor e vinde ao nosso encontro”.
E com Jesus o mesmo desafio continua. Veja-se, por exemplo, a atitude do Pai do Filho pródigo que, mal viu o filho, “Saiu a correr e o cobriu de beijos” (Lc 15) ou que na festa do regresso “Saiu cá fora a instar com o irmão mais velho” (Lc 15), no fundo, para que ele saísse daquela atitude rancorosa. Ou veja-se o grito do próprio Jesus a Lázaro: “Lázaro, sai! Vem para fora!” (Jo 11, 43) como quem lhe grita: “Vive homem! És feito para viver!”.
Quaresma é, pois, tempo de sair dos lugares, atitudes e experiências sem fecundidade. Um tempo para sair dos túmulos que nos prendem a comportamentos e identidades de morte e de mortos.


Caminhantes e caminhos – os desafios
Enquanto caminho, a quaresma é esse percurso de quarenta dias que fazem a passagem a uma vida diferente. Passo a passo. É essa, aliás, a fonte da sua simbologia: quarenta dias do dilúvio do qual brota como que uma nova humanidade; quarenta dias e quarenta noites de Moisés no Sinai dos quais brota uma relação nova de fidelidade e Aliança; quarenta dias de caminhada de Elias para o Horeb, expressão de um povo chamado a viver da Sabedoria de Deus; quarenta anos do Povo no deserto como progresso para a Terra Prometida, tempo de purificação para aprender a comprometer a liberdade e o amor; quarenta dias de pregação de Jonas em Nínive, expressão de que Deus não desiste do seu Povo; quarenta dias de despojamento de Jesus no deserto que o conduzirão à realização plena da vontade salvífica do Pai.
A Igreja sistematizou no jejum, na partilha e na oração os grandes sinais de vivência da Quaresma. São apelos de deserto, o tal “lugar” de conhecimento superior, a uma maior autenticidade. O jejum pede a valorização da essência das coisas, a partilha pede que, naquilo que damos, nos saibamos dar também a nós, e a oração experimenta-se a única fonte possível de todo o amor que é gratuito e não exige recompensas. Uma vida cristã autêntica nunca é simétrica. A Cruz é a maior expressão dessa assimetria.
Hoje os “caminhantes” deste caminho somos nós. O que seria de Lázaro se não tivesse aceitado, à voz de Cristo, sair do sepulcro? O que seria de Tomé se não tivesse interrogado? O que seria de Pedro se não tivesse negado? O que seria da mulher cananeia se não tivesse insistido? O que seria do cego se não soubesse e conhecesse qual a sua maior fragilidade? O que seria de … e de … e de … ?
Em tempo de Quaresma, e ao jeito de mero exemplo, surgem alguns aspectos que ficam como desafio:
- Colocar em casa ou no nosso local de trabalho um sinal (um símbolo, um Crucifixo, uma imagem, uma frase … etc) que, de forma imediata, nos leve ao horizonte da vivência quaresmal;
- Fazer partilha material (há tanta necessidade);
- Descobrir algo a que, de verdade, no segredo e discrição possamos renunciar fazendo desse acto um acto de verdadeiro amor a Deus; por exemplo, fazer a experiência de tentar encontrar em cada um dos colegas os aspectos mais positivos e de motivo de acção de graças; ultrapassar “miudezas”: ciúmes, comparações, invejas, maledicências, vanglorias, sarcasmos;
- Cuidar da qualidade e da “quantidade” da oração diária. A oração não é um simples meio de vida espiritual, mas a própria vida espiritual em exercício.
- Esforçar-se por melhorar sempre a participação na Eucaristia; celebrar o Sacramento da reconciliação como experiência de celebração do amor de Deus necessária frequentemente em quem caminha para Deus.
O Lázaro – canta M. Torga - sou eu … nado e criado para amar, e que não sei amar! Sou eu, que disse não e me perdi! Que vi Deus e nunca acreditei! Que vi a estrada impedida E passei! […] Quem puder, arranque os olhos e venha cheio de Fé ver o Lázaro real que não vem nos Evangelhos, mas é!...
Quaresma é tempo para dizer um imenso “sim” a Deus. Para experimentar a infecundidade de tentar dizer “não” a Deus. Dizemos-Lhe “não” e perdemo-nos! Porque a vida está do lado do “sim”!


p. Emanuel Matos Silva

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

O Pré - Seminário
andou por terras de
Idanha-a-Nova
- 14 de Fevereiro -





(Ermida de Nossa Senhora do Almortão)

