quinta-feira, julho 19, 2007

Vamos ler ...






Propostas de leituras para férias











Parei a olhar para eles

Parei a olhar para eles.
Trabalhavam assim, de noite, naquela rua isolada, em volta da persiana de ferro de uma loja.
Era uma persiana pesada: eles faziam alavanca com uma barra de ferro mas esta, nem se mexia.
Eu passava por ali, sozinho e por acaso. Agarrei-me também à barra a fazer força. Eles afastaram-se para me dar lugar.
Não se coordenavam os tempos; eu fiz: “Ooh,op!” O companheiro da direita deu-me uma cotovelada e baixinho:
“Cala-te! - disse-me - És doido! Queres que nos oiçam?”
Abanei a cabeça como que a dizer que não me tinha ocorrido.


Italo Calvino, Memória do Mundo



É contra mim que luto.
Não tenho outro inimigo.
O que penso,
O que sinto,
O que digo
E o que faço,
É que pede castigo
E desespera a lança do meu braço.

Absurda aliança
De criança
E adulto,
O que sou é um insulto
Ao que não sou;
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou.

Insatisfeito com loucura e sem loucura.
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido,
Nem convencido.
E agrido em mim o homem e o menino.

MIGUEL TORGA

Senhor,
no silêncio deste dia que nasce,
venho pedir-Vos a paz, a sabedoria, a força.
Quero olhar hoje o mundo
com os olhos cheios de amor.
Quero ser paciente, compreensivo, doce e sábio.
Quero ver os outros como Vós os vedes,
para lá das aparências,
e assim não ver em cada um mais do que o bem.
Fechai os meus ouvidos a todas as calúnias,
guardai a minha língua de toda a malevolência,
Que apenas os pensamentos que abençoem
estejam presentes no meu espírito,
que eu possa ser tão benevolente e tão alegre
que todos os que se aproximarem de mim
sintam a Vossa presença.
Revesti-me da vossa bondade, Senhor,
e que ao longo deste dia, na minha vida,
eu seja vossa manifestação.


Cardeal Suenens

quarta-feira, julho 18, 2007


Os Padres … Simplesmente!

- Porque é que um jovem hoje se faz Padre ?! -


Queiramos ou não, o mundo avança. E depende de nós que ele avance connosco ou sem nós. O que é um padre ? O que faz ? Para que serve ? São perguntas que podem incomodar, mas para as quais deve existir uma resposta que fuja às demagogias apologéticas (mesmo as pós-modernas) e, integrando o que é específico da fé, dialogando com a cultura de cada tempo, se afirme na credibilidade do seu conteúdo e do seu testemunho. A vocação dos padres está, por natureza, ligada à paternidade da fé e à constituição da vida da Igreja, Corpo de Cristo. O ministério dos padres recebe mesmo a sua razão de ser no serviço aos cristãos. Por isso a sua missão é complementar à de todos os cristãos na medida em que é sua função ajudar a que estes vivam a sua fé.

O padre é, por isso, alguém que se entrega a Deus por causa dos outros. De facto, o padre é um homem chamado para servir a fé e vivência cristãs de todos os outros homens e mulheres. A sua vida é isso: servir, ensinando, santificando e animando a fé de todos os outros homens e mulheres. Ou seja, o padre é alguém que está ao serviço da dimensão baptismal da vida de todos os crentes. Acreditou e falou!


Seminário – sementes a crescer

Se o ser padre é um serviço ao baptismo (à fé) de todos os cristãos, então o Seminário, enquanto tempo e espaço, é a experiência da continuidade da comunidade dos discípulos/apóstolos reunidos à volta de Jesus para com Ele aprenderem e por Ele serem enviados.
Sendo um tempo e um espaço de crescimento e formação tem uma identidade própria, meios e instrumentos, conteúdos e métodos próprios também. E tem, como todas as instituições de formação, um projecto que preside ao dia a dia: aquilo para que forma e prepara é para “ser padre na Igreja”. Ser padre “amanhã” na Igreja exige e proporciona uma formação “hoje”: dimensões humana (crescimento para a maturidade), académica (estudo e capacidade intelectual), comunitária (a capacidade de ser e formar comunidades), espiritual (o aprofundamento da fé e da relação orante com Deus), vocacional (o discernimento feliz da vocação), pastoral (diversidade de actividades que auxiliam a aprendizagem e autentificam o discernimento: paróquias, catequeses, retiros, grupos de jovens, sem-abrigo, hospitais, centros psiquiátricos, prisões, novas tecnologias, etc ).Tudo isso distribuído pela semana numa articulação entre dimensão individual e comunitária.
Hoje, na nossa diocese, quando um jovem sente o chamamento ao sacerdócio, o primeiro passo é o contacto com o pároco que o coloca em contacto com o Seminário. Primeiro fará uma experiência de pré-seminário, permanecendo em sua casa e participando em diversas e variadas acções de formação até 12º ano. Após o 12º ano é-lhe proporcionado um tempo de discernimento mais intenso que a nossa Diocese faz neste momento em Leiria juntamente com seminaristas de outras Dioceses. Após esse ano de formação e discernimento seguem-se seis anos de vida comunitária e de estudo da filosofia e da teologia respectivamente no Seminário e ISET de Coimbra.

Um dia no Seminário

O dia no Seminário começa cedo, mas nada de exageros.
- 07h30 – Oração da manhã
- 08h00 – Pequeno almoço
- 08h30 – Aulas e/ou estudo
- 12h30 – Almoço
- 14h30 – Aulas e/ou estudo (música, canto coral alguns dias por semana)
- 16h30 – Merenda
- 17h00 – Tempo de estudo (às 5ª e 6ª feira,tempo de formação espiritual, humana e
Prática ou reuniões gerais comunitárias com convidados)
- 19h00 – Eucaristia com oração de Vésperas
- 20h00 – Jantar
- 21h00 – Tempo de estudo (cinema, teatro, actividades …)
- 21h30 – Adoração eucarística (todas as quintas feiras)
- 23h30 – Oração individual da noite e descanso nocturno.

Os fins de semana, normalmente, articulam-se entre a colaboração em alguns serviços de evangelização, recolecções, retiros, estudo e formação específica.


No Seminário. Que padres e para que Igreja ?

Um padre não pode ser tudo aquilo que a chamada opinião pública lhe pede que seja. Tem que ser muito mais! É bom que corresponda a essas expectativas mas partindo do fundamento pelo qual se fez padre e ministro da Igreja. A sua vida e ministério não são apenas uma correspondência directa às expectativas das pessoas de quem se está ao serviço e, no entanto, ao mesmo tempo, têm de as integrar. Não sendo, necessariamente, um ministério de tensão, é, contudo e sempre, um ministério de proposta, de anúncio, de desafio, de confronto, de catequese, de evangelização. Mas em nome de uma verdade maior: a de Deus que chama e quer acolher cada homem. “Convivência” e “diferença” fazem parte do seu dia a dia.
Que padres e para que Igreja? Esta interrogação, sempre oportuna, pode esconder, no entanto, uma ilusão: a de querer formar padres de um outro tempo para uma Igreja também de um outro tempo, ou seja, pessoas em abstracto para uma Igreja em abstracto. Para que hipotética Igreja do futuro estaremos nós habilitados a estabelecer o modelo de padre apropriado? E quando chegasse esse momento não estaríamos novamente fora de tempo? Mais, formar um padre é apenas ensinar-lhe um serviço concreto? Não será antes ajudá-lo a desenvolver uma atitude fundamental segundo a natureza do ministério apostólico tal como a Igreja o vive? É que formar apenas para um serviço determinado e “ocasional” não habilita nem prepara para a adaptação e reacção à evolução dos costumes e da vida. É melhor então ajudar a formar a capacidade de mudar do que fixar pessoas em tarefas que, dez anos mais tarde, se manifestam obsoletas. A atitude fundamental, numa época como a nossa de mudanças rápidas e imparáveis, creio ser a de se deixar formar por Cristo desenvolvendo uma humanidade tão rica quanto possível para o serviço dos irmãos. É por isso que não existe um tipo único de padres, mas uma infinidade de dons que evoluem com o tempo e a idade. Haverá homens de estudos, homens mais contemplativos ou “retirados”, homens do contacto e da relação, homens da iniciativa prática, homens …Para serem padres é, necessário, precisamente essa atitude fundamental de receber de Cristo a sua missão (o desafio do fundamento espiritual da vida). Dizer que se recebe de Cristo significa que se recebe de Outro e não de si mesmo. E isso é verificável na capacidade de colaboração em Igreja, na aceitação dos irmãos, na aceitação de regras objectivas, na aceitação de meios de formação permanente, na aceitação da Igreja tal como ela é.
Então o desafio conjuga-se no presente. É hoje. É hoje que Cristo chama. Este é o momento em que se corresponde ou não. É o momento em que se evangeliza pelo acolhimento e proposta ou não. Hoje não temos centenas de seminaristas, hoje não se ordenam grupos de 10 ou 15 padres. É hoje que, pela atitude, é preciso concretizar a proposta.
O Seminário aparece então como um primeiro passo específico numa longa caminhada de atenção e disponibilidade à vontade de Deus. A sabedoria da Igreja, longa de séculos, assume a experiência da vida comunitária como meio de formação. É o tempo em que cada um se descobre mais a si e descobre os outros. A partilha e o “confronto” não são apenas um método psicológico, são a experiência que faz chegar à profundidade do coração.


