segunda-feira, março 16, 2009
quarta-feira, março 11, 2009

SE ISTO É UM HOMEM
Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casas aquecidas,
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um homem
Quem trabalha na lama
Quem não conhece paz
Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não.
Considerai se isto é uma mulher,
Sem cabelos e sem nome
Sem mais força para recordar
Vazios os olhos e frio o regaço
Como uma rã no Inverno.
Meditai que isto aconteceu:
Recomendo-vos estas palavras.
Esculpi-as no vosso coração
Estando em casa andando pela rua,
Ao deitar-vos e ao levantar-vos;
Repeti-as aos vossos filhos.
Ou então que desmorone a vossa casa,
Que a doença vos entreve,
Que os vossos filhos vos virem a cara.
Primo Levi, Se Isto É Um Homem
segunda-feira, março 09, 2009
quinta-feira, março 05, 2009
Público, quarta-feira, 4 de Março de 2009
José Manuel Fernandes
Não é por acaso que o Vaticano de Bento XVI decidiu celebrar, com um congresso científico, os 150 anos de A Origem das Espécies
Cresci num ambiente especial - um ambiente onde a conciliação entre as verdades da Ciência e a crença no Deus dos católicos era absolutamente natural. Muito novo, ainda adolescente, descobri Teilhard de Chardin, cujos livros enchiam prateleiras na biblioteca do meu pai. O padre jesuíta que dedicara a sua vida à investigação como biólogo e paleontólogo passara por dias difíceis no tempo de Pio XII, começara a ser reabilitado no quadro do Vaticano II, cuja doutrina então iluminava católicos empenhados, como os meus pais. E a obra de Teilhard inspirava muito o meu pai, biólogo e crente. Tal como, percebi muito mais tarde, influenciou o jovem teólogo alemão que hoje é Papa. Numa obra de 1982, escreveria que "o sinal enviado por Teilhard (...) incluía o movimento histórico da Cristandade no contexto do processo cósmico da evolução de Alfa até Ómega". Mais: "A máxima de Teilhard - 'o Cristianismo significa mais progresso, melhor tecnologia' - encorajou os bispos conciliares (...) a sentirem que era mais fácil transmitir" a ideia de que "a evolução pode ser entendida como um progresso técnico e científico no qual a Matéria e o Espírito, o indivíduo e a sociedade, formam um conjunto global, um mundo divino".
Não me surpreende por isso que - apesar de, entretanto, eu próprio ter perdido a Fé - o Vaticano tenha convocado um congresso científico e teológico para celebrar os 150 anos da edição de um dos livros mais explosivos de todos os tempos, A Origem das Espécies, de Charles Darwin. E que não tenha convidado para estarem presentes nenhum apóstolo quer do criacionismo, quer do inteligent design, duas correntes que procuram, à força, conciliar as palavras do primeiro livro da Bíblia, o Génesis, com tudo o que a investigação científica nos tem revelado sobre a evolução das espécies.
Se, como defendem biólogos como Richard Dawkins, no best-seller A Desilusão de Deus, ninguém pode demonstrar a existência de Deus, nem sentem que ele faça falta, também é verdade o que próprio admite, como sucedeu numa entrevista ao PÚBLICO: a existência de uma relação entre religiões e civilizações permite perceber que há dimensões na Fé que ultrapassam o domínio da prova científica. De resto, dificilmente Dawkins poderia defender outra coisa, pois se há teoria que o tempo tem ajudado a moldar e sobre cujos mecanismos concretos ainda há muito a descobrir, essa teoria é a teoria da evolução das espécies. O problema não está, nunca esteve pelo menos para os cientistas, na existência da evolução, mas na determinação dos seus mecanismos concretos. O próprio Dawkins, por exemplo, mesmo sendo um darwinista assumido, manteve polémicas acesas com outro biólogo famoso, Stephen Jay Gould, a propósito da sua defesa da sociobiologia e do conceito do "gene egoísta" por contraponto à tese do "equilíbrio pontuado" de Gould.
Porquê? Porque ao contrário de outras teorias científicas, cuja prova pode ser feita repetindo uma experiência num laboratório, não é possível repetir o processo evolutivo que, por exemplo, permitiu que de uma determinada linhagem de dinossauros derivassem todas as diferentes espécies de aves que conhecemos.
Para muitos, recordar hoje o trabalho de Teilhard de Chardin - imerecidamente esquecido - fará pouco sentido quando quer a ciência, quer a teologia, prosseguiram caminhos que não os por ele sintetizados em obras como The Phenomenon of Man, publicado em 1940. Contudo, para entendermos a importância que o Vaticano está a dar às comemorações dos 150 anos de A Origem das Espécies é fundamental não esquecer que Bento XVI tem colocado entre as prioridades do seu papado a reconquista das elites intelectuais do Ocidente, provando-lhes que Fé e Razão não são inimigas, antes andaram de mão em mão. Não deseja, por exemplo, que Galileu seja visto apenas como um cientista proscrito, que agora, séculos depois, a Igreja reabilitou, antes como um cientista que, apesar de perseguido pela Inquisição, nunca deixou de ser um homem de Fé.