[Barragem de Idanha (Marechal Carmona)]

sábado, janeiro 03, 2009



17 e 18 Janeiro 09
Encontro
de
Pré-Seminário
(Seminário de Alcains,
das 12h00 de Sábado,
até às 14h00 de Domingo)
Inscreve-te
aqui
ou
na tua
Paróquia


domingo, dezembro 21, 2008




Abrir para que ninguém possa fechar


- Uma experiência de Natal -



A liturgia da Igreja, sábia de séculos, tem neste tempo de Natal expressões extraordinárias do lugar central que quer dar a Cristo no coração de cada pessoa e na vida de todos os dias. “Ó Chave da Casa de David, que abris e ninguém pode fechar, fechais e ninguém pode abrir; vinde libertar os que vivem no cativeiro das trevas e nas sombras da morte” é uma das chamadas “antífonas do Ó” (frase ou refrão) que se cantam nos sete dias que antecedem imediatamente o Natal e que no seu conteúdo, tomado dos profetas, são uma síntese de toda a esperança messiânica e de todo o desejo humano de encontro com Jesus, o Filho de Deus que Se faz Homem. Sistematizadas nos séc. VI – VIII são como que um “grito” pedindo a Deus que envie o seu Messias e que Ele nunca abandone a nossa história. Todas as antífonas nos abrem ao mistério da identidade profunda do Filho de Deus mas aquela que acabei de referir é extremamente significativa: “Ó Chave da Casa de David…”

A analogia concreta da chave é forte e intensa: Cristo como a Chave que abre e liberta porque existem fechaduras que não se abrem sozinhas. E o homem e a sua vida fazem muitas vezes parte dessas fechaduras.
Maria, Nicodemos, Simão, Mateus, a mulher samaritana, o cego de Jericó, os filhos de Zebedeu, os discípulos e apóstolos, os paralíticos e possessos são exemplos, no Evangelho, de fechaduras abertas. Aliás, o Evangelho é um imenso e expressivo entrançado de encontros e reencontros em que o Rosto de Deus se revela em Jesus Cristo. É a Chave de Jesus – a sua vida - que abre todas essas vidas fechadas.

Em Jesus o Reino aproxima-se definitivamente de nós. E a conversão a que somos chamados é simplesmente sair do “país da trevas” para entrar na Cidade Santa da Jerusalém celeste, a experiência da luz, a morada de Deus com os homens.
Fechaduras que, ainda hoje e a partir de Jesus Cristo, é preciso abrir, com a urgência e a emergência que tem a vida de cada pessoa, são:

* as perspectivas deformadas de si mesmo (dependências afectivas activas e passivas geram simpatias e antipatias nem sempre construtivas);

* as perspectivas deformadas da representação de Deus (não se pode reduzir Deus representando-o à imagem do homem e das suas necessidades; a “experiência de Deus?” não se reduz a uma mero sentimentalismo; quando alguém incoerente quer encontrar Deus apenas por si mesmo, acaba por reduzi-l’O a um estado de alma, um sentimento ou emoção; normalmente, uma pessoa incoerente nunca deixa Deus ter a iniciativa sem a controlar);

* as perspectivas deformadas no que respeita à relação com os outros (não é possível olhar para os outros apenas a partir das necessidades e conveniências próprias de quem observa e com as consequentes antipatias e invejas que se geram daí);

* as perspectivas deformadas no que diz respeito aos ideais de vida (não se pode olhar para a vida apenas a partir do sucesso pessoal constante).

Faz lembrar aquele livro “Cavaleiro da Armadura enferrujada” (de R. Fisher) que narra a história de um « cavaleiro que se considerava muito virtuoso, amável e dedicado. Fazia todas as coisas que fazem os cavaleiros virtuosos, amáveis e dedicados fazem […] Era um cavaleiro famoso pela sua armadura. Reflectia raios de luz tão intensos que, quando o cavaleiro partia para a batalha no seu cavalo, os aldeões juravam ter visto o raiar do sol a norte ou o ocaso a oriente» (p. 11). Mas por nunca querer tirar a armadura de guerra que aparentemente o protegia, deixou-se ficar prisioneiro dentro da sua “protecção” e da sua ferrugem. Aquilo que outrora o havia protegido, agora, e por ser mal usado, era a sua prisão. E fonte da sua infelicidade.
O Natal vem, precisamente, abrir, fazer abrir. Jesus, quando acolhido e amado, liberta-nos das prisões que nos impedem a felicidade. Deixá-l’O nascer dentro de nós (na nossa inteligência, na nossa vontade e no nosso amor) é abrir, sair de nós, ir ao encontro, crescer. Por isso a caridade, a solidariedade, a comum dignidade. Um Santo e Feliz Natal são os meus votos sinceros.


p. Emanuel Matos Silva

segunda-feira, dezembro 08, 2008








A vida do nosso Seminário



- quem semeia com generosidade assim colherá –






A Igreja coloca os olhos nos seus Seminários como tratando-se do seu próprio coração. Porque a vocação de cada padre que cresce no Seminário é sempre um mistério de amor e de fé, um verdadeiro milagre da confiança e da ousadia, um projecto da vida disponível e entregue nas mãos de Deus, tem um sentido profundo rezarmos pelos nossos Seminários. E tem sentido também, na comunhão e corresponsabilidade eclesiais, reflectir de que formas Jesus Cristo chama hoje ao seu serviço na Igreja.