Do Seminário para o Presbitério

Um Seminário, comunidade formativa, é sempre um presbitério (o conjunto dos padres com o seu Bispo) em gestação. A Igreja, aliás, toda ela, é fundamentalmente um mistério de comunhão.
Cada seminarista, portanto, não se prepara sozinho para ser padre sozinho, mas prepara-se, desde já, no horizonte do presbitério diocesano. Quando é ordenado padre é recebido como irmão pelos outros padres e acolhe-os no mesmo dinamismo fraterno. O Seminário é, por isso, escola de presbitério. É uma fraternidade sacramental mais do que uma simples pertença comum. Por isso o Decreto conciliar sobre O Ministério e a Vida dos Sacerdotes exorta os padres mais experientes a que recebam os mais novos como irmãos e os ajudem nos seus primeiros empreendimentos e encargos do ministério; esforcem-se por compreender a sua mentalidade, embora diferente, e ajudem com benevolência as suas iniciativas. Do mesmo modo, os mais jovens reverenciem a idade e experiência dos mais velhos, aconselhem-se com eles, colaborem de bom grado (PO 8).
As novas situações fazem despertar novas maneiras de estar e viver em Igreja. E no acolhimento em presbitério continua gradualmente a formação de cada padre iniciada no seminário. É melhor preparar para ser capaz de reagir em qualquer momento e circunstância do que preparar para reagir apenas a uma situação. Para preparar o futuro, o essencial é transmitir àqueles que o vão viver a coragem da verdade e do amor.
Os jovens que hoje são ordenados padres não estão livres de defeitos e fraquezas. Mas possuem também imensas qualidades. Eles sabem-no ou descobrem-no durante a formação.
Seria uma ilusão pensar que poderíamos ter, ao sair do seminário, padres perfeitos, com “certificado de garantia” para uns quantos anos. Por isso o desafio é sempre o de vivificar e optimizar a capacidade de responder ao chamamento de Deus com os meios de Deus. A formação permanente é um trabalho contínuo que deve ajudar cada um a reconhecer as suas fraquezas e as graças recebidas, a identificar os meios que Deus concede para trabalhar na correcção das faltas e purificação dos pecados, a ver e contemplar os lugares de alimento para o caminho a que é chamado. É muito mais do que um “emprego”.
Cada padre realiza o ministério de Jesus Cristo no meio do Corpo eclesial. É pela sua boca e pela sua vida que Jesus diz: Este é o meu Corpo entregue por vós. Mas quando o diz não fala apenas em lugar de Jesus, di-lo com a sua própria vida, fala na primeira pessoa. Cristo diz-Se pela sua boca e entrega-Se pelas suas mãos. O padre é, portanto, testemunha de uma unidade e de uma entrega cuja medida não é o seu gosto pessoal, nem as suas paixões, nem as suas ideias, mas sim aquela que Cristo quer. Como dirá S. Bernardo, a única medida do amor é não ter medida.


Uma Igreja universal: cool, comunitária, mística, muito in¸ nada pimba, típica, popular, erudita, jovem

Então, quando Cristo chama, não há que ter medo. É que Cristo que chama e quando chama também acompanha. E, quando somos capazes de confiar no seu chamamento e de nos oferecer com amor e gratuidade aos seus caminhos na Igreja, experimentamos uma força insuspeitada e um sentido de vida fabuloso.
Às vezes os lamentos ouvem-se mais do que a partilha da alegria do serviço. E quando passamos a vida a lamentar-nos de alguma coisa falta-nos o tempo para reflectir na forma de ultrapassar aquilo que é motivo do lamento: é esse mecanismo que eterniza, muitas vezes, os problemas. Não faltam vozes ainda hoje a apontar o dedo ao celibato eclesiástico ou religioso, a definir como antiquada a estrutura institucional da Igreja, a colocar a autonomia subjectiva contra o preceito da obediência ou da pobreza, etc. E adjectivando tenebrosamente estas realidades fabricam medos.
Mas, se falarmos em bondade, sinceridade, fortaleza de alma, constância, cuidado assíduo com justiça, delicadeza, verdade, integridade, harmonia, capacidade de relação, alegria no que se faz, etc, etc, talvez a questão não se ponha. Pois então podemos dizer que o celibato, a obediência, etc … são tão somente outros nomes para definir uma identidade vocacional específica na Igreja, mas que assenta numa personalidade feliz e equilibrada, numa personalidade que se quer íntegra e com harmonia. Celibato, obediência e pobreza, com estes ou com outros nomes, são sempre expressões do amor que costumamos definir como sentido da vida. Cristo não tira nada, Ele dá tudo. Há uma riqueza imensa na vida de um celibatário, como há uma riqueza imensa na vida de um casado. O absoluto não se reduz ao estado de vida. O estado de vida, esse sim, é caminho para o Absoluto. E há tantos caminhos.
Dizer mal da Igreja e, nas nossas comunidades, dizermos mal uns dos outros não nos deixa tempo para dizermos bem de Cristo e construirmos um Igreja boa e santa. E cansa muito. O desafio é ser feliz, construir a felicidade à sua volta e dizer: venham ver como somos felizes por termos Jesus Cristo à nossa frente a chamar-nos como projecto de vida.

Ninguém aceita hoje projectos que não tenham uma identidade forte. E ser matrimónio cristão, ser padre, consagrado/a, religioso/a tem, sem dúvida uma forte identidade e um imenso projecto. Jesus Cristo, sempre como Fonte renovadora da vida. O que somos “desafia” muito mais do que o que dizemos.
p. Emanuel Matos Silva

domingo, julho 15, 2007


"Missa Nova"
e
50 anos de Sacerdócio
O mais novo Padre da nossa Diocese (Padre Alberto Jorge Tapadas) celebrou a sua chamada "Missa Nova" dia 14 de Julho na Comenda pelas 17h00. À Eucaristia celebrada, e que tradicionalmente chamamos de "Missa Nova", o Padre Alberto definiu como uma Eucaristia de acção de graças por todos os dons que Deus não Se cansa nunca de conceder a toda a humanidade pelas mãos e vidas dos seus sacerdotes.
À Eucaristia associou-se o P. António Lobato Novo, Pároco da Comenda, que neste preciso dia 14 de Julho fazia 50 anos de Ordenação Sacerdotal.
Estiveram presentes muitos colegas do P. Alberto e do P. António Lobato Novo. Foram momentos de muita alegria para a Comunidade da Comenda bem como para todos quanto ali se deslocaram neste dia.
É de sublinhar ainda que neste dia 14 de Julho celebraram 50 anos de Sacerdócio, além do já referido Padre António Lobato Novo, mias três Sacerdotes da nossa Diocese: o Padre António Nuno, que ultimamente tem desenvolvido o seu minsitério em Portalegre; o Padre António Neto que, ultimamente, tem desenvolvido o seu ministério no Estreiro; e o Cónego Victor Vaz que é Pároco de Monsanto.
A todos o SDPVocações agradece o testemunho de uma vida dedicada a Deus e à sua Igreja. E a todos também o SDPVocações deseja as maiores bênçãos de Deus e ofererece a certeza da oração.