O congresso sobre Darwin deve, por isso, ser olhado à luz do que Bento XVI tinha escrito para ler na Universidade de Roma a 18 de Janeiro de 2008 antes de esta lhe fechar as portas. Ou seja, que o Papa ir à Universidade não para "impor de modo autoritário aos outros a Fé, a qual pode ser dada somente em liberdade", antes para "manter desperta a sensibilidade pela verdade; convidar sempre de novo a Razão a pôr-se à procura da Verdade, do Bem, de Deus e, neste caminho, estimulá-la a entrever as luzes úteis que foram surgindo ao longo da história da Fé cristã."
Tudo isto porque Ratzinger sempre procurou demonstrar que Fé e Razão não só não são incompatíveis, como podem iluminar-se uma à outra. Para isso não é preciso distorcer a Ciência, antes recordar que o conhecimento humano tem limites e que a crença absoluta na Razão, e esse seu derivado que é o positivismo, constituíram nos dois últimos séculos perigos maiores para a liberdade dos homens do que os "processos de argumentação sensíveis à verdade", como escreveu Habermas e Bento XVI recordou nessa altura.
Quem estudou Biologia e conviveu jovem com a obra Teilhard de Chardin sente que este, se ainda fosse vivo, ocuparia sempre um lugar de honra no congresso que o Vaticano agora organizou.
terça-feira, março 03, 2009
- Desafios da Quaresma 2009 -
Um pequeno primeiro passo
As grandes caminhadas iniciam-se sempre com um pequeno passo. Com uma direcção e um sentido. Quando se chega ao destino da caminhada, porventura, já nem nos lembramos desse passo, mas ele foi o primeiro de muitos outros passos. E foi ele que definiu o rumo. Foi por ele que uma decisão se materializou.
A vida cristã é toda ela uma caminhada, um percurso de transformação e crescimento, que nos comprometem com o caminho que fazemos. Uma verdadeira transfiguração. Somos a mesma pessoa aos 20, 30 ou 60 anos, mas transfiguramo-nos: progressivamente amamos mais (ou menos), acolhemos com maior (ou menor) facilidade, partilhamos com mais (ou menos) alegria, estabelecemos relacionamentos mais (ou menos) maduros, definimos mais (ou menos) profundamente o sentido das nossas vidas.
Só existe caminho quando se caminha. Aliás, é o facto de querermos caminhar e de termos “para onde” caminhar que abre veredas, caminhos e percursos. Que constrói história e determina projectos de vida. E na vida cristã começamos pela terra o caminho para o Céu. E é o Céu que ajuda a ver a terra e os passos.
A vida cristã, por isso mesmo, não é propriamente um percurso que esteja definitivamente, a priori e de uma vez para sempre, balizado. Tens surpresas, coisas inesperadas. Se apenas desejássemos o que já conhecêssemos, o caminho perderia todo o interesse e passaria a um círculo vicioso. A esperança abre necessariamente ao desejo e ao encontro com o inesperado. E nesse sentido, a real e profunda originalidade deste caminho reside no facto dele ser o nosso caminho e de corresponder à nossa verdadeira capacidade de liberdade. É necessário, portanto, sair, deixar de lados os caminhos copiados de outros, os caminhos sempre percorridos com os sempre mesmos sentimentos, e determinar a nossa orientação fundamental. As distâncias que se percorrem pelos caminhos … são a oportunidade dos combates interiores.
Quarenta dias para caminhar
Um desejo é sempre um impulso acompanhado de uma imagem da sua satisfação. Por isso, de facto, só há desejo quando existe demora na sua satisfação. E a demora na satisfação purifica e aumenta os desejos. É, aliás, a demora na consecução do que se deseja que ajuda a definir se os desejos são verdadeiros e profundos ou se são apenas sentimentos passageiros e superficiais (S. Leão Magno). Desejar é, pois, assumir uma esperança e ser capaz de viver dela.
O tempo de desejo é, portanto, tempo de esperança. Vale a pena, contudo, distinguir entre a esperança e o sonho. É costume apresentar o sonho como motor da vida (“Pelo sonho é que vamos”, Sebastião da Gama). E está bem. Mas talvez seja necessário reconhecer também que a maior parte dos sonhos são mantas de retalhos que, às vezes, permitem viver realidades paralelas e, por isso, algo fictícias. Esperança não é só sonho, esperar não só sonhar. Esperar é desejar o inesperado, a “Terra da Promessa”. Quando se vai até ao último momento da noite (dizia Bernanos) encontramo-nos sempre com outra manhã. Esperar é ir até ao último momento de cada “noite” para se surpreender com a “manhã”! Os cristãos são pessoas da “manhã” mas que passam pela noite. E nesse sentido, mais do que os sonhos da grandeza e da glória (coisas paralelas à realidade), são, paradoxalmente, os sentimentos de impotência os mais fecundos e produtivos porque manifestam que existe “para onde” crescer sem fugir à realidade e ao realismo da vida.
A Quaresma é precisamente uma experiência de caminho dinamizado pela esperança. Não é importante em si mesma, não é uma finalidade em si própria, mas é importante sim e apenas porque conduz e prepara para a celebração da Páscoa. Torna-se, portanto, um instrumento, um meio, enfim, um caminho.