No nosso Seminário Diocesano, neste momento, contamos apenas com dois Seminaristas Maiores (o Nuno, da Bemposta, que está no 4º ano e o Gilberto, do Vale da Lousa, Isna, que está no 5º ano).





Os Indicativos na nossa Diocese de Portalegre – Castelo Branco
Entre 1930 e 1939, quando o Seminário Diocesano conseguiu recuperar da extinção a que a que 1910 tinha conduzido, ordenaram-se 70 presbíteros na Diocese. Entre 1940 e 1949 ordenaram 45 presbíteros. Entre 1950 e 1959 ordenaram-se 55 presbíteros. De 1960 a 1969 ordenaram-se 47 presbíteros. De 1970 a 1979 ordenaram-se 8 presbíteros. De 1980 a 1989 ordenaram-se 8 presbíteros. De 1990 a 1999 ordenaram-se 18 presbíteros, e de 2000 a 2008 ordenaram-se 6 presbíteros[1]. Entretanto, dos 256 referidos presbíteros ordenados, muitos já faleceram e, mais recentemente, alguns pediram dispensa do ministério. Actualmente, segundo estatísticas, a Diocese conta com 91 presbíteros diocesanos incardinados e mais 13 presbíteros religiosos[2].
O mundo e o território geográfico e humano da Diocese não são os mesmos hoje e em 1930. Novos contextos políticos, sociais e eclesiais, escolas, vias de comunicação, meios de comunicação social, emigração, desertificação, diminuição e/ou deslocação das populações para os centros urbanos e para fora do território diocesano, diminuição da natalidade, abandono e/ou diminuição da prática religiosa, novos modelos de família, etc, são alguns dos elementos (comuns a todo o mundo) que criaram um novo contexto e novos desafios. E a Igreja, Sacramento de Jesus para o mundo, há-de valorizar estes desafios como oportunidades.








Das Comunidades para o Seminário



e do Seminário para as Comunidades
Tudo começa, podemos dizer assim, na forma como nascem e se compreendem as vocações. O ritmo e dinamismo são sempre os do chamamento/resposta e, portanto, de desafio, de transformação, de crescimento, de superação. A resposta segue-se ao chamamento. Não há oferecimento sem chamamento. Quem semeia com generosidade assim colherá. E, da mesma forma que ser padre é ministério de fé, o chamamento e a resposta são uma experiência de fé. E assim, é na Comunidade cristã viva e dinamizada pelos seus pastores que nascem e se podem desenvolver as vocações ao ministério do Padre na Igreja. A comunhão eclesial e presbiteral desperta sempre vocações. Ao contrário, o individualismo pastoral resulta sempre em “crises vocacionais”.
Neste contexto, chamando Deus ao Sacerdócio, o Seminário aparece então como um primeiro passo específico numa longa caminhada de atenção e disponibilidade à vontade de Deus. A sabedoria da Igreja, longa de séculos, assume a experiência da vida comunitária como meio de formação. É o tempo em que cada um se descobre mais a si e descobre os outros. Nesse sentido, o Seminário é a continuidade daquela comunidade que Jesus Cristo construiu com os Apóstolos e onde lhes ensinou a Palavra, a docilidade à vontade do Pai, o amor ao Povo que serviriam. É a comunidade onde Jesus ensinou os seus discípulos a abrir o coração a Deus e ao mundo. Sem essa experiência de comunhão com o Mestre e uns com os outros não seria possível a missão evangelizadora como missão de toda a Igreja.
Um Seminário, comunidade formativa, é por isso e sempre um presbitério (o conjunto dos padres com o seu Bispo) em gestação. A Igreja, aliás, toda ela, é fundamentalmente um mistério de comunhão. Cada seminarista, portanto, não se prepara sozinho para ser padre sozinho, mas prepara-se, desde já, no horizonte de toda a Igreja e do presbitério diocesano. Quando é ordenado padre é recebido como irmão pelos outros padres e acolhe-os no mesmo dinamismo fraterno na comunhão da Igreja diocesana e de toda a Igreja. O Seminário é, por isso, escola de presbitério, uma escola de comunhão, uma escola de Igreja. É uma fraternidade sacramental mais do que uma simples pertença comum.