quarta-feira, julho 11, 2007



Padres radicais no Zêzere


Os padres mais jovens da Diocese de Portalegre - Castelo ( Padres Nuno Folgado, José António, Virgílio, Ilídio, José Cardoso, Adelino Cardoso, Paulo Henriques, João Maria, António Castanheira) e os seminaristas mais velhos (Daniel, Gilberto, Nuno e Jorge) viveram esta manhã do seu dia semanal de descanso de uma forma diferente, praticando desportos radicais. A eles se juntaram para o almoço em Constância outros colegas padres (Padres Rui Rodrigues, José Afonso, Francisco Valente, Emanuel Silva, Amândio Mateus e Cónego José Maria) bem como o Diácono Victor da Comunidade de Montalvo.
A descida do rio Zêzere em caiaque (kayak) é considerada "mais uma aventura, com um misto de emoção e a intenção de "viver uma manhã de convívio entre todos e com muita alegria". Gerações, épocas e, em alguns casos, Seminários e Paróquias diferentes, mas uma identidade comum que gera fraternidade e congrega naturalmente para o encontro.
O grande promotor do encontro, o Pe. Adelino Cardoso, explica que, mais do que nestas actividades, "a nossa radicalidade passa em primeiro lugar pela opção de vida que tomámos e pelo anúncio diário do Evangelho". Momentos como este fortificam os laços e estreitam a comunhão fraterna.

segunda-feira, julho 09, 2007



"PRÉ - SEMINÁRIO"
Inscreve-te
- recebe os nossos mail's, participa nas nossas actividades e encontros -
Nome ..............................................................................................................
Morada ...........................................................................................................
........................................................................................................................
Data de nascimento....../..../......
Ano escolar................................
Paróquia ........................................................................................................
Tem alguma actividade na Paróquia? Qual?................................................
Telefone..................................
E-mail.....................................
Contacta-nos aqui (www.provocacao33.blogspot.com) e em e.pro.vocacao@sapo.pt ou 917 o97 173

domingo, julho 08, 2007


"ATREVE-TE"
No fim do encontro
o desafio continua a ser forte!

No alpendre do Seminário

Está um pouco tremida ... a foto, mas amúsica não!

Eles puseram muitas pistas
E quem sobe ... tem de descer...

Lá no alto do Castelo ... já noite ... e uma paisagem espectacular

E
Monsanto ali à espera...


" Atreve-te"
6, 7 e 8 de Julho de 2007
- um êxito a repetir -
Aconteceu nos dias 6, 7 e 8 de Julho o encontro "Atreve-te", proposta aos jovens com mais de 14 anos de um fim de semana com os Seminaristas da nossa Diocese em ritmo de encontro vocacional e de pré-seminário. E foi um êxito.
Embora com uma participação menor às expectativas e inscrições o encontro "Atreve-te" foi um forte e significativo momento de descoberta do que significa ser discípulo de Cristo.
Na noite de sexta-feira fizémos uma caminhada até ao cimo do Castelo em Monsanto seguindo os passos do Apóstolo Pedro nas suas certezas e dúvidas acerca de Jesus Cristo. Foi um momento de extraordinária beleza e camaradagem. Em pequenos grupos de dois lá se foram descobrindo as pistas que conduziam à Igreja de Santa Maria do Castelo, no local mais elevado de Monsanto.
Apenas um aspecto negativo marcou esta actividade: mesmo no fim da actividade, lá no cimo do Castelo, um dos participantes foi mordido por um pequeno escorpião que não gostou lhe invadissem o espaço! Mas tudo correu bem depois de uma passagem pelas urgências do Hospital de Castelo Branco.
O sábado foi dia de descoberta de cada um. Depois de um tempo de oração fez-se uma "recordação da história de cada um" e foi bom, individualmente, perceber como é que cada um se "atreve" ... ou não!!! A Eucaristia, ao fim da manhã, foi momento forte de "alimento" na caminhada de reflexão.
Com esta chave do atrevimento e da ousadia, da confiança e da fé reflectimos a figura de Nossa Senhora que sempre será para a Igreja, e para cada discípulo de Cristo, uma expressão de radical confiança em Deus (o tal "atrever-se").
À tarde, uma reflexão conjunta sobre como o "atrever-se" faz crescer, fez com que se partisse do filme "Idade do gelo 2". Foi um momento de muito boa disposição mas também de profunda reflexão. E reflexão foi o que aconteceu logo após o lanche quando cada um foi convidado a perceber nas personagens do filme expressões de "atrevimento". E, claro, rápido surgiram os exemplos conduzindo todos eles à experi~encia da alegria, da felicidade, da amizade.
À noite rumámos até à Paróquia da Comenda de onde é natural o Padre Alberto, ordenado padre no último e passado dia 1 de julho. Na Comenda a ocasião é de festa perla ordenação do Padre Alberto mas também pelos 50 anos de sacerdócio do Pároco, o Revmo Padre António Lobato Novo. E foi aí, na Comenda, que desenvolvemos uma actividade subordinada ao tema "O que é isso de ser Padre?!". Foi um momento óptimo de reflexão com a Comunidade Paroquial da Comenda que terminou com um beberete que o P. Alberto e sua família nos ofereceram.
O Domingo é um dia especial na vida de cada cristão. E foi com essa consciência que o iniciámos em oração. Depois tentámos perceber como podemos comprometer-nos na "resolução" dos problemas. E fizemos a experiência do que é acolher os desafios dos outros e colaborar com eles. Preparámos, depois, e celebrámos a Eucaristia, um forte momento de comunhão e, finalmente, almoçámos. E foi em ambiente de festa que terminámos este encontro desejando já a concretização dos encontros que a partir de Outubro próximo o SDPVocações organizará.
É de sublinhar ainda que durante toda a tarde de sexta feira e sábado de manhã estivemos acompanhados pelo Senhor D. José Francisco, Bispo da nossa Diocese que nos dedicou propositadamente este tempo. Falou, rezou e reflectiu connosco testemunhando-nos a sua fé e a sua alegria.

terça-feira, junho 26, 2007


Fazer o que se Gosta ou Gostar do que se Faz?
Fazer o que se gosta ou gostar do que se faz? Pode parecer o mesmo, mas é bem diferente. Já santo Agostinho dizia que o segredo de uma vida feliz estava em gostar - e aprender a gostar - de fazer aquilo que se tem que fazer e que é a nossa missão. Quem só faz aquilo de que gosta, limita-se a seguir os seus apetites e fica criança mimada. Nem é feliz, nem se pode contar com ele.
Padre Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'


JESUS CRISTO E A IGREJA
- a tua vida em boas mãos -
O Alberto (ao centro) com seus pais e irmãos
____________________________________
- PADRE -

PORQUE O MUNDO

TEM NECESSIDADE DE AMOR,

PADRE, UMA VOCAÇÃO!
_____________________________

É já no próximo domingo, dia 1 de Julho, pelas 17h00, na Sé catedral de Portalegre que o Alberto Jorge Tapadas, da Paróquia da Comenda e da nossa Diocese de Portalegre - Castelo Branco, vai ser ordenado Padre.
Este é um momento importantíssimo na vida da nossa Diocese. Um jovem que, faz já alguns anos entrou no Seminário e aí fez a sua caminhada de convívio com Jesus Cristo, oferece a riqueza da sua vida e da sua pessoa a Jesus Cristo e à Igreja por amor da humanidade.
Não há melhor maneira de agradecer os dons que nos dão do que aceitá-los com alegria e simplicidade. E por isso aí está: "Tomai Senhor tudo ... vós mo destes ... a Vós o restituo. Fazei de mim o que quiserdes" parece rezar neste momento o Alberto.
No próximo dia 14 de Julho será a chamada "Missa Nova" na Comenda. Mas, neste dia, a toda a alegria que já se vive naquela Comunidade pelo Dom de um novo Sacerdote, junta-se ainda outro motivo de festa: o Pároco da Comenda, o Revmo. Senhor Padre António Lobato Novo, celebra 50 anos de Sacerdócio. É bonito ver a dedicação de 50 anos e a entrega da juventude num acto comum de celebração de fé e de reafirmação da confiança total em Deus. É bonito ver 50 anos de Sacerdócio desabrocharem na ajuda à concretização e efectivação de uma nova vocação ao Sacerdócio.
Rezemos todos por ambos, pelas suas famílias e pelas suas comunidades, os berços onde nasceram e se fizeram homens, os caminhos onde descobriram Deus e se Lhe entregaram.