O nosso baptismo, início deste caminho, é já uma Páscoa, mas caminhamos chamados por essa outra Páscoa que acontece quando Deus já é tudo em todos e quando, a partir de tudo o que é passageiro, incerto e inseguro, se soube ir passando para Aquele que não passa nunca – Deus e o seu amor. É, portanto, a partir do Mistério pascal que se entende e vive a vida cristã e que se entende e vive a Quaresma como tempo que abre e prepara a Igreja para a celebração da vida de Cristo no tempo.
“Onde estás ?” pergunta Deus a Adão, expressando a procura que faz de todo o homem. “Sai! Deixa a tua terra e vai para a terra que Eu te indicar” (Gen 12, 1) diz Deus a Abraão. Ou, então, “Sai daí! Tu farás sair do Egipto o meu Povo” diz Deus a Moisés (Ex 3, 10; 6, 26). Ou ainda “Eu sou o Deus que fez sair do Egipto o meu Povo “ (Ex 20, 2; Lev 22, 33). Ou a oração do Povo de Deus repetida tantas e tantas e vezes nos Salmos “Saí, Senhor e vinde ao nosso encontro”.
E com Jesus o mesmo desafio continua. Veja-se, por exemplo, a atitude do Pai do Filho pródigo que, mal viu o filho, “Saiu a correr e o cobriu de beijos” (Lc 15) ou que na festa do regresso “Saiu cá fora a instar com o irmão mais velho” (Lc 15), no fundo, para que ele saísse daquela atitude rancorosa. Ou veja-se o grito do próprio Jesus a Lázaro: “Lázaro, sai! Vem para fora!” (Jo 11, 43) como quem lhe grita: “Vive homem! És feito para viver!”.
Quaresma é, pois, tempo de sair dos lugares, atitudes e experiências sem fecundidade. Um tempo para sair dos túmulos que nos prendem a comportamentos e identidades de morte e de mortos.
Caminhantes e caminhos – os desafios
Enquanto caminho, a quaresma é esse percurso de quarenta dias que fazem a passagem a uma vida diferente. Passo a passo. É essa, aliás, a fonte da sua simbologia: quarenta dias do dilúvio do qual brota como que uma nova humanidade; quarenta dias e quarenta noites de Moisés no Sinai dos quais brota uma relação nova de fidelidade e Aliança; quarenta dias de caminhada de Elias para o Horeb, expressão de um povo chamado a viver da Sabedoria de Deus; quarenta anos do Povo no deserto como progresso para a Terra Prometida, tempo de purificação para aprender a comprometer a liberdade e o amor; quarenta dias de pregação de Jonas em Nínive, expressão de que Deus não desiste do seu Povo; quarenta dias de despojamento de Jesus no deserto que o conduzirão à realização plena da vontade salvífica do Pai.
A Igreja sistematizou no jejum, na partilha e na oração os grandes sinais de vivência da Quaresma. São apelos de deserto, o tal “lugar” de conhecimento superior, a uma maior autenticidade. O jejum pede a valorização da essência das coisas, a partilha pede que, naquilo que damos, nos saibamos dar também a nós, e a oração experimenta-se a única fonte possível de todo o amor que é gratuito e não exige recompensas. Uma vida cristã autêntica nunca é simétrica. A Cruz é a maior expressão dessa assimetria.
Hoje os “caminhantes” deste caminho somos nós. O que seria de Lázaro se não tivesse aceitado, à voz de Cristo, sair do sepulcro? O que seria de Tomé se não tivesse interrogado? O que seria de Pedro se não tivesse negado? O que seria da mulher cananeia se não tivesse insistido? O que seria do cego se não soubesse e conhecesse qual a sua maior fragilidade? O que seria de … e de … e de … ?
Em tempo de Quaresma, e ao jeito de mero exemplo, surgem alguns aspectos que ficam como desafio:
- Colocar em casa ou no nosso local de trabalho um sinal (um símbolo, um Crucifixo, uma imagem, uma frase … etc) que, de forma imediata, nos leve ao horizonte da vivência quaresmal;
- Fazer partilha material (há tanta necessidade);
- Descobrir algo a que, de verdade, no segredo e discrição possamos renunciar fazendo desse acto um acto de verdadeiro amor a Deus; por exemplo, fazer a experiência de tentar encontrar em cada um dos colegas os aspectos mais positivos e de motivo de acção de graças; ultrapassar “miudezas”: ciúmes, comparações, invejas, maledicências, vanglorias, sarcasmos;
- Cuidar da qualidade e da “quantidade” da oração diária. A oração não é um simples meio de vida espiritual, mas a própria vida espiritual em exercício.
- Esforçar-se por melhorar sempre a participação na Eucaristia; celebrar o Sacramento da reconciliação como experiência de celebração do amor de Deus necessária frequentemente em quem caminha para Deus.
O Lázaro – canta M. Torga - sou eu … nado e criado para amar, e que não sei amar! Sou eu, que disse não e me perdi! Que vi Deus e nunca acreditei! Que vi a estrada impedida E passei! […] Quem puder, arranque os olhos e venha cheio de Fé ver o Lázaro real que não vem nos Evangelhos, mas é!...