Acção de cada cristão num projecto que é de todos
Partindo da oração pelos nossos Seminários e da reflexão acerca das formas pelas quais Jesus Cristo hoje chama em Igreja, que podemos fazer pelos nossos Seminários? Eis alguns desafios que cada Paróquia e / ou Comunidade cristã pode concretizar:

1. Partindo da Pessoa de Jesus Cristo, Luz dos Povos, fazer a experiência de Igreja que é comunhão de todos os baptizados como sacramento e sinal da unidade dos homens com Deus e dos homens entre si e fundamentar aí a sua missão de evangelização (LG 1);

2. Reflectir pessoal e comunitariamente o facto de que ser Igreja, pelo baptismo, é naturalmente ser vocação (vocação à vida – vocação à fé – vocação específica na Igreja) e estar disponível para o que Deus quiser;

3. Aprofundar pessoal e comunitariamente – com a possível dinamização do Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações e do Pré-Seminário – os conceitos de vocação bem como as implicações concretas das novas mentalidades e formas de vida na definição vocacional;

4. Promover uma estreita ligação e colaboração entre as Comunidades paroquiais e os diversos Secretariados, bem como dos Secretariados entre si. Promover, nomeadamente, uma ligação e colaboração forte com o Secretariado das Vocações e com o Secretariado da Juventude. O trabalho de evangelização dos jovens (pastoral juvenil) é todo ele vocacional (para as diversas vocações).

5. Valorizar a Liturgia da Paróquia – nomeadamente a Eucaristia e a Reconciliação - como contexto vocacional onde Deus fala e é acolhido e sublinhar verbalmente essa sua dimensão.

6. Valorizar e acompanhar os grupos de acólitos pela proximidade à celebração do Mistério da fé.

7. Promover, no contexto da Oração Universal da Eucaristia do Domingo, uma intenção pelas vocações, uma intenção pelos seminaristas e pré-seminaristas (fazendo alusão explícita aos da Paróquia ou dela conhecidos), uma intenção pelos sacerdotes … a par com todas as outras intenções.

8. Valorização dos textos bíblicos de cariz vocacional da Eucaristia (Dominical ou ferial) para sublinhar o chamamento de Deus ao seu serviço e a alegria de Lhe poder entregar a vida (momento de esclarecimento, testemunho e desafio pela alegria e sentido do ministério);

9. Referir e sublinhar o testemunho de Sacerdotes que tenham ajudado a construir a comunidade em que se celebra ou que tenham sido referência local (a sua santidade, o seu espírito de serviço e de ajuda …). Sublinhar, nomeadamente, o seu testemunho sacerdotal por ocasião das celebrações dos jubileus de Ordenação.

10. Sublinhar a naturalidade do “ser padre” num mundo onde todos querem que a sua liberdade seja respeitada. Como afirmava o Papa João Paulo II, “este é um tempo extraordinário para se ser padre”.

11. Contactar pessoal e directamente algum ou vários rapazes no contexto da Paróquia e dos seus grupos ou actividades (Acólitos, Grupos de jovens, Escuteiros, etc, etc)

12. Estabelecer contacto estreito com os serviços e instâncias diocesanas de acompanhamento vocacional e de ajuda no discernimento. Dar visibilidade nas comunidades aos programas de actividades da Pastoral dos Jovens e da Pastoral das Vocações e Pré-Seminário.

13. Promover encontros dos jovens da Paróquia (grupos ou movimentos) com os Seminaristas ou, inclusive, com grupos de Sacerdotes.

14. Encaminhar os rapazes que se interroguem vocacionalmente para o Pré-Seminário, actividades do SDPJuventude ou SDPVocações, de acordo com os responsáveis.

15. Ajudar, em alguns casos monetariamente (viagens), os jovens que desejem participar nos encontros do Pré- Seminário.

Rezar pelo Seminário é fazer-lhe sentir a proximidade da comunidade cristã e dizer-lhe que se compreende que o lugar dele é precisamente na comunidade cristã. Os cristãos, diz-nos o Livro dos Actos dos Apóstolos, eram unidos na oração, tinham tudo em comum. Por isso a oração pelos Seminário é uma experiência de comunhão da Igreja que se dirige a Deus como o seu Pai do Céu.
Faz bem ao Seminário sentir a presença da comunidade diocesana e das paróquias com seus padres, cristãos e religiosos. É aí que Deus chama e esse é o destino dos que são chamados. Faz bem ao Seminário, na partilha e na oração, sentir-se amado. E faz bem às comunidades sentirem o Seminário presente na sua vida de Igreja e conhecerem os rostos concretos daqueles que neles se prepararam para serem servidores do Povo de Deus como padres. A juventude do Seminário faz bem às comunidades e a história e fidelidade das comunidades a Deus desafia o Seminário.