O Seminário, qualquer que ele seja, é a continuidade da experiência que os Apóstolos fizeram junto de Jesus Cristo: ouviram as suas Palavras e perceberam os seus gestos, aprofundaram o sentido das suas vidas e perceberam a finalidade das suas existências, aguardaram a força do Espírito Santo para fazerem das suas vidas aquilo que Jesus já tinha feito com a sua própria vida: dom de si para que muitos sejam felizes. O Seminário é tempo e espaço de convívio com Jesus e por isso, de aprender com Ele.

terça-feira, junho 19, 2007

"Atreve-te"

Encontro Vocacional e Pré-Seminário para rapazes a partir dos 14 anos

Um fim de semana com os Seminaristas da nossa Diocese, no Seminário de Alcains, nos dias 6, 7 e 8 de Julho (17h00 do dia 6 até às 15h00 do dia 8 julho).


6, 7 e 8 de Julho

Inscreve-te:
e.pro.vocacao@sapo.pt
917 097 173

(Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações de Portalegre – Castelo Branco)
Visita ao Lagra de varas
CRISTO'SFERA

segunda-feira, junho 18, 2007

E foi o almoço




CRISTO'SFERA

16 e 17 de Junho 2007



domingo, junho 17, 2007


CRISTO'SFERA


- Visita à Ermida de Nossa Senhora do Almortão -

CRISTO'SFERA
Encontro Vocacional e Pré-Seminário
16 e 17 de Junho de 2007
Seminário de S. José - Alcains




Visita a Idanha-a-Velha

Cristo'sfera
Encontro vocacional
- Pré - Seminário -
Seminário de S. José, Alcains, 16 e 17 de Junho 2007






Aconteceu este fim de semana (16 e 17/06/2007), como estava previsto, o CRISTO'SFERA. Se atmosfera é tudo o que nos rodeia e interfere connosco, o que respiramos, o que vivemos e nos faz viver, então Cristo'sfera significa que também Cristo está em todo o lado e nos faz viver. Foi esse o tema desta encontro.
Iniciámos o dia 16 pelas 10h30, feitas as apresentações, com uma "leitura demorada" dos jornais diários e semanários para tentar ver e perceber notícias que se referissem à necessidade de acreditar, à necessidade de esperança para viver, à necessidade de fé e, objectivamente, à Pessoa de Jesus Cristo. E deparámos com um "mundo cheio de expressões de fé" mesmo que, muitas vezes, confessando-se a par como ateu e/ou agnóstico.
Após um breve momento de oração aconteceu o almoço e saímos imediatamente em diracção a Monsanto. Esperáva-nos uma actividade de exterior "À procura de Cristo". Por indicações sms tínhamos de encontrar uma Cruz de madeira que nos correspondia e que estava inacabada. A intensa chuva impediu a actividade no exterior mas não nos impediu de rumarmos a Idanha-a-Velha onde visitámos a Catedral, Baptistério e demais espaços, nem nos impediu um momento de oração na Ermida de Nossa Senhora do Almortão onde também merendámos.
Findo o "percurso" voltámos ao Seminário e aí procurámos então e encontrámos as nossas "Cruzes" depois de termos feito uma uma incursão na WEB para vermos como aí está presente a Pessoa de Jesus Cristo. E foi uma imensa surpresa.
Depois de um tempo breve de oração jantámos e à noite, contextualizado por diálogo e convívio, vimos o filme "Favores em Cadeia". A seguir ... dormimos!
O dia 17 começou a boas horas. Eram 09h00 quando nos reunimos ao pequeno almoço seguido de oração da manhã. Logo de seguida fomos aos jornais diários ver o que Jesus Cristo poderia fazer nos acontecimentos do mundo de hoje. Fomos "desafiar o mundo a respirar Jesus Cristo". E foi óptimo. Seguiu-se a Eucaristia, em ambiente sereno e familiar, e aconteceu o almoço findo o qual e feitas as devidas arrumações nos despedimos do P. António Castanheira, responsável do Seminário, que sempre nos acolhe com muita amizade. Ficou em todos a firme vontade de não faltar ao próximo encontro.

sexta-feira, junho 01, 2007



Olá!!!
Queremos dizer-te
uma
coisa:
"Cristo chama-te"!
Junta-te a nós!

quinta-feira, maio 31, 2007

"Cristo'sfera"
Encontro para rapazes a partir dos 14 anos
16 e 17 de Junho de 2007
Inscreve-te:
917 097 173


"Rosa dos Ventos"
Encontro Vocacional
Seminário de Alcains, 19 de Maio de 2007

Foi no passado dia 19 de Maio, um Sábado cheio de sol e de calor, que se realizou no Seminário de Alcains o encontro "Rosa dos Ventos" que contou com dez participantes além da Equipa da pastoral Vocacional.

O tema "Rosa dos Ventos" foi o pano de fundo num dia em que os trabalhos se ditribuiram por reflexão, convívio, visita ao museu do Canteiro e partilha de experiências.

Estiveram presentes durante todo o dia o Miguel (de Nisa), o Ricardo (de Ponte de Sor), o Filipe, o Nuno, o Igor, o Davide e o Luís (da Sertã) além do João e do Pedro (de Alcains) que só participaram nos momentos da manhã.

No fim do encontro, com avaliação positiva, ficou o desafio para a participação num novo encontro ("Cristo'sfera") nos próximos dias 16 e 17 de Junho também no Seminário de Alcains.


segunda-feira, abril 02, 2007


Vem sentar-te à mesa com Jesus

"Cristo está cá e chama-te" (Jo 11)

Já alguma vez te sentiste inquieto com o que Jesus te pede? E não gostarias de estar mais próximo d'Ele e de compreender melhor a sua Palavra? Não gostarias de descobrir melhor o que Ele te quer?
Ao longo de 2000 mil anos houve milhares e milhares, muitos milhares, de homens e mulheres que sentiram o chamamento e decidiram dedicar as suas vidas a Jesus e ao anúncio da sua Palavra. Acreditaram num mundo mais humano, mais justo ... mais bonito. Acreditaram que o amor com que Jesus viveu e chamou cada um dos seus discípulos a viver faz o mundo melhor e faz os homens entenderem melhor a vida.
Hoje Jesus continua a chamar. E o mundo também continua a ter necessidade de amor.
Não queres juntar-te a este projecto de Jesus?!

Vem, não tenhas medo!

Jesus dá sempre força
para fazermos o que nos pede!

Mas, claro, também conta
com a nossa vontade e a nossa liberdade!
Senão nunca seríamos felizes!

Não queres experimentar?
Vem sentar-te com Jesus à mesa!

Vem! Não tenhas medo!

Inscreve-te e participa:
Vai ser "bué d'a giro"


"Rosa dos Ventos" - Encontro vocacional de reflexão para rapazes a partir dos 14 anos no Seminário de Alcains, dia 19 de Maio das 10h00 às 18h00.

"Cristo'sfera" - Encontro vocacional de reflexão para rapazes a partir dos 14 anos no Seminário de Alcains, dia 16 e 17 de Junho (10h00 de sábado até às 14h30 de domingo).

"Atreve-te!" - Um fim de semana com os Seminaristas da nossa Diocese, no Seminário de Alcains, nos dias 6, 7 e 8 de Julho (10h00 do dia 6 até 15h30 do dia 8 julho).

Inscreve-te!

Envia os teus dados (nome, idade, morada, telefone, e-mail) para
e.pro.vocacao@sapo.pt ou deixando mensagem (escrita ou falada) em 917 097 173.

Esperamos por ti!