Quaresma é tempo para dizer um imenso “sim” a Deus. Para experimentar a infecundidade de tentar dizer “não” a Deus. Dizemos-Lhe “não” e perdemo-nos! Porque a vida está do lado do “sim”!
p. Emanuel Matos Silva
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
sábado, janeiro 03, 2009
domingo, dezembro 21, 2008

- Uma experiência de Natal -
A liturgia da Igreja, sábia de séculos, tem neste tempo de Natal expressões extraordinárias do lugar central que quer dar a Cristo no coração de cada pessoa e na vida de todos os dias. “Ó Chave da Casa de David, que abris e ninguém pode fechar, fechais e ninguém pode abrir; vinde libertar os que vivem no cativeiro das trevas e nas sombras da morte” é uma das chamadas “antífonas do Ó” (frase ou refrão) que se cantam nos sete dias que antecedem imediatamente o Natal e que no seu conteúdo, tomado dos profetas, são uma síntese de toda a esperança messiânica e de todo o desejo humano de encontro com Jesus, o Filho de Deus que Se faz Homem. Sistematizadas nos séc. VI – VIII são como que um “grito” pedindo a Deus que envie o seu Messias e que Ele nunca abandone a nossa história. Todas as antífonas nos abrem ao mistério da identidade profunda do Filho de Deus mas aquela que acabei de referir é extremamente significativa: “Ó Chave da Casa de David…”
A analogia concreta da chave é forte e intensa: Cristo como a Chave que abre e liberta porque existem fechaduras que não se abrem sozinhas. E o homem e a sua vida fazem muitas vezes parte dessas fechaduras.
Maria, Nicodemos, Simão, Mateus, a mulher samaritana, o cego de Jericó, os filhos de Zebedeu, os discípulos e apóstolos, os paralíticos e possessos são exemplos, no Evangelho, de fechaduras abertas. Aliás, o Evangelho é um imenso e expressivo entrançado de encontros e reencontros em que o Rosto de Deus se revela em Jesus Cristo. É a Chave de Jesus – a sua vida - que abre todas essas vidas fechadas.
Em Jesus o Reino aproxima-se definitivamente de nós. E a conversão a que somos chamados é simplesmente sair do “país da trevas” para entrar na Cidade Santa da Jerusalém celeste, a experiência da luz, a morada de Deus com os homens.
Fechaduras que, ainda hoje e a partir de Jesus Cristo, é preciso abrir, com a urgência e a emergência que tem a vida de cada pessoa, são:
* as perspectivas deformadas de si mesmo (dependências afectivas activas e passivas geram simpatias e antipatias nem sempre construtivas);
* as perspectivas deformadas da representação de Deus (não se pode reduzir Deus representando-o à imagem do homem e das suas necessidades; a “experiência de Deus?” não se reduz a uma mero sentimentalismo; quando alguém incoerente quer encontrar Deus apenas por si mesmo, acaba por reduzi-l’O a um estado de alma, um sentimento ou emoção; normalmente, uma pessoa incoerente nunca deixa Deus ter a iniciativa sem a controlar);
* as perspectivas deformadas no que respeita à relação com os outros (não é possível olhar para os outros apenas a partir das necessidades e conveniências próprias de quem observa e com as consequentes antipatias e invejas que se geram daí);
* as perspectivas deformadas no que diz respeito aos ideais de vida (não se pode olhar para a vida apenas a partir do sucesso pessoal constante).
Faz lembrar aquele livro “Cavaleiro da Armadura enferrujada” (de R. Fisher) que narra a história de um « cavaleiro que se considerava muito virtuoso, amável e dedicado. Fazia todas as coisas que fazem os cavaleiros virtuosos, amáveis e dedicados fazem […] Era um cavaleiro famoso pela sua armadura. Reflectia raios de luz tão intensos que, quando o cavaleiro partia para a batalha no seu cavalo, os aldeões juravam ter visto o raiar do sol a norte ou o ocaso a oriente» (p. 11). Mas por nunca querer tirar a armadura de guerra que aparentemente o protegia, deixou-se ficar prisioneiro dentro da sua “protecção” e da sua ferrugem. Aquilo que outrora o havia protegido, agora, e por ser mal usado, era a sua prisão. E fonte da sua infelicidade.
O Natal vem, precisamente, abrir, fazer abrir. Jesus, quando acolhido e amado, liberta-nos das prisões que nos impedem a felicidade. Deixá-l’O nascer dentro de nós (na nossa inteligência, na nossa vontade e no nosso amor) é abrir, sair de nós, ir ao encontro, crescer. Por isso a caridade, a solidariedade, a comum dignidade. Um Santo e Feliz Natal são os meus votos sinceros.
p. Emanuel Matos Silva
segunda-feira, dezembro 08, 2008
A Igreja coloca os olhos nos seus Seminários como tratando-se do seu próprio coração. Porque a vocação de cada padre que cresce no Seminário é sempre um mistério de amor e de fé, um verdadeiro milagre da confiança e da ousadia, um projecto da vida disponível e entregue nas mãos de Deus, tem um sentido profundo rezarmos pelos nossos Seminários. E tem sentido também, na comunhão e corresponsabilidade eclesiais, reflectir de que formas Jesus Cristo chama hoje ao seu serviço na Igreja.