p. Emanuel Matos Silva

[1] Dados fornecidos pelo Cónego Bonifácio Bernardo, Secretariado Diocesano da Pastoral
[2] Cf. Anuário 2007 da Diocese, p. 58.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Pastoral das Vocações e Pré – Seminário

Programa 2008/09



  • Outubro 2008
    12. Out. – Entrada solene de D. Antonino Dias na Diocese
    18 e 19. Out. – Presença em Paróquias
    25. Out. – Reunião com Párocos (I)
    – Fim de tarde “Provocação” - Grupo de pesquisa e reflexão vocacional” (I) 26. Out. - Presença em Paróquias

    Novembro 2008
    9 a 16. Nov. – Semana dos Seminários
    15 e 16. Nov. – Encontro de Pré – Seminário Diocesano
    23. Nov. - Presença em Paróquias
    29. Nov. – Fim de tarde “Provocação” - Grupo de pesquisa e reflexão vocacional” (II)
    30. Nov. - Presença em Paróquias

    Dezembro 2008
    13 e 14. Dez. - Encontro de Pré – Seminário Diocesano

    Janeiro 2009
    10 e 11. Jan. - Presença em Paróquias 17 e 18. Jan. - Encontro de Pré – Seminário Diocesano
    24. Jan. – Reunião com Párocos (II)
    – Fim de tarde “Provocação” (Grupo de pesquisa e reflexão vocacional” (III)
    25. Jan. - Presença em Paróquias

    Fevereiro 2009
    7 e 8. Fev. - Presença em Paróquias
    14 e 15. Fev. - Encontro de Pré – Seminário Diocesano

    Março 2009
    7. Mar. – Fim de tarde “Provocação” (Grupo de pesquisa e reflexão vocacional” (IV)
    8. Mar. - Presença em Paróquias
    14 e 15. Mar. - Encontro de Pré – Seminário Diocesano: Retiro
    28 e 29. Mar. - Presença em Paróquias

    Abril 2009
    5 a 12. Abril. Semana Santa e Páscoa da Ressurreição
    25. Abril – Fim de tarde “Provocação” (Grupo de pesquisa e reflexão vocacional” (V)
    26. Abril - Presença em Paróquias

    Maio 2009
    3 a 10. Maio – Semana de Oração pelas Vocações
    9 e 10. Maio – Encontro de Pré – Seminário Diocesano
    31. Maio – Peregrinação Diocesana ao Santuário de Nª Senhora de Fátima

    Junho 2009
    6 e 7. Junho – Simpósio Paulino (Coimbra)
    13. Junho – Fim de tarde “Provocação” (Grupo de pesquisa e reflexão vocacional) (VI)
    13 e 14. Junho - Encontro de Pré – Seminário Diocesano
    20. Junho – Reunião com Párocos (III)
    21. Junho - Presença em Paróquias
    27 e 28. Junho - Presença em Paróquias

    Julho 2009
    11 e 12. Julho - Encontro de Pré – Seminário Diocesano e de admissão ao Seminário



    Observações:
    1. A “Presença nas Paróquias” é uma actividade de divulgação vocacional, participação na celebração da fé das Comunidades e contacto com grupos paroquiais;

    2. Os “Encontros de Pré-Seminário Diocesano” destinam-se a jovens entre os 13 e os 17/18 anos e realizar-se-ão, em princípio, no Seminário de S. José em Alcains. No entanto, e mediante aviso prévio, o local pode ser alterado. É necessário, por isso, inscrição prévia (e.pro.vocacao@sapo.pt ou Tel. 917 097 173);

    3. Os ‘Fim de tarde “Provocação” (Grupo de pesquisa e reflexão vocacional)’ são fins de tarde ou serões destinados a jovens entre os 17/18 e os 35 anos (rapazes ou raparigas) que se interrogam sobre a orientação da sua vida e desejam reflectir o que é uma vocação. Estarão em reflexão todas as vocações. Os encontros decorrerão na Casa Diocesana de Sta. Maria em Abrantes entre as 17h30 e as 19h30. Alguns dias integrarão o jantar. As inscrições podem ser feitas para e.pro.vocacao@sapo.pt ou Tel. 917 097 173.