"Vem sentar-te com Jesus à mesa"


Viver e celebrar a Páscoa


A tradição da Igreja sempre interpretou a Páscoa como “passagem”. E sempre a “passagem” teve diversos sentidos:
- passar sobre (hyperbasis): quando fala de Deus ou do seu anjo que passa sobre as casas dos judeus sem os ferir
- passar através de (diabasis): quando o povo passa do Egipto para a Terra Prometida
- passagem para o alto (anabasis): quando o homem passa das coisas terrenas para as coisas do céu
- passagem para fora (exodus): quando o homem sai da escravidão do pecado
- passagem para diante (progressio): quando o homem progride no caminho da santidade.

Na base da ideia da Páscoa está, portanto, a ideia de uma passagem: da morte para a vida. É algo que se evoca como provisório e transitório, algo que é preciso ser ultrapassado. E só é possível parar quando se chega à plenitude, quando se chega à Parusia. Como disse Sto Agostinho, num dos seus comentários ao Evangelho de João (55, 1 in CCL 36, pp463) a Páscoa é passar para aquilo que não passa.
E, de facto, se virmos à nossa volta e bem dentro de nós, tudo passa. Mas, diante deste tudo que passa, há Alguém que não passa: Deus, o Amor de Deus.


O homem é frágil, passa, é transitório. Deus não passa, não é provisório, não é transitório. Por isso a Páscoa é passar para o que não passa nunca: Deus.

Diante desta passagem podemos reflectir a morte de Cristo como uma passagem: e só passa quem se entrega na liberdade e na obediência. O Pai entrega-Se novamente e entrega o Filho e o Filho entrega-Se ao Pai e à humanidade.
Então, em Cristo, todos passamos, todos vivemos a passagem que é a Páscoa. A humanidade está representada no Adão da queda e está, sobretudo, representada no Jesus Cristo da redenção. Cristo morreu pelos nossos pecados e a essência da sua missão pode centra-se aqui: morreu por nós.

Este “por nós” não significa uma substituição penal ao estilo de vítima que entregámos por nós. Este “por nós” é “em nosso favor”. Se quisermos é o essencial da nossa oração: Cristo repete-se no coração de cada um de nós.

domingo, abril 01, 2007




Páscoa
- Jesus não está morto -
(Jo 20, 1- 18)


Do Mistério Pascal nunca se diz o suficiente. Mistério Pascal não é apenas uma ideia, uma doutrina ou uma espécie de lei ou instituição. O Mistério Pascal tem o seu núcleo na Pessoa de Jesus Cristo, morto e ressuscitado.
É como nos diz o Papa Bento XVI, no início da fé não está uma teoria ou uma decisão ética, mas um encontro com uma Pessoa, Jesus Cristo.


1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus bem de madrugada, quando ainda estava escuro. Ela viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2 Então saiu a correr e foi ter com Simão Pedro e o outro discípulo que Jesus amava. E disse-lhes: «Tiraram do túmulo o Senhor e não sabemos onde O colocaram».3 Então Pedro e o outro discípulo saíram e foram ao túmulo. 4 Os dois corriam juntos. Mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5 Inclinando-se, viu os panos de linho no chão, mas não entrou. 6 Então Pedro, que vinha atrás, chegou também e entrou no túmulo. Viu os panos de linho estendidos no chão 7 e o sudário que tinha sido usado para cobrir a cabeça de Jesus. Mas o sudário não estava, com os panos de linho, no chão; estava enrolado num lugar à parte 8 Então o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também. Ele viu e acreditou. 9 De facto, ainda não tinham compreendido a Escritura que diz: «Ele deve ressuscitar dos mortos». 10 Os discípulos, então, voltaram para
casa.
11 Maria tinha ficado fora, a chorar junto ao túmulo. Enquanto ainda chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12 Viu então dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus tinha sido colocado, um à cabeceira e outro aos pés. 13 Então os anjos perguntaram: «Mulher, porque choras?» Ela respondeu: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O colocaram».14 Depois de dizer isto, Maria virou-se e viu Jesus de pé; mas não sabia que era Jesus. 15 E Jesus perguntou: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Maria pensou que fosse o jardineiro e disse: «Se foste tu que O levaste, diz-me onde O puseste para eu ir buscá-l'O». 16 Então Jesus disse: «Maria». Ela virou-se e
exclamou em hebraico: «Rabuni!» (que quer dizer: Mestre). 17 Jesus disse: «Não Me segures, porque ainda não voltei para o Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: "Subo para junto de meu Pai, que é vosso Pai, de meu Deus, que é o vosso Deus"». 18 Então Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Eu vi o Senhor». E contou o que Jesus tinha dito.




1. As aparições do Ressuscitado
As aparições do Ressuscitado, como no-las referem os evangelistas, têm todas um esquema comum:
a) uma situação de medo, de falta de fé, de tristeza.
Maria Madalena chora; os discípulos de Emaús estão tristes; os Apóstolos no Cenáculo estão cheios de medo.

b) Jesus aparece e não é reconhecido imediatamente. No entanto, Jesus pergunta, interroga e interpela: porque choras; que se passou?; Onde vais?

c) Em cada aparição produz-se uma revelação de Jesus. Maria Madalena reconhece-O quando Ele chama, os disc. Emaús, fazem-no a partir do pão, outros(João) a partir do barco no lago: “É o Senhor”

d) Conclui-se sempre com uma missão como responsabilidade. A aparição não é apenas um consolo para a pessoa a quem Jesus aparece. Jesus entrega sempre uma missão: anunciar e partilhar a alegria.

Vamos então olhar para Maria Madalena. Podemos dividir o texto em três momentos:

1) Porque choras ? Quem procuras?
Nestas duas interrogações se resume o que Jesus nos diz a cada um de nós. Jesus faz-nos sempre uma interpelação directa. Porque choras? Porque estás triste? O que te falta? O que queres que te faça ? O que temes?
E, logo de seguida, a interrogação “ O que procuras ?” que é como quem pergunta “o que estás afazer para sair dessa situação ?”.

2) “Levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram”
Si nal da ausência de Deus como experiência de maturidade. É como quem diz “não me falta outra coisa senão Vós Senhor”.

3) “Maria foi e anunciou a seus irmãos: Vi o Senhor”
A ressurreição implica um reconhecimento. Reconhecer o Senhor na fé. Vê-l’O de outra maneira ou de outra forma.
E esse re-conhecimento é um renascimento para a vida nova que Jesus vem trazer.

2. Encontro com Jesus a caminho de Emaús (Lc 24, 13-35)
A Páscoa é tempo do reencontro do homem com Cristo. Uma relação que nem a morte foi capaz de destruir. Aquele que morrera está vivo e é reconhecido. E é a partir daqui que se desenvolve a Cristologia do Novo Testamento: da proclamação do Ressuscitado à confissão do Filho de Deus. Verdadeiramente este era o Filho de Deus como exclamou o Centurião que acompanhou a morte de Jesus.

Para os Judeus (e esse é o contexto das Escrituras) a morte possui um significado profundíssimo. É um acontecimento temporal. Morrer é expirar o último sopro (espírito), mas é também entrar na habitação dos mortos (Shéol). Por outras palavras, morrer é passar a “viver” a “vida” (existência) dos mortos. A morte pode, portanto, identificar-se com uma prisão na habitação da morte.
Esta leitura judaica da morte aplica-se à morte de Cristo: é na Cruz que Jesus morre, no preciso momento em que entrega o espírito (sopro), e “desce” à morada dos mortos.

Nesse sentido Jesus conheceu a morte em toda a sua dimensão, em toda a sua verdade. O mesmo é dizer que a morte experimentada por Cristo é o realismo da sua encarnação a acontecer. Jesus Cristo passa por tudo aquilo que passam os mortais.

Conhecer a morte com todas as suas angústias é, pois, algo não redutível às dores físicas da Cruz, ainda que intensas e destruidoras da vida biológica. Morte é muito mais. A morte não é necessariamente um lugar de tortura, mas mais um lugar de profunda desolação, de distanciamento dos homens (na medida em que já não se habita a terra) e de Deus (na medida em que possivelmente ainda não se está no “Céu”).

E quando o homem, ser de diálogo e de encontro, ser que se constituiu na relação, não está capaz de viver dessa fonte, num trágico opaco sem horizonte de saída, está a “habitar o lugar da morte”. E esse pode ser um estado prolongado ou prolongável.