Os Indicativos na nossa Diocese de Portalegre – Castelo Branco
Entre 1930 e 1939, quando o Seminário Diocesano conseguiu recuperar da extinção a que a que 1910 tinha conduzido, ordenaram-se 70 presbíteros na Diocese. Entre 1940 e 1949 ordenaram 45 presbíteros. Entre 1950 e 1959 ordenaram-se 55 presbíteros. De 1960 a 1969 ordenaram-se 47 presbíteros. De 1970 a 1979 ordenaram-se 8 presbíteros. De 1980 a 1989 ordenaram-se 8 presbíteros. De 1990 a 1999 ordenaram-se 18 presbíteros, e de 2000 a 2008 ordenaram-se 6 presbíteros[1]. Entretanto, dos 256 referidos presbíteros ordenados, muitos já faleceram e, mais recentemente, alguns pediram dispensa do ministério. Actualmente, segundo estatísticas, a Diocese conta com 91 presbíteros diocesanos incardinados e mais 13 presbíteros religiosos[2].
O mundo e o território geográfico e humano da Diocese não são os mesmos hoje e em 1930. Novos contextos políticos, sociais e eclesiais, escolas, vias de comunicação, meios de comunicação social, emigração, desertificação, diminuição e/ou deslocação das populações para os centros urbanos e para fora do território diocesano, diminuição da natalidade, abandono e/ou diminuição da prática religiosa, novos modelos de família, etc, são alguns dos elementos (comuns a todo o mundo) que criaram um novo contexto e novos desafios. E a Igreja, Sacramento de Jesus para o mundo, há-de valorizar estes desafios como oportunidades.
Das Comunidades para o Seminário
Tudo começa, podemos dizer assim, na forma como nascem e se compreendem as vocações. O ritmo e dinamismo são sempre os do chamamento/resposta e, portanto, de desafio, de transformação, de crescimento, de superação. A resposta segue-se ao chamamento. Não há oferecimento sem chamamento. Quem semeia com generosidade assim colherá. E, da mesma forma que ser padre é ministério de fé, o chamamento e a resposta são uma experiência de fé. E assim, é na Comunidade cristã viva e dinamizada pelos seus pastores que nascem e se podem desenvolver as vocações ao ministério do Padre na Igreja. A comunhão eclesial e presbiteral desperta sempre vocações. Ao contrário, o individualismo pastoral resulta sempre em “crises vocacionais”.
Neste contexto, chamando Deus ao Sacerdócio, o Seminário aparece então como um primeiro passo específico numa longa caminhada de atenção e disponibilidade à vontade de Deus. A sabedoria da Igreja, longa de séculos, assume a experiência da vida comunitária como meio de formação. É o tempo em que cada um se descobre mais a si e descobre os outros. Nesse sentido, o Seminário é a continuidade daquela comunidade que Jesus Cristo construiu com os Apóstolos e onde lhes ensinou a Palavra, a docilidade à vontade do Pai, o amor ao Povo que serviriam. É a comunidade onde Jesus ensinou os seus discípulos a abrir o coração a Deus e ao mundo. Sem essa experiência de comunhão com o Mestre e uns com os outros não seria possível a missão evangelizadora como missão de toda a Igreja.
Um Seminário, comunidade formativa, é por isso e sempre um presbitério (o conjunto dos padres com o seu Bispo) em gestação. A Igreja, aliás, toda ela, é fundamentalmente um mistério de comunhão. Cada seminarista, portanto, não se prepara sozinho para ser padre sozinho, mas prepara-se, desde já, no horizonte de toda a Igreja e do presbitério diocesano. Quando é ordenado padre é recebido como irmão pelos outros padres e acolhe-os no mesmo dinamismo fraterno na comunhão da Igreja diocesana e de toda a Igreja. O Seminário é, por isso, escola de presbitério, uma escola de comunhão, uma escola de Igreja. É uma fraternidade sacramental mais do que uma simples pertença comum.
Acção de cada cristão num projecto que é de todos
Partindo da oração pelos nossos Seminários e da reflexão acerca das formas pelas quais Jesus Cristo hoje chama em Igreja, que podemos fazer pelos nossos Seminários? Eis alguns desafios que cada Paróquia e / ou Comunidade cristã pode concretizar:
1. Partindo da Pessoa de Jesus Cristo, Luz dos Povos, fazer a experiência de Igreja que é comunhão de todos os baptizados como sacramento e sinal da unidade dos homens com Deus e dos homens entre si e fundamentar aí a sua missão de evangelização (LG 1);
2. Reflectir pessoal e comunitariamente o facto de que ser Igreja, pelo baptismo, é naturalmente ser vocação (vocação à vida – vocação à fé – vocação específica na Igreja) e estar disponível para o que Deus quiser;
3. Aprofundar pessoal e comunitariamente – com a possível dinamização do Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações e do Pré-Seminário – os conceitos de vocação bem como as implicações concretas das novas mentalidades e formas de vida na definição vocacional;
4. Promover uma estreita ligação e colaboração entre as Comunidades paroquiais e os diversos Secretariados, bem como dos Secretariados entre si. Promover, nomeadamente, uma ligação e colaboração forte com o Secretariado das Vocações e com o Secretariado da Juventude. O trabalho de evangelização dos jovens (pastoral juvenil) é todo ele vocacional (para as diversas vocações).