segunda-feira, setembro 08, 2008


O Secretariado Diocesano das Vocações
saúda e acolhe com muita alegria
o Senhor D. Antonino Dias,
novo Bispo da nossa
Diocese de Portalegre - Castelo Branco

terça-feira, julho 01, 2008

"Vou ser Padre"
"Não queres também tu ouvir o que Deus para te dizer?"
"Confia em Deus"
"Ele surpreende-nos sempre"

segunda-feira, junho 30, 2008




Peregrinação a pé
do
Seminário Maior
ao
Santuário
do
Divino Senhor da Serra


6 de Julho 2008
Catedral de Castelo Branco
17h00
Daniel Santos Almeida
vai ser ordenado
Presbítero
para o serviço da nossa
Igreja diocesana
de
Portalegre - Castelo Branco

segunda-feira, junho 16, 2008

SE QUER
QUE ALGUÉM QUE CONHECE
CRESÇA MAL,
FAÇA ASSIM




a. Contente-se com o “satisfaz menos”
b. Dê-lhe carinhos “de segunda”
c. Ande sempre com ar deprimido
d. Transforme a família numa caixa de solidões
e. Repita-lhe mil vezes ao dia que nunca deve dar valor às coisas sérias demais ou que o “trabalho é bom para os outros”
f. Coloque a família sempre depois do trabalho
g. “Acorde” apenas quando ele já for grande
h. Não o repreenda nunca…
i. Superproteja-o
j. Descarregue-o sempre para os avós …
k. Encha-o de tudo o que ele quer
l. Dê-lhe o nome de uma moto
m. Venda-o ao sucesso desde pequenino
n. Faça-lhe crer que a vida é um paraíso
o. Deixe-o colado à televisão todo o dia
p. Crie-o numa estufa
q. etc[1]


[1] António MAZZI, Como estragar um filho em dez jogadas (Lisboa: Paulus, 2005) 89.

domingo, junho 08, 2008


Os Presbíteros na Igreja - IV –

A identidade do padre na Igreja


O que é, melhor, quem é o padre? Todos conhecemos certamente padres que, pelo que fazem e pela maneira como o fazem, nos ajudam a compreender o que é um padre. Mas o que está na origem de uma vida assim?

1. As afirmações fundamentais da Igreja

No Concílio Vaticano II, a Igreja define o padre da seguinte maneira: os presbíteros são consagrados á imagem de Cristo para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino (LG 28).
E todo o restante número 28 desta Constituição sobre a Igreja (Lumen Gentium) nos apresenta o padre na sua relação a Cristo à Igreja e, na Igreja - sinal e sacramento de Cristo - aos bispos, ao presbitério (irmãos padres) e ao povo de Deus.
O padre é, portanto, ministro de uma Igreja que é Sacramento de Cristo, Luz dos Povos, e que para se expressar na vida dos homens precisa de ministros que sirvam essa sacramentalidade.
Por isso mesmo, o decreto sobre o Ministério e vida dos sacerdotes (PO) afirmará, a certa altura, que os presbíteros [..] não poderiam ser ministros de Cristo se não fossem testemunhas e dispensadores de uma vida diferente da terrena, e nem poderiam servir os homens se permanecessem alheios à sua vida e às suas situações (PO 3). A sua vida transcorre, de facto, entre a convivência e a diferença.

2. Uma realidade cristã original

Desta forma o presbiterado (ser padre) surge, de facto, como uma realidade cristã original, interior à própria revelação e centrada sobre Cristo. Podemos então resumir algumas características da identidade e missão do padre segundo o pensamento da Igreja no Vaticano II:

2.1.Ser presbítero é realização, em nós, do Senhor Jesus, Cristo.

Ser presbítero é realização. em, nós do Senhor Jesus, Cristo. O seu ministério, se quisermos o seu sacerdócio, é o fundamento contínuo e continuado do nosso ministério e não apenas um primeiro elo de uma cadeia da qual todos faríamos parte:
- Ser padre é uma realidade que não tem apenas algo a ver com a celebração da Eucaristia, mas que está relacionada com a missão de toda a Igreja;
- A sua acção não se limita ao poder de consagrar o Corpo de Cristo (Eucaristia) mas alarga-se à acção em nome de Cristo, Cabeça da sua Igreja, seu Corpo eclesial.
- Os padres recebem a sua autoridade de Cristo, em Igreja, na criação dos grupos de apóstolos que são enviados em nome do mesmo Cristo; o padre participa na missão apostólica de toda a Igreja: ele conduz uma comunidade nascida da acção da Palavra de Deus

2. 2. Fazer com a nossa vida o que Cristo fez com a sua

Tendo vivido o seu ministério, o seu sacerdócio, não pela imolação de touros e cabritos, mas pela oblação de si mesmo o Ressuscitado dá a todos os cristãos a possibilidade de fazer o mesmo com a sua existência pessoal concreta [(Rom 12, 1-2) (falamos do sacerdócio baptismal)]. Mas é dentro desta possibilidade salvífica que o Ressuscitado dá a todos os cristãos a possibilidade de fazerem com sua vida o que Ele mesmo fez, que surgirá o que chamamos de sacerdócio ministerial (ministério ordenado ): na Igreja, alguns, entre muitos, são constituídos para o serviço de’ todos os outros.