É este lugar em que reina esta morte que Cristo faz a experiência de habitar. Cristo vive a vida dos homens como homem-com-os-outros-homens. Sem iludir aquilo que, realmente, é ser homem, Cristo vive esta sua vida até ao seu final na morte. Essa é a densidade da encarnação.

A Ressurreição de Cristo tem, portanto, de ser entendida a partir desta experiência de morte. Jesus não ressuscitou como se não tivesse conhecido a morte na sua totalidade. É desse lugar, lugar do poder da morte (onde a morte exerce a sua força e o seu domínio, e onde gera a incapacidade para a vida como continuidade experimentada e sofrida) que Jesus vai ser ressuscitado.

Ressuscitando, portanto, Cristo liberta-Se da habitação dos mortos. Liberta-se da morte que realizou na Cruz. Ou seja, venceu a morte no seu próprio domínio, o domínio da morte (o lugar da morte).

Mas a ressurreição não é apenas a passagem do sepulcro para a terra, um “voltar atrás ao mundo”. Ressurreição é uma acção de Deus que arranca Cristo da morte total (metafísica, teológica, existencial) e não apenas da morte biológica.
Cristo liberta-Se de entre os mortos. A sua contínua relação com o Pai que, também continuamente O gera, não permite que permaneça do lugar dos mortos. Provocará sim, pela relação ao Pai, no Amor que é o Espírito (relação que é constitutiva da sua Pessoa) uma abundância de Vida que a morte não comporta. Por isso a morte é destruída na sua própria habitação. Cristo vence a morte e não apenas a sua morte.

A esta luz, o sentido da paixão e da morte de Cristo na Cruz apenas se pode encontrar na profundidade de um caminho de fé. Em termos simplesmente humanos, a Cruz tem uma objectividade que a torna impenetrável: objectivamente Jesus Cristo é um condenado, um maldito segundo as leis do tempo. E a cruz pode acabar por se tornar num final fracassado de uma história de messianismo.

Frente à crueza de um símbolo objectivo (uma Cruz), o olhar de fé faz ver a Cruz não como princípio de morte, mas como princípio de vida. Na medida em que ela encerra a exemplaridade de Jesus Cristo (transformar a morte e o seus princípios em vida e princípios de vida - do ódio e da violência ao amor e ao perdão...) a Cruz é motor transformador da História e de todas as histórias da história humana [1].

Se olharmos para o facto de que os princípios de violência acabam sempre por provocar uma violência maior, sabemo-lo por experiência e observação, concluiremos que Jesus Cristo contrariou essa lógica de existência quase retributiva.
Jesus Cristo transformou a morte física e toda a morte (feita de exclusão, de traição dos seus amigos, de vingança, de indiferença, de ignorância, de poder sobre o inocente, de vontade de eliminar o inocente) em anúncio de Boa-Nova (anúncio de vida e de perdão, anúncio de uma nova justiça e nova ordem de coisas, uma nova lógica).

A Ressurreição é, então, a confirmação, da parte de Deus, do testemunho de Jesus Cristo. É um rompimento radical com a lógica do genocídio, da mortandade, da vingança, para afirmar radicalmente a vida e as suas consequências.

No acontecimento da Ressurreição há, portanto, uma absoluta novidade que se afirma. Se repararmos no episódio da expulsão dos vendilhões do templo por Jesus, encontramos aí a significação das razões humanas que levaram à morte de Jesus numa Cruz. Ele contrariou uma lógica não apenas na superficialidade (o que talvez apenas o adjectivasse como louco...), mas na sua profundidade. A religião que Jesus vem encontrar no Templo é a religião do sábado. O homem que Jesus vem encontrar nas instituições religiosas do seu tempo é o homem para o sábado. Homem escravizado, isolado. O “deus” que Jesus vê ser louvado neste templo é o “deus”-expressão-da-vontade-de-poder-do-homem, um “deus” que se confunde com objecto, um “deus” quase manipulável.

Mas esse “deus” não seria o Deus, Pai de Jesus Cristo. A expressão existencial da religião que Jesus vem presenciar é a da publicidade das virtudes próprias e condenação dos pecados alheios: no templo e em público a observância estrita dos rituais; em privado e às escondidas, a prática da injustiça.

A Ressurreição de Jesus Cristo é, por isso, quase o grito de afirmação da liberdade do próprio Deus (“não sou quem pensais..”) e, ao mesmo tempo, a revelação do verdadeiro homem ao próprio homem, o caminho para a “humanização” do homem, ou seja, a afirmação de que o sábado é para o homem, a afirmação do homem em diálogo com Deus e acolhido por Deus. O que a Ressurreição destrói é a verdadeira paralisia que encerra o homem sobre si mesmo e sobre os seus preconceitos.

Deve ter sido essa a experiência dos discípulos a caminho de Emaús quando contactaram com Jesus e acreditaram n’Ele. No início os discípulos ainda caminham desanimados. Esperavam, havia três dias, algo de novo, mas não sentiram nada. Só serão capazes de reconhecer Jesus depois do próprio Jesus lhes ter lido as Escrituras.
Estar a caminho é estar disponível para o “outro lado”, o “doutro modo”, o “outro”. E então a ausência marca o desejo. Desejo que não é nostalgia, ou saudade, ou mesmo mera necessidade, mas que é fruto da experiência de estarmos neste mundo a sentir a vida verdadeira como ausente. Deseja-se a transcendência.

De facto, o encontro com o Senhor ressuscitado faz-se progressivamente. É um ir abrindo os olhos. É um encontro que se realiza na Palavra que Jesus Cristo dirige aos dois discípulos. Relendo e recordando as Escrituras, Jesus leva-os a compreender o que havia acontecido. O que Deus pretende não é apenas um êxito clamoroso, mas sim a aceitação do sofrimento segundo um misterioso desígnio prefigurado no destino do servo de Deus no Canto do Servo de Jahwé: a Cruz não é apenas, ou sobretudo, uma catástrofe, mas sim uma dimensão inerente à existência
Talvez por isso, apenas na fracção do pão os discípulos se dão conta de si e reconhecem Jesus. Aquele peregrino, que é hóspede convidado a velar com os discípulos, transforma-se no verdadeiro anfitrião que lhes dá de comer. É neste momento que os olhos dos discípulos se abrem.

3. Encontros pascais com Jesus
Jesus morreu como viveu, entregando-Se totalmente. A sua morte é a hora em que melhor se compreendem as sua palavras e os seus gestos, a sua vida. A morte foi, por isso, a plenitude da sua vida. E ainda que Jesus contasse com uma morte violenta, ninguém Lhe rouba a vida. É Jesus que a entrega, como sempre fizera nos imensos encontros que realizou em vida. Desprende-Se de Si para que outros tenham vidas com sentido. O seu caminho de Cruz é também caminho de Ressurreição. A via-sacra é o caminho da sua vida e da nossa vida.
Neste dinamismo Jesus passou a sua vida pública a encontrar-Se com pessoas. As pessoas procuravam-n'O e Ele procurava as pessoas. Muitos quiseram tocá-l'O, na sua Pessoa e no seu mistério, para se sentirem curados (Mc 6, 53-56). Foi nesses encontros que Jesus Se revelou e Se definiu. São encontros e passos intensos em presença, palavras, atitudes e sentimentos e, por isso, reveladores de identidades - de Jesus e nossas. Foi nestes encontros que as pessoas sentiram a novidade de Jesus e puderam perceber o mistério das suas vidas à luz da sua relação com Deus.
Para cada um de nós a revelação de Jesus e a resposta a esta questão vai-se fazendo no tempo concreto da nossa vida e no mais profundo do nosso coração também em palavras e encontros que dizem muito mais do que podem parecer à primeira vista. É que, como diz Vergílio Ferreira, por fora estamos ... por dentro somos! Estejamos onde estivermos, o nosso ser pode estar em comunhão com outros seres. Mas, muitas vezes, para despertarmos para eles, carecemos de símbolos, sinais, chamadas de atenção que nos façam passar do estar ao ser. É por dentro que as coisas são.