5. Valorizar a Liturgia da Paróquia – nomeadamente a Eucaristia e a Reconciliação - como contexto vocacional onde Deus fala e é acolhido e sublinhar verbalmente essa sua dimensão.
6. Valorizar e acompanhar os grupos de acólitos pela proximidade à celebração do Mistério da fé.
7. Promover, no contexto da Oração Universal da Eucaristia do Domingo, uma intenção pelas vocações, uma intenção pelos seminaristas e pré-seminaristas (fazendo alusão explícita aos da Paróquia ou dela conhecidos), uma intenção pelos sacerdotes … a par com todas as outras intenções.
8. Valorização dos textos bíblicos de cariz vocacional da Eucaristia (Dominical ou ferial) para sublinhar o chamamento de Deus ao seu serviço e a alegria de Lhe poder entregar a vida (momento de esclarecimento, testemunho e desafio pela alegria e sentido do ministério);
9. Referir e sublinhar o testemunho de Sacerdotes que tenham ajudado a construir a comunidade em que se celebra ou que tenham sido referência local (a sua santidade, o seu espírito de serviço e de ajuda …). Sublinhar, nomeadamente, o seu testemunho sacerdotal por ocasião das celebrações dos jubileus de Ordenação.
10. Sublinhar a naturalidade do “ser padre” num mundo onde todos querem que a sua liberdade seja respeitada. Como afirmava o Papa João Paulo II, “este é um tempo extraordinário para se ser padre”.
11. Contactar pessoal e directamente algum ou vários rapazes no contexto da Paróquia e dos seus grupos ou actividades (Acólitos, Grupos de jovens, Escuteiros, etc, etc)
12. Estabelecer contacto estreito com os serviços e instâncias diocesanas de acompanhamento vocacional e de ajuda no discernimento. Dar visibilidade nas comunidades aos programas de actividades da Pastoral dos Jovens e da Pastoral das Vocações e Pré-Seminário.
13. Promover encontros dos jovens da Paróquia (grupos ou movimentos) com os Seminaristas ou, inclusive, com grupos de Sacerdotes.
14. Encaminhar os rapazes que se interroguem vocacionalmente para o Pré-Seminário, actividades do SDPJuventude ou SDPVocações, de acordo com os responsáveis.
15. Ajudar, em alguns casos monetariamente (viagens), os jovens que desejem participar nos encontros do Pré- Seminário.
Rezar pelo Seminário é fazer-lhe sentir a proximidade da comunidade cristã e dizer-lhe que se compreende que o lugar dele é precisamente na comunidade cristã. Os cristãos, diz-nos o Livro dos Actos dos Apóstolos, eram unidos na oração, tinham tudo em comum. Por isso a oração pelos Seminário é uma experiência de comunhão da Igreja que se dirige a Deus como o seu Pai do Céu.
Faz bem ao Seminário sentir a presença da comunidade diocesana e das paróquias com seus padres, cristãos e religiosos. É aí que Deus chama e esse é o destino dos que são chamados. Faz bem ao Seminário, na partilha e na oração, sentir-se amado. E faz bem às comunidades sentirem o Seminário presente na sua vida de Igreja e conhecerem os rostos concretos daqueles que neles se prepararam para serem servidores do Povo de Deus como padres. A juventude do Seminário faz bem às comunidades e a história e fidelidade das comunidades a Deus desafia o Seminário.
p. Emanuel Matos Silva
[1] Dados fornecidos pelo Cónego Bonifácio Bernardo, Secretariado Diocesano da Pastoral
[2] Cf. Anuário 2007 da Diocese, p. 58.
quarta-feira, setembro 24, 2008
Programa 2008/09
Outubro 2008
12. Out. – Entrada solene de D. Antonino Dias na Diocese
18 e 19. Out. – Presença em Paróquias
25. Out. – Reunião com Párocos (I)
– Fim de tarde “Provocação” - Grupo de pesquisa e reflexão vocacional” (I) 26. Out. - Presença em Paróquias
Novembro 2008
9 a 16. Nov. – Semana dos Seminários
15 e 16. Nov. – Encontro de Pré – Seminário Diocesano
23. Nov. - Presença em Paróquias
29. Nov. – Fim de tarde “Provocação” - Grupo de pesquisa e reflexão vocacional” (II)
30. Nov. - Presença em Paróquias
Dezembro 2008
13 e 14. Dez. - Encontro de Pré – Seminário Diocesano
Janeiro 2009
10 e 11. Jan. - Presença em Paróquias 17 e 18. Jan. - Encontro de Pré – Seminário Diocesano
24. Jan. – Reunião com Párocos (II)
– Fim de tarde “Provocação” (Grupo de pesquisa e reflexão vocacional” (III)
25. Jan. - Presença em Paróquias
Fevereiro 2009
7 e 8. Fev. - Presença em Paróquias
14 e 15. Fev. - Encontro de Pré – Seminário Diocesano
Março 2009
7. Mar. – Fim de tarde “Provocação” (Grupo de pesquisa e reflexão vocacional” (IV)
8. Mar. - Presença em Paróquias
14 e 15. Mar. - Encontro de Pré – Seminário Diocesano: Retiro
28 e 29. Mar. - Presença em Paróquias