Então, longe de se opôr ao sacerdócio dos baptizados, o presbítero permite a vivência dessa dimensão de toda a Igreja. Significa que as suas identidades (a dos baptizados e a dos ministros ordenados ) se reforçam mutuamente com a sua comunhão: a distinção une-as[1]. Estão ordenados um para o outro (LG 10). Então para que todos possam viver a sua dimensão baptismal é necessário que alguns sejam ministros. E a Ordem não significará nunca um degrau mais elevado de santidade em relação ao sacerdócio baptismal, mas apenas um caminho diferente:

- O ministério do padre não é, portanto, destinado apenas ao culto, mas sim ao apostolado que congrega numa mesma realidade o anúncio da Palavra, a celebração dos sacramentos e a condução pastoral. O verdadeiro sacrifício é o de se oferecer a si mesmo, o de dar a sua vida como oferta espiritual.
- O ministério do padre (presbítero) é um Dom de Cristo à sua Igreja. A ordem é recebida em Igreja por baptizados chamados na fé para um serviço específico na Igreja e como seu sinal;
- Os padres são unidos à missão dos bispos que é a mesma missão que eles receberam dos apóstolos;
- Nesse sentido, porque unidos e enquanto unidos aos bispos, os padres representam o Bispo e a Igreja Universal;

3. Evangelizar, conduzir e santificar

O ministério presbiteral é também o mesmo que Jesus entregou aos Apóstolos com a missão de evangelizar, conduzir e santificar. E isso significa que, na unidade de presbitério em comunhão com o Bispo, sucessor dos Apóstolos, o ministério ordenado se efectiva a maneira do ministério dos apóstolos, ou seja num dinamismo de evangelização e num Dom total de si mesmo. É assim que o sacerdócio não é um emprego, mas é um estado vida caracterizado pela consagração de si ao serviço evangélico dos outros:
- As tarefas que se impõem aos padre são as mesmas que se impõem aos bispos na continuidade da missão apostólica: pregar e anunciar o Evangelho, guiar o povo de Deus (Igreja) e celebrar o culto na Liturgia como sacerdotes o Novo Testamento, isto é, unidos a Cristo.
- É, portanto, toda a vida do padre - nas suas relações com as pessoas - que dá glória a Deus

Afirma a Igreja (PO 3) que os presbíteros não poderiam ser ministros de Cristo se não fossem testemunhas e dispensadores duma vida diferente da terrena, e nem poderiam servir os homens se permanecessem alheios à sua vida e às suas situações. O seu próprio ministério exige, por um título especial, que não se conformem a este mundo; mas exige também que vivam neste mundo entre os homens e, como bons pastores, conheçam aqueles que lhes estão confiados, para que também esses oiçam a voz de Cristo.

No seio de todo um Povo sacerdotal, de toda uma Igreja, os padres, somos ungidos de novo – porque o Senhor nos quer – para sermos mediadores do sacerdócio de Jesus Cristo, cabeça da Igreja. Somos diferentes e devemos aceitar que o somos porque o Senhor nos escolheu e nos colocou no mundo como sua presença particular para construção de toda a Igreja que é o seu Corpo[2].

E é aqui – neste ponto – que existe muito quem confunda a proximidade que o sacerdote, enquanto pastor, deve ter para com os homens e mulheres do seu tempo, na disponibilidade e simplicidade de vida, com o anular dessa diferença, igualando-o a todos os outros homens. É por isso que a frase tantas vezes ouvida que diz que o padre é um homem igual a tantos outros é perigosa e terrivelmente enganadora[3].

[1] Cf. André MANARANCHE, Vouloir et former des prêtres (paris: Fayard, 122.’!) 264.