O Evangelho fala de encontros de pessoas com Jesus que se podem hoje repetir em cada um de nós. No tempo em que se passam os episódios narrados no Evangelho, os encontros com Jesus têm sempre como consequência a mudança de vida daqueles que se encontram com Ele. São cegos, paralíticos, surdos, mudos, endemoninhados, etc. Podemos dizer que são encontros verdadeiramente pascais, exprimem a experiência essencial da Páscoa, a vida nova. Ressuscitaremos em Jesus, mas vamos já ressuscitando cada vez que nos encontramos com Cristo e vamos aprendendo a morrer para o pecado, para o sem-sentido. Ressuscitamos na medida em que vamos morrendo.

4. A Cruz como acontecimento trinitário e pascal
No centro de todo o acontecimento Redentor está a Cruz de Jesus. Como acontecimento do Filho, porque Jesus é o Filho eterno do Pai, a Cruz é necessariamente um acontecimento trinitário. O Filho entrega-Se na Cruz por Amor e obediência ao Pai para Salvação da Humanidade.
Amado pelo Pai, possuindo o Espírito Criador do Pai, Jesus Cristo assume na Cruz uma existência representativa, solidária para com a humanidade.
A Cruz é obra do Pai e do Filho na plenitude do Amor que é o Espírito para a re-Criação do mundo. No Cristianismo, a Cruz na qual Cristo morreu e pela qual chegou à Ressurreição, tornou-se, pois, arquétipo da acção salvífica de Deus e modelo da resposta do homem.
Na Cruz evidencia-se a plena unidade de vontade de Pai e Filho, o que revela a Cruz como um Mistério de Amor - o Mistério de Amor que realiza a Salvação.

É a existência trinitária de Deus que funda a possibilidade real da Cruz ser redentora o Amor relacional (unidade e distinção) entre o Pai e o Filho triunfa da Cruz e subsiste como Vida.
Nesta relação de contínua geração o Pai entrega o Filho na Cruz;. o Filho é entregue e entrega-Se a si mesmo; e o Espírito permanece como ligação da temporalidade da morte de Cristo à eternidade vivificante do Pai.
Pelo lado de Cristo a morte foi consentida por obediência filial (Fil 2., 8; Rom 5,: 19; He 5,, 8) à sua missão recebida de Deus e por amor quer ao Pai, quer aos seus irmãos.
Da parte de Deus, Pai e enviante de Jesus, a entrega do Filho acontece por pelo Amor com Deus amou o mundo (Jo 3, 16-17) 56

4.1. O Pai entrega o Filho no Amor
Aquilo que identifica a acção do Pai é o acto de entregar - Deus Pai entrega o seu Filho à morte.
Entrega-O na Encarnação, entrega-O na Cruz e entrega-O, derradeiramente na Ressurreição. A Palavra faz-Se carne e faz-Se Cruz.
Da contemplação de Deus que entrega seu Filho ao mundo, João conclui que Deus é Amor ( 1 Jo 4, 16). Deus não entrega o seu Filho como os inimigos mas entrega-O como Pai, sempre agindo na sua paternidade. Entrega-O gerando-o continuamente mundo, entrega o Filho para Salvação do mundo.
O Pai é pois quem primeiro entrega o Filho, o que revela que a Salvação está no mistério filial que se realiza no mundo. Assim, nesta contínua geração, o Filho é Deus com o Pai desde toda a eternidade e também no despojamento quenótico.

« Neste abandono do Filho, o Pai abandona-Se também a si mesmo, entregando o Filho entrega-Se a si mesmo, embora não do mesmo modo, e sofre também ».
O Pai sofre a dor do despojamento do Filho porque nunca abandona a sua paternidade, a sua relação de Amor que gera: o Filho sofre a agonia e o Pai sofre a morte do Filho.
Se o Filho, na Cruz, sente a falta do Pai, o Pai também sente, na Cruz, o sofrimento do Filho, ou seja a falta do Filho. O sofrimento na Cruz é recíproco, embora o Pai não morra” na Cruz, porque o Amor (gerar e ser gerado) também é recíproco.
Este Amor relacional entre o Pai e o Filho será condição de possibilidade da Cruz, e de aniquilamento transformar-se-á em suprema divinização e glorificação.

4.2. O Filho entrega-se no Amor
Se, por um lado, o Pai entrega Filho na Cruz, também é verdade que o pr6prio Filho se entrega na Cruz. Será importante então relevar a total consonância de vontade entre Pai e o Filho na entrega à Cruz.
O Filho entega-Se na Cruz na sua filiação, expressão radical da sua obediência de Amor ao Pai. A entrega como acto livre de Jesus manifesta a plenitude da sua filiação divina.
Em virtude da sua própria Encarnação, o Filho assume já a morte. Mas como não tem pecado em si essa morte é assumida em liberdade, diríamos mesmo intencionalmente - uma morte por Amor, no Amor, que redime.

Neste Amor a Cruz não surge como uma casualidade mas sim como vontade , sabedoria e poder de Deus ( 1 Cor 1 18 ss). Cristo fez-se obediente não a um destino anónimo mas ao próprio Pai no conhecimento e intimidade do conhecimento da vontade do Pai - a sua obediência representa a tradução do seu Amor de Filho para com o Pai.

Aquele que é entregue, entrega-Se. Neste gesto de separação, a agonia de Jesus que se abandona e é abandonado pelo Pai, se manifestará decisivamente a Comunhão de Jesus com o Pai . “Ele foi entregue por causa dos nossos pecados e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rom 4, 25).
A filiação divina de Jesus surge pois como a única possibilidade de compreender a entrega e obediência de Jesus na Cruz.

4.2.1. Filiação e entrega
O conceito fundamental que expressa a atitude de Jesus é o conceito de “entrega”, o qual revela a total comunhão e identificação de Jesus ao Pai.
O Pai entrega e o Filho entrega-Se, plenamente activo nesta atitude, ou seja, o Pai entrega Filho no Amor que tem à humanidade (Rom 8, 32; Jo 3, 16) e o Filho auto-entrega-Se pelo mesmo Amor à humanidade e ao Pai(Rom8, 5; ãál 2, 20; Ef 5, 1).
Em Jesus Cristo a “condição de filho” e a “entrega” coincidem totalmente, são a mesma forma de Jesus viver a sua contínua e eterna geração pelo Pai.
Cristo, não tendo em Si pecado faz-Se pecado para Salvação da humanidade.
Assim, frente a quem pensasse que Deus deixa Cristo sofrer na Cruz friamente ou que a Cruz é expressão de uma ira divina que exige “satisfação é a própria Escritura que afirma a Cruz como Amor de Deus em nosso favor.

A morte de Jesus entra no desígnio de Deus E Jesus tem plena consciência disso - a consciência que tem da sua entrega é a mesma que tem de ser Filho de Deus e de vir ao mundo para fazer a vontade do Pai.

O mistério da encarnação salvífica em sua totalidade (a consusbstancialidade do Filho connosco) tem a sua raiz profunda na “consubstancialidade” de natureza-amor do Filho com o Pai do qual o dom recíproco do Espírito Santo é expressão.

O Pai é Pai para Salvação do mundo e o Filho é Filho para Salvação do mundo - a paixão é trinitária e a salvação é trinitária.
É na sua “condição de filho” que Jesus encarna e é na sua “condição de filho” que Jesus se entrega e redime.

4.2.2. Filiação divina, obediência e liberdade na Cruz
O ser de Jesus realiza-se a partir do Pai e com vista à humanidade. No dizer de W.Kasper, Ele Filho de Deus no abaixamento, é Filho de Deus na eternidade e é Filho de Deus como plenitude do tempo, Aquele para onde tudo convergirá. Definitivamente, a Cruz manifesta-se como obra de Deus.

Se a Cruz é vontade de Deus, então não é acidente ou casualidade da história, mas sim uma necessidade querida por Deus. O Ser de Jesus é ser Filho ( a Filiação) e o ser Filho revela uma relação essencial de Amor ao Pai. Esta relação de Amor é a medida da Obediência e da Liberdade de Jesus na Cruz.

O Filho não é uma parte de Deus que morre. Ele é Deus como Pai mas, também frente ao Pai Ele é Pessoa diferente da Pessoa do Pai. Acontecendo que o Amor em Deus é unidade e distinção e que cada Pessoa apenas se distingue na medida em que se relaciona, a Cruz do Pai e do Filho.