Abril 2009
5 a 12. Abril. Semana Santa e Páscoa da Ressurreição
25. Abril – Fim de tarde “Provocação” (Grupo de pesquisa e reflexão vocacional” (V)
26. Abril - Presença em Paróquias
Maio 2009
3 a 10. Maio – Semana de Oração pelas Vocações
9 e 10. Maio – Encontro de Pré – Seminário Diocesano
31. Maio – Peregrinação Diocesana ao Santuário de Nª Senhora de Fátima
Junho 2009
6 e 7. Junho – Simpósio Paulino (Coimbra)
13. Junho – Fim de tarde “Provocação” (Grupo de pesquisa e reflexão vocacional) (VI)
13 e 14. Junho - Encontro de Pré – Seminário Diocesano
20. Junho – Reunião com Párocos (III)
21. Junho - Presença em Paróquias
27 e 28. Junho - Presença em Paróquias
Julho 2009
11 e 12. Julho - Encontro de Pré – Seminário Diocesano e de admissão ao Seminário
Observações:
1. A “Presença nas Paróquias” é uma actividade de divulgação vocacional, participação na celebração da fé das Comunidades e contacto com grupos paroquiais;
2. Os “Encontros de Pré-Seminário Diocesano” destinam-se a jovens entre os 13 e os 17/18 anos e realizar-se-ão, em princípio, no Seminário de S. José em Alcains. No entanto, e mediante aviso prévio, o local pode ser alterado. É necessário, por isso, inscrição prévia (e.pro.vocacao@sapo.pt ou Tel. 917 097 173);
3. Os ‘Fim de tarde “Provocação” (Grupo de pesquisa e reflexão vocacional)’ são fins de tarde ou serões destinados a jovens entre os 17/18 e os 35 anos (rapazes ou raparigas) que se interrogam sobre a orientação da sua vida e desejam reflectir o que é uma vocação. Estarão em reflexão todas as vocações. Os encontros decorrerão na Casa Diocesana de Sta. Maria em Abrantes entre as 17h30 e as 19h30. Alguns dias integrarão o jantar. As inscrições podem ser feitas para e.pro.vocacao@sapo.pt ou Tel. 917 097 173.
segunda-feira, setembro 08, 2008
terça-feira, julho 01, 2008
segunda-feira, junho 30, 2008
segunda-feira, junho 16, 2008
a. Contente-se com o “satisfaz menos”
b. Dê-lhe carinhos “de segunda”
c. Ande sempre com ar deprimido
d. Transforme a família numa caixa de solidões
e. Repita-lhe mil vezes ao dia que nunca deve dar valor às coisas sérias demais ou que o “trabalho é bom para os outros”
f. Coloque a família sempre depois do trabalho
g. “Acorde” apenas quando ele já for grande
h. Não o repreenda nunca…
i. Superproteja-o
j. Descarregue-o sempre para os avós …
k. Encha-o de tudo o que ele quer
l. Dê-lhe o nome de uma moto
m. Venda-o ao sucesso desde pequenino
n. Faça-lhe crer que a vida é um paraíso
o. Deixe-o colado à televisão todo o dia
p. Crie-o numa estufa
q. etc[1]
[1] António MAZZI, Como estragar um filho em dez jogadas (Lisboa: Paulus, 2005) 89.
domingo, junho 08, 2008

A identidade do padre na Igreja
1. As afirmações fundamentais da Igreja
E todo o restante número 28 desta Constituição sobre a Igreja (Lumen Gentium) nos apresenta o padre na sua relação a Cristo à Igreja e, na Igreja - sinal e sacramento de Cristo - aos bispos, ao presbitério (irmãos padres) e ao povo de Deus.
O padre é, portanto, ministro de uma Igreja que é Sacramento de Cristo, Luz dos Povos, e que para se expressar na vida dos homens precisa de ministros que sirvam essa sacramentalidade.
Por isso mesmo, o decreto sobre o Ministério e vida dos sacerdotes (PO) afirmará, a certa altura, que os presbíteros [..] não poderiam ser ministros de Cristo se não fossem testemunhas e dispensadores de uma vida diferente da terrena, e nem poderiam servir os homens se permanecessem alheios à sua vida e às suas situações (PO 3). A sua vida transcorre, de facto, entre a convivência e a diferença.
2. Uma realidade cristã original
Desta forma o presbiterado (ser padre) surge, de facto, como uma realidade cristã original, interior à própria revelação e centrada sobre Cristo. Podemos então resumir algumas características da identidade e missão do padre segundo o pensamento da Igreja no Vaticano II:
2.1.Ser presbítero é realização, em nós, do Senhor Jesus, Cristo.
Ser presbítero é realização. em, nós do Senhor Jesus, Cristo. O seu ministério, se quisermos o seu sacerdócio, é o fundamento contínuo e continuado do nosso ministério e não apenas um primeiro elo de uma cadeia da qual todos faríamos parte:
- Ser padre é uma realidade que não tem apenas algo a ver com a celebração da Eucaristia, mas que está relacionada com a missão de toda a Igreja;
- A sua acção não se limita ao poder de consagrar o Corpo de Cristo (Eucaristia) mas alarga-se à acção em nome de Cristo, Cabeça da sua Igreja, seu Corpo eclesial.