[2] Cf. D.José da Cruz POLICARPO, Subamos para Jerusalém (Lisboa: Paulistas, 1998)93.
[3] Cf. Ibid.

quarta-feira, junho 04, 2008



« De facto, nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum morre para si mesmo. Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e se morremos, é para o Senhor que morremos. Ou seja, quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que pertencemos. Pois foi para isto que Cristo morreu e voltou à vida: para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos » (Rom 14, 7-9).
Padre Francisco António Rosado Belo
Nascimento: 19. Abril. 1929
Ordenação de Presbítero: 13. Julho. 1958
Partida para o Pai: 4. Junho. 2008
Para pensar a morte:
« A eventualidade da morte está integrada na minha vida; olhar a morte de frente e aceitá-la como parte integrante da vida faz-nos alargar a própria vida. Ao contrário, sacrificar à morte um pedaço pequeno que seja de vida, por medo da morte ou recusa em aceitá-la, é igual a não guardar senão um pobre bocado de vida mutilada ».
Etty Hillesum
« Se os mortos não se vêem mais é talvez porque eles encontraram uma maravilha muito maior do que toda a sua vida passada »
Christian Bobin
Para rezar:
Deus eterno e omnipotente, que estabelecestes o termo da vida presente para abrir as portas da eternidade, humildemente Vos suplicamos que, pela vossa benihna misericórdia, mandeis escrever o nome do vosso servo Francsico Rosado Belo, Sacerdote, no livro da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus conVosco na unidade do Espírito Santo. Amen.

terça-feira, junho 03, 2008




“Não há nada mais prático
do que encontrar Deus;
ou seja, apaixonar-se por Ele
de um modo absoluto, até ao fim.

Aquilo pelo qual estás apaixonado
agarra a tua imaginação
e acaba por
ir deixando a sua marca em tudo.
Determinará

o que te faz sair da cama cada manhã,
o que fazes com as tuas tardes,
como passas os teus fins-de-semana,
o que lês,o que conheces,
o que te faz sentir o coração desfeito,
e o que te faz transbordar de alegria e gratidão.

Apaixona-te!
Permanece no amor!Tudo passará a ser diferente”.


Pedro Arrupe, sj (1907-1991)
Uma vida feliz para Cristo
como "Padre" na Igreja
Daniel Santos Almeida
Ordenação de Padre
6. Julho. 2008
Sé de Castelo Branco
17h00
Vamos rezar pelo Daniel
e por todos os Padres
[Senhor Jesus ...]
Uma vida feliz para Cristo
como "Padre" na Igreja
Daniel Santos Almeida
Ordenação de Padre
6. Julho. 2008
Sé de Castelo Branco
16h00
Vamos rezar pelo Daniel
e por todos os Padres
«Senhor Jesus, Tu escolhestes os teus sacerdotes de entre nós e os mandaste a proclamar a tua Palavra e agir em teu nome. Por tão grande dom para a tua Igreja nós te louvamos e agradecemos. Nós te pedimos que os enchas com o fogo do teu amor, de modo que o seu ministério possa revelar a tua presença na Igreja. Uma vez que eles são vasos de barro, nós pedimos que o teu poder resplandeça através da sua fraqueza. Nas suas aflições não permitais ques ejam esmagados, nas suas dúvidas não permitais que desesperem, nas tentações não permitais que sejam destruídos, nas perseguições não permitais que sejam abandonados. Inspira-os através da oração a viver cada dia o mistério da tua morte e ressurreição. Nos tempos de fraqueza manda sobre eles o teu Espírito e ajuda-os a louvar o Pai e a rezar pelos pecadores. Pelo mesmo Espírito Santo põe as tuas Palavras nas suas bocas e o teu amor nos seus corações para levarem a Boa Nova aos pobres e a cura aos corações despedaçados. E possa o dom de Maria, tua Mãe, ao discípulo que amavas ser o teu dom da tua Mãe a cada sacerdote. Concede que aquela que te formou à sua imagem humana os possa formar à tua imagem divina pelo poder do teu Espírito, para glória de Deus Pai. Amen

Encontro de 14 e 15 de Junho em Alcains
Inscreve-te:
- 917 097 173

“Jesus está cá e chama-te”

Encontro de admissão
ao Pré-Seminário e Seminário Diocesanos

14 e 15 de Junho 2008
no Seminário de S. José
- Alcains -

Se tens 14 anos ou mais,
inscreve-te para o 917 097 173,
ou através de provocacao@gmail.com

Um encontro de reflexão, convívio,
oração e discernimento
porque Jesus chama ao serviço
na sua Igreja e é necessário reconhecê-l’O
para ir aonde nos quer levar

domingo, junho 01, 2008


"Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,quem não se deixa ajudar.Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,repetindo todos os dias o mesmo trajecto,quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor,ou não conversa com quem não conhece.Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.Morre lentamente quem evita uma paixão,quem prefere o negro sobre o branco,e os pontos sobre os is em detrimento de um redemoinho de emoções,justamente as que resgatam o brilho nos olhos,sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da má sorteou da chuva que cai incessante.Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,não pergunta sobre um assunto que desconheceou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.Evitemos a morte em doses suaves,recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maiorque o simples fato de respirar.Somente a perseverança fará com que conquistemosum estágio esplêndido de Felicidade."(Pablo Neruda)