O Drama da Cruz, centro do Cristianismo, é portanto o drama do Filho - drama de solidão humana mas de comunhão divina Na comunhão divina se encontram radicadas a liberdade e a obediência de Jesus. A Cruz é salvadora porque a obediência de Jesus foi realizada na liberdade do Amor que se auto-entrega pela consciência que tem da sua filialidade e Missão.

Se a filialidade releva a obediência na Cruz, ela releva muito mais a liberdade e o Amor, pois, para Cristo, obedecer é dar todo o tempo a Deus.

4.3. O Espirito e a reciprocidade no Amor que brota da Cruz como Redenção
O Espirito Santo, que procede do Pai e do Filho, é, na Trindade, a Pessoa Comunhão. É Comunhão enquanto, como já afirmámos, é reciprocidade de Amor - o Pai gera no Amor e o Filho é gerado no Amor.; o Pai é a Fonte e o Filho sabe-Se inteiramente recebido do Pai. Toda a vida de Jesus, se passa na consciência de ser o Enviado do Pai - por si só não é nada, nada faz; aquilo que sabe, diz e faz é porque o Pai Lh’O revela no Amor da interioridade divina., Ele é o Verbo de Deus encarnado.

« O acontecimento de Cristo é plenamente humano e plenamente divino: acontecimento de plena codivisão, solidariedade, “consubstancilidade” humanodivina. N’Ele, morto e ressuscitado, Deus morrendo destrói a morte: supera a fragilidade humana, submetida ao poder do limite, do pecado e da morte » .

Toda a Vida de Jesus Cristo é, portanto, como dissemos uma caminhada para a Cruz. Mas para a Cruz vivida nesta, relação de Amor. Na Cruz o Filho de Deus não deixa de ser Filho de Deus.
A “salvação” só se dá quando o Filho eterno do Pai, por um amor sobreabundante (o Espírito) se fez homem e morreu por nós. Só então, Deus em
absoluta liberdade ( e por isso permanecendo Deus) ocupa o nosso “lugar” para que nós os pecadores, apesar do pecado tenhamos junto d’Ele a nossa casa paterna.

O Amor relação ao Pai ( Espírito Santo) revela-Se então como a possibilidade de despojamento de Cristo na Cruz sem que a Morte possa aí ter poder. A reciprocidade no Amor fará com que o Filho nunca deixe de ser gerado no Amor do Pai e por isso ressuscite. O Espírito é pois fonte de vida. O Pai gera na Encarnação, na Vida e, radicalmente, na Ressurreição o seu Filho para a Vida. Ao mesmo tempo a única possibilidade de “substituição” por parte de Cristo é o Espírito Santo.
O Ministério de Jesus é inaugurado na força do Espírito (Lc 4, 14) , desenvolve-se e culmina nessa mesma força.
A ressurreição de Jesus revela pois a paternidade eterna de Deus e a reciprocidade entre o Pai e o Filho:

No Pai, o Espírito é em primeiro lugar Amor que se dá; no Filho, esse mesmo Espírito é em primeiro lugar Amor que acolhe. Consentindo no dom do Pai, o Filho permite ao Pai que se dê. O Amor que acolhe “provoca” o Amor do Pai que se dá gerando. O Espírito procede então da relação do Pai e do Filho, da paternidade de um e da filiação do outro
Esta reciprocidade brota então da Cruz como Vida, o acontecimento acabado da Redenção em que Filho veio dar a Vida ao Mundo. O Amor intra-tritinário revela-se plenamente na Páscoa onde se manifesta, de facto, a vitória de Deus sobre o pecado do Mundo.
A Cruz, como “último acto” revela-se assim como um drama trinitárto, mas um drama de onde brota a vida porque traz a eternidade para ser vivida no tempo.

5. Mistério Pascal – passar para aquilo que não passa
A tradição da Igreja sempre interpretou a Páscoa como “passagem”. E sempre a “passagem” teve diversos sentidos:
- passar sobre (hyperbasis): quando fala de Deus ou do seu anjo que passa sobre as casas dos judeus sem os ferir
- passar através de (diabasis): quando o povo passa do Egipto para a Terra Prometida
- passagem para o alto (anabasis): quando o homem passa das coisas terrenas para as coisas do céu
- passagem para fora (exodus): quando o homem sai da escravidão do pecado
- passagem para diante (progressio): quando o homem progride no caminho da santidade.

Na base da ideia da Páscoa está, portanto, a ideia de uma passagem: da morte para a vida. É algo que se evoca como provisório e transitório, algo que é preciso ser ultrapassado. E só é possível parar quando se chega à plenitude, quando se chega à Parusia. Como disse Sto Agostinho, num dos seus comentários ao Evangelho de João (55, 1 in CCL 36, pp463) a Páscoa é passar para aquilo que não passa.
E, de facto, se virmos à nossa volta e bem dentro de nós, tudo passa. Mas, diante deste tudo que passa, há Alguém que não passa: Deus, o Amor de Deus.

O homem é frágil, passa, é transitório. Deus não passa, não é provisório, não é transitório. Por isso a Páscoa é passar para o que não passa nunca: Deus.

Diante desta passagem podemos reflectir a morte de Cristo como uma passagem: e só passa quem se entrega na liberdade e na obediência. O Pai entrega-Se novamente e entrega o Filho e o Filho entrega-Se ao Pai e à humanidade.
Então, em Cristo, todos passamos, todos vivemos a passagem que é a Páscoa. A humanidade está representada no Adão da queda e está, sobretudo, representada no Jesus Cristo da redenção. Cristo morreu pelos nossos pecados e a essência da sua missão pode centra-se aqui: morreu por nós.

Este “por nós” não significa uma substituição penal ao estilo de vítima que entregámos por nós. Este “por nós” é “em nosso favor”. Se quisermos é o essencial da nossa oração: Cristo repete-se no coração de cada um de nós.
_________________________________________
[1] Cf. José Tolentino MENDONÇA, Páscoa quebra imposição do conformismo, in Público (Destaque,28.03.97) 4.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007






Pré- Seminário


Inscreve-te



Vamos iniciar na nossa Diocese o Pré-Seminário. Vai ser uma experiência fantástica. Hoje damos já algums notícias, mas não todas!


O que é o Pré-Seminário?!

É um grupo de descoberta da vocação na Igreja. Muitos jovens questionam-se sobre qual será a sua vocação, qual será o sentido das suas vidas. Alguns até já pensaram em entrar no Seminário, mas não se sentem ainda preparados. Precisam de mais tempo para pensar e crescer. É por isso que chamamos a esta experiência o "Pré-Seminário". Os jovens continuam em suas casas, com as suas fanmílias e nas suas escolas, mas reúnem alguns fins de semana por ano para reflectir em conjunto, conviver e descobrir em conjunto o que Deus quer de cada um.



Quem pode entrar e inscrever-se no Pré-Seminário?!

Todos os rapazes que já tenham completado os 13 anos de idade e que estejam interessados em aprofundar e reflectir a sua vocação (os que forem menores necessitarão de uma autorização dos pais) e que estejam interessados em reflectir juntamente com outros rapazes a vocação a que Deus os chama na Igreja.



Como vai funcionar o Pré-Seminário?

Os jovens inscrevem-se mas continuam a viver em suas casas com suas famílias e a frequentar as suas Escolas. Alguns fins de semana e outros dias por ano participam em encontros que decorrerão num dos Seminários da nossa Diocese. O Pré-Seminário vai funcionar em grupos diferentes segundo as idades e cada jovem estará nele o tempo necessário ao aprofundamento e opção vocacional.



Que tipos de actividades se fazem?

Bom, imensas e variadas. Desde temas de reflexão, passando por experiências de oração, voluntariado, momentos de diversão, aprendizagem de guitarra e canto até passeios e acampamentos, de tudo se fará um pouco. Tudo o que se fizer tem é de ajudar cada jovem a chegar mais perto do segredo do seu coração e daquilo que Deus quer dele.



Quando posso inscrever-me?

Já! Basta enviar o teu nome, morada, data de nascimento e contacto telefónico para o nosso mail e.pro.vocação@sapo.pt





Já pensaste ?!


Porque o mundo tem necessidade de amor,


Padre,


uma VOCAÇÃO!



Vem aprofundar a tua vocação connosco!

Coragem! Inscreve-te e participa!