- Os padres recebem a sua autoridade de Cristo, em Igreja, na criação dos grupos de apóstolos que são enviados em nome do mesmo Cristo; o padre participa na missão apostólica de toda a Igreja: ele conduz uma comunidade nascida da acção da Palavra de Deus
2. 2. Fazer com a nossa vida o que Cristo fez com a sua
Tendo vivido o seu ministério, o seu sacerdócio, não pela imolação de touros e cabritos, mas pela oblação de si mesmo o Ressuscitado dá a todos os cristãos a possibilidade de fazer o mesmo com a sua existência pessoal concreta [(Rom 12, 1-2) (falamos do sacerdócio baptismal)]. Mas é dentro desta possibilidade salvífica que o Ressuscitado dá a todos os cristãos a possibilidade de fazerem com sua vida o que Ele mesmo fez, que surgirá o que chamamos de sacerdócio ministerial (ministério ordenado ): na Igreja, alguns, entre muitos, são constituídos para o serviço de’ todos os outros.
Então, longe de se opôr ao sacerdócio dos baptizados, o presbítero permite a vivência dessa dimensão de toda a Igreja. Significa que as suas identidades (a dos baptizados e a dos ministros ordenados ) se reforçam mutuamente com a sua comunhão: a distinção une-as[1]. Estão ordenados um para o outro (LG 10). Então para que todos possam viver a sua dimensão baptismal é necessário que alguns sejam ministros. E a Ordem não significará nunca um degrau mais elevado de santidade em relação ao sacerdócio baptismal, mas apenas um caminho diferente:
- O ministério do padre não é, portanto, destinado apenas ao culto, mas sim ao apostolado que congrega numa mesma realidade o anúncio da Palavra, a celebração dos sacramentos e a condução pastoral. O verdadeiro sacrifício é o de se oferecer a si mesmo, o de dar a sua vida como oferta espiritual.
- O ministério do padre (presbítero) é um Dom de Cristo à sua Igreja. A ordem é recebida em Igreja por baptizados chamados na fé para um serviço específico na Igreja e como seu sinal;
- Os padres são unidos à missão dos bispos que é a mesma missão que eles receberam dos apóstolos;
- Nesse sentido, porque unidos e enquanto unidos aos bispos, os padres representam o Bispo e a Igreja Universal;
3. Evangelizar, conduzir e santificar
O ministério presbiteral é também o mesmo que Jesus entregou aos Apóstolos com a missão de evangelizar, conduzir e santificar. E isso significa que, na unidade de presbitério em comunhão com o Bispo, sucessor dos Apóstolos, o ministério ordenado se efectiva a maneira do ministério dos apóstolos, ou seja num dinamismo de evangelização e num Dom total de si mesmo. É assim que o sacerdócio não é um emprego, mas é um estado vida caracterizado pela consagração de si ao serviço evangélico dos outros:
- As tarefas que se impõem aos padre são as mesmas que se impõem aos bispos na continuidade da missão apostólica: pregar e anunciar o Evangelho, guiar o povo de Deus (Igreja) e celebrar o culto na Liturgia como sacerdotes o Novo Testamento, isto é, unidos a Cristo.
- É, portanto, toda a vida do padre - nas suas relações com as pessoas - que dá glória a Deus
Afirma a Igreja (PO 3) que os presbíteros não poderiam ser ministros de Cristo se não fossem testemunhas e dispensadores duma vida diferente da terrena, e nem poderiam servir os homens se permanecessem alheios à sua vida e às suas situações. O seu próprio ministério exige, por um título especial, que não se conformem a este mundo; mas exige também que vivam neste mundo entre os homens e, como bons pastores, conheçam aqueles que lhes estão confiados, para que também esses oiçam a voz de Cristo.
No seio de todo um Povo sacerdotal, de toda uma Igreja, os padres, somos ungidos de novo – porque o Senhor nos quer – para sermos mediadores do sacerdócio de Jesus Cristo, cabeça da Igreja. Somos diferentes e devemos aceitar que o somos porque o Senhor nos escolheu e nos colocou no mundo como sua presença particular para construção de toda a Igreja que é o seu Corpo[2].
E é aqui – neste ponto – que existe muito quem confunda a proximidade que o sacerdote, enquanto pastor, deve ter para com os homens e mulheres do seu tempo, na disponibilidade e simplicidade de vida, com o anular dessa diferença, igualando-o a todos os outros homens. É por isso que a frase tantas vezes ouvida que diz que o padre é um homem igual a tantos outros é perigosa e terrivelmente enganadora[3].
quarta-feira, junho 04, 2008

terça-feira, junho 03, 2008
“Não há nada mais prático
do que encontrar Deus;
ou seja, apaixonar-se por Ele
de um modo absoluto, até ao fim.
Aquilo pelo qual estás apaixonado
agarra a tua imaginação
e acaba por
ir deixando a sua marca em tudo.
Determinará
o que te faz sair da cama cada manhã,
o que fazes com as tuas tardes,
como passas os teus fins-de-semana,
o que lês,o que conheces,
o que te faz sentir o coração desfeito,
e o que te faz transbordar de alegria e gratidão.
Apaixona-te!
Permanece no amor!Tudo passará a ser diferente”.
Pedro Arrupe, sj (1907-1991